Entrevistas


08/04/2015

Conhecendo um pouco mais sobre o Delegado Getulio de Morais Vargas

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Sou natural de Bandeirantes, Norte Pioneiro, casado com Francielle Specht Calegaro Vargas.
Completei o ensino fundamental e médio no Colégio Estadual David Carneiro, no município de Guapirama.

No ano de 2001, conclui o curso de Direito na Faculdade Estadual de Direito do Norte Pioneiro, no município de Jacarezinho, atual UENP – Universidade Estadual do Norte do Paraná.
Ingressei na Polícia Civil do Estado do Paraná em 16/10/2000, aos 20 anos de idade, no cargo de Escrivão de Polícia, sendo lotado no município de Joaquim Távora.
Depois de três anos, exatamente no dia 01/03/2004, tomei posse no cargo de Delegado de Polícia.


No período de 11 anos como Delegado, já fui titular das Delegacias de Ribeirão do Pinhal, Carlópolis, Andirá e Castro, Delegado Adjunto da 12ª Subdivisão Policial de Jacarezinho, Delegado Operacional da 6ª Subdivisão Policial de Foz do Iguaçu e Delegado Adjunto da Divisão Policial do Interior.


Em que pese as várias noites sem dormir, atendendo flagrantes e ocorrências diversas, a distância dos familiares e amigos, rebeliões e motins enfrentados em carceragens, carga extraordinária e excessiva de trabalho, em nenhuma outra profissão seria possível adquirir o conhecimento e a experiência sobre a vida, sobre o ser humano e sobre a si mesmo, da forma desnuda como na Polícia Civil.

Em poucas profissões, como na Polícia, fica tão claro que é impossível alcançar os objetivos, cumprir as metas e completar uma missão, sem equipe e sem comprometimento.
Agradeço a Deus todos os dias pela oportunidade de fazer parte desse grupo de pessoas guerreiras que formam a Polícia Civil do Estado do Paraná.

“Se quiser ir rápido vá sozinho, mas se quiser ir longe vá em grupo.”
(Provérbio Africano)



07/04/2015

Conhecendo um pouco mais sobre o Delegado Valderes Luiz Scalco

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Natural do Município de Barracão, no Sudoeste do Paraná, tem 37 anos, filho de Dorval Gentil Scalco e Zenita Elicker Scalco, já falecidos.

Ingressou na Polícia Civil do Paraná em outubro de 2000, após aprovação em concorrido concurso público para o cargo de Investigador de Polícia, que exerceu por quase nove anos.
O ingresso na Polícia Civil era um sonho que se tornou realidade graças ao esforço e dedicação, sobretudo com os estudos.
Já quando aprovado no concurso público para Investigador, foi motivo de orgulho e celebração, pois tinha certeza que estava ingressando nas fileiras de uma das mais respeitadas instituições.

É graduado em Direito pela Universidade Paranaense, pós-graduado com o título Especialista em Direito Aplicado pela Escola da Magistratura do Paraná, com o título Especialista em Direito Constitucional pelo Instituto de Direito Público de Brasília e Universidade do Sul de Santa Catarina.
Está concluindo outras duas pós-graduações, em Ciências Penais pela Universidade Anhanguera e Rede LFG e Especialização em Gestão de Segurança Pública pela Escola Superior de Polícia Civil do Paraná.

Desde o ingresso na Graduação de Direito, já tinha o firme propósito de prestar concurso para o cargo de Delegado.
Foram anos de estudos madrugada a dentro e nem aos finais de semana deixava os livros de lado. Após muito estudo e dedicação, em 2008 foi aprovado no concurso para Delegado de Polícia.

Exerceu suas funções como Delegado adjunto da 19ª SDP (2009/2011), foi Titular das Delegacias de Salto do Lontra (2011) e Marmeleiro (2011/2015), e respectivas subordinadas.
Desde 20 de janeiro deste ano, é o novo Delegado chefe da 19ª SDP de Francisco Beltrão e responde administrativamente pela chefia de vinte e seis Delegacias de Polícia.
A Subdivisão atende a uma população de aproximadamente 350 mil pessoas.
Das duas turmas de delegados que realizaram o curso técnico profissional em 2008, é o 1º delegado a assumir o comando de uma Subdivisão Policial.
E para ele é motivo de orgulho, não menos de responsabilidade.

O objetivo principal à frente da 19ª SDP é a prestação de um serviço de excelência; “já que nossa vida é a constante busca pelo aperfeiçoamento, buscaremos atualizar conceitos de respeito, urbanidade e sobretudo de profissionalismo”, comenta Drº Scalco.
“Sei que não estarei sozinho, pois além da ajuda dos valorosos policiais civis que prestam serviços na área da 19ª SDP, temos como princípio maior, o trabalho integrado com as demais instituições e a própria sociedade.
Por isso reforçaremos as parcerias existentes e formalizaremos outras, oportunizando assim, que a comunidade participe cada vez mais de nossas ações de Segurança Pública.
Vamos somar, cheios de vontade, para melhoria da Segurança Pública desta região.
A Polícia Civil, como qualquer outra Instituição, não é, e não pode ser uma ilha.
Precisamos da ajuda de todas as pessoas dignas, honestas e trabalhadoras.
É assim que temos norteado nossas ações por esses quase 15 anos na Polícia Civil do Paraná, de modo que todos os esforços continuarão a serem envidados para cada vez melhor servir e proteger nossa comunidade.”

O Delegado Scalco fez questão de enaltecer os relevantes serviços prestados pelo seu antecessor, Drº David Passerino, que passou a exercer suas funções na Corregedoria de Área Sudoeste.

Drº Scalco conclamou a todos os policiais civis que prestam serviços na área da 19ª SDP que continuem trabalhando com muita dedicação e eficiência.
“Conheço a competência de cada um, reconheço os relevantes serviços que prestam a nossa comunidade, espero muito de vocês, terão em mim a ajuda necessária para a melhoraria da Segurança Pública. Com ajuda de todos, com esforço e dedicação, um trabalho integrado, por certo, daremos nossa contribuição.
Agradeço a confiança do Delegado chefe da DPI, Drº Valmir Soccio, do nosso Delegado Geral, Drº Julio Reis e do Secretário da Segurança Pública Fernando Francischini. Todos os esforços serão enviados para atender a demanda de serviços na área da 19ª SDP”



16/03/2015

Conhecendo um pouco mais sobre o Delegado Adão Wagner

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Dr° Adão Wagner Loureiro Rodrigues, natural de Cafelândia, Estado de São Paulo, 46 anos, casado e pai de dois filhos.

O delegado começou sua carreira na Polícia Militar do Estado de São Paulo em 1998, onde trabalhou por aproximadamente treze anos.

Em 1997 se formou em Direito nas Universidades Toledo de Ensino.

Concluiu Pós-graduação em Direito Processual Civil, Penal e do Trabalho em 1999, sendo admitido no concurso de delegado de polícia do Estado do Paraná em 2001.

Sua primeira designação foi para a comarca de Terra Rica onde permaneceu por um ano e meio, depois foi delegado adjunto da 8ª Subdivisão Policial em Paranavaí nos anos de 2004 e 2005.

Em 2006 assumiu a vice direção da Escola Superior da Polícia Civil em Curitiba, pós-graduando-se em Gestão em Segurança Pública no mesmo ano.

Em 2007 foi transferido para o Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos – NURCE.

Em 2008 assumiu cumulativamente a chefia do Núcleo Maringá da Divisão Estadual de Narcóticos onde permaneceu por oito anos até ser transferido para assumir a chefia da 21ª Subdivisão Policial em Cianorte no mês de fevereiro deste ano.

O delegado Adão tem um perfil de administração participativa, e sua atuação operacional na 21ª Subdivisão Policial em Cianorte está direcionada ao combate ao tráfico de drogas ilícitas, atuação que pretende desenvolver com uma parceria ativa no setor de inteligência policial com a Polícia Militar local.



13/03/2015

Conhecendo a história do Delegado Pedro Fernandes de Oliveira

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Basicamente minha história, se confunde com milhares de outras...

País de terceiro mundo, o Brasil, em termos de possibilidades, assemelha-se ao gigante do continente norte-americano, ou seja, cheio de oportunidades.

Em um desses momentos, nossa família migrou para o Estado do Paraná, no final da década de 60, vindo do nordeste do Estado de Minas Gerais.
Um pai, uma mãe, um casal de filhos, e na mente, uma vontade muito grande de sobreviver, de não deixar suas “crias” morrerem de fome, de "bicho barbeiro" ou ainda, "esquistossomose".
"Chistosa", era o nome utilizada por dona Izabel, minha mãe. Doença essa, que veio a lhe tirar a vida aos 46 anos de idade, em 1986, nesse período, já mãe de 5 filhos vivos (dois morreram logo após o nascimento).

O Seu Vitório, analfabeto de pai e mãe, jura que, conforme ele mesmo diz, não deixaria seus filhos passarem por tudo aquilo que passou.

De escola "isolada" em escola "isolada”...explico:
Tempos atrás, as escolas do interior alfabetizavam seus alunos, do primeiro ao quarto ano, todos na mesma sala.
Dividia-se o quadro em quatro partes, sendo que os alunos do primeiro ano, ficavam com o lado esquerdo do mesmo, e assim sucessivamente até o quarto ano, que ocupava o canto direito do mesmo quadro.
Desta forma, seguia o nosso aprendizado.

Já no início do quarto ano, meu pai, mandou eu morar na casa de um "irmão", da mesma seita evangélica (Igreja Batista), em um Distrito do Município de Corbélia, onde fiquei por quase dois anos.

Em 1976, meu pai Vitório e a família mudaram-se para o Distrito de Ouro Verde, onde já na sexta série, retornei para casa.

No final do então ginásio, nome dado aquela época, logo após o aluno concluir a oitava série (hoje é ensino fundamental e básico), mudei-me novamente para a casa de um tio, na cidade de Cascavel.

Lembro-me que a única vez que fui a um estádio de futebol, foi naquele período, pois meu tio era zelador do antigo estádio "ninho da cobra".

Fiquei um semestre nesta condição, mas logo em seguida, meu tio foi transferido para uma empresa do Grupo Scanagata, como zelador para uma chácara de lazer.
Fiquei no prejuízo, pois, durante o segundo semestre tive que fazer na "butina" os 12 quilômetros que distava do Colégio Wilson Jofre em Cascavel.
Aliás, esse Colégio fica ao lado da 15ª SDP.

Por felicidade minha, já com 17 anos, até então somente ajudando a família a trabalhar na "roça", acabei por descobrir que tinha um outro tio, do lado materno, na cidade de Maringá.
Este, morava ao lado do Colégio Polivalente, na zona 5.
Não tive dúvidas, despenquei-me para lá.
E ali, também tive a oportunidade de trabalhar como garçom e como concluir o segundo grau.

Concluindo essa fase, já no ano de 1983, então com 19 anos de idade, como todo brasileiro, ano de alistamento militar obrigatório.
Tive a sorte, ao menos considero desta forma, dentre poucos fui escolhido para prestar o Serviço Militar Obrigatório.
Fiz uma choradeira para não ir "servir" o Exercito em Brasília, e como minhas justificativas eram fortes, acabei indo para o 33.º Batalhão de Infantaria Motorizado, que naquele ano tinha sido transferido de Jaguarão, no Rio Grande do Sul, para Cascavel.
Ali fiquei pelo período de um ano e consegui fazer o curso de cabo, sagrando-me em primeiro lugar.

Ano seguinte, já com 20 anos, fui trabalhar no Bradesco, na cidade de Nova Aurora, onde morava minha família.
Ou seja, depois de 4 anos, consegui voltar para casa.
Talvez, a própria mãe natureza me tenha pregado uma boa peça.
Minha mãe veio falecer logo em seguida e tive desta forma, um tempo para "curtí-la".
Em razão das dificuldades e distancia, acabei ficando longe da escola por um período de dois anos.
Mesmo assim a vontade era muito grande, sentia falta, necessidade dos bancos escolares.

Consegui passar em um concurso público (o primeiro) para o Banestado, onde minha classificação, permitiu-me escolher um local para trabalhar.
Não tive dúvidas, arrumei o "galo-de-briga", e fui para Curitiba, Capital do Estado.
Na época, uma cidade linda de se viver (hoje tem muito veículo, muito tráfego), e ali fiz um cursinho preparatório (Dom Bosco), conseguindo então uma vaga na Universidade Estadual de Ponta Grossa e ainda, uma na Pontifícia Católica.
Por óbvio, optei pela universidade pública.

Novamente migrei para Ponta Grossa, Capital dos Campos Gerais.
Ali fiquei, os cinco anos necessários a formação do curso de Direito de 1.988 a 1.992. Retornei a Curitiba em 1.993, onde fiz um estágio junto a Escola do Ministério Público e em 1.995, a Escola da Magistratura, já visualizando um concurso público.
Em 1.995, já de posse da "carteira” da OAB, pedi a conta no Banestado, e fui aprovado no concurso de Delegado de Polícia do Paraná.
Vale lembrar que, ainda em 1.991, tendo em vista a segunda gravidez de uma paixão no interior do Estado, mais precisamente em Nova Aurora, acabei me casando com a Sra. Eliane Schmitt, casamento este que me rendeu 3 lindos filhos.
No ano de 1.998, me divorciei.

Iniciei minha carreira como Delegado de Polícia em Palmital.
Depois passei por Laranjeiras do Sul, Fazenda Rio Grande, 10.º Distrito, Furtos e Roubos de Veículos, Icaraíma, Umuarama e Alto Piquiri, Guaíra, Laranjeiras do Sul, Corbélia, Cascavel e, atualmente, quis o Grande Arquiteto do Universo que pela terceira vez, viesse prestar meus serviços em Laranjeiras do Sul.
Vale lembrar que, no período dos cinco anos na cidade de Corbélia, aproveitei o período para realizar um sonho que sempre me acompanhou, fazer uma graduação em Filosofia, junto a Unioeste, campi de Toledo.

Tenho ainda, alguns sonhos a serem realizados. A título de exemplo, durante o período que morei em Guaíra, acabei conhecendo Srta. Maritânia, hoje, minha atual namorada, e com a qual tive uma linda filha.
Dentro daquele mesmo raciocínio do Seu Vitório, que nomeei no início deste texto, que era educar os seus filhos na sua melhor forma, vejo ainda, que posso acrescentar algumas ferramentas para a busca do conhecimento dela, e talvez, até dos outros filhos, como um período fora do Brasil.

A Polícia Civil, me proporcionou muitas alegrias. Entre elas, foi conhecer muitas pessoas extremamente decentes, que se utilizam dessa grandiosa função pública, em ajudar o próximo.
Mesmo porque, normalmente, e natural que seja (forçosamente), o grande público que precisa desta Instituição, são os mais carentes, os mais desprovidos de bens materiais (friso essa expressão, bens materiais).
Penso que, todas as minhas ações conscientes ou não, foram voltadas com esse altruísmo.
Não consigo visualizar, a nossa condição humana de outra forma, que não seja, ajudando o próximo.

Findo por aqui. Certamente estou esquecendo de muitas coisas, mas, agradeço a pessoa que teve a brilhante ideia de abrir esse espaço, para, certamente, perpetuar essa memória.
Acredito que, talvez, meus filhos, netos, bisnetos ou outro curioso, daqui a não sei quanto tempo, folheará esse e outros textos, que outros colegas também tiveram a oportunidade de escrever.
Deixo assim, uma expressão que recentemente li em um texto, provavelmente espírita, o qual nomina a palavra "convicção", como sendo o principal fator de mudanças.

Me permito a transcrição do testo:
"Ele era amargurado e cruel, alcoólatra e viciado em drogas, quase se matou várias vezes. Hoje, cumpre uma pena de prisão perpétua por assassinar uma caixa de loja de bebidas que “se meteu em seu caminho”. Tem dois filhos, nascidos com uma diferença de apenas onze meses, um dos quais cresceu para ser “igual ao pai”: um viciado em drogas que vivia de roubar e ameaçar os outros, até que também foi preso, por tentativa de homicídio.
O irmão, no entanto, é uma história diferente: um homem que cria três filhos, gosta de seu casamento, e parece ser realmente feliz. Como gerente regional de uma grande companhia nacional, considera que seu trabalho é ao mesmo tempo desafiador e compensador. Tem boas condições físicas, não é viciado nem em álcool, nem em drogas! Como esses dois jovens puderam enveredar por rumos tão diferentes, criados praticamente no mesmo ambiente? Foi feita a mesma pergunta a ambos, em particular, sem que o outro soubesse:
“Por que sua vida seguiu esse caminho?” Por mais surpreendente que possa parecer, ambos deram a mesma resposta: “O que mais eu poderia ser, tendo crescido com um pai assim?”
“Por trás de tudo o que pensamos, vive tudo em que acreditamos, como o supremo véu de nossos espíritos.” – ANTONIO MACHADO.

Pedro Fernandes de Oliveira – Del. Chefe. 2ª Subdivisão Policial – Laranjeiras do Sul – PR.
Basicamente nossa história, se confunde com milhares de outras...

País de terceiro mundo, o Brasil, em termos de possibilidades, assemelha-se ao gigante do continente norte-americano, ou seja, cheio de oportunidades.

Em um desses momentos, nossa família migrou para o Estado do Paraná, no final da década de 60, vindo do nordeste do Estado de Minas Gerais.
Um pai, uma mãe, um casal de filhos, e na mente, uma vontade muito grande de sobreviver, de não deixar suas “crias” morrerem de fome, de "bicho barbeiro" ou ainda, "esquistossomose".
"Chistosa", era o nome utilizada por dona Izabel, minha mãe. Doença essa, que veio a lhe tirar a vida aos 46 anos de idade, em 1986, nesse período, já mãe de 5 filhos vivos (dois morreram logo após o nascimento).

O Seu Vitório, analfabeto de pai e mãe, jura que, conforme ele mesmo diz, não deixaria seus filhos passarem por tudo aquilo que passou.

De escola "isolada" em escola "isolada”...explico:
Tempos atrás, as escolas do interior alfabetizavam seus alunos, do primeiro ao quarto ano, todos na mesma sala.
Dividia-se o quadro em quatro partes, sendo que os alunos do primeiro ano, ficavam com o lado esquerdo do mesmo, e assim sucessivamente até o quarto ano, que ocupava o canto direito do mesmo quadro.
Desta forma, seguia o nosso aprendizado.

Já no início do quarto ano, meu pai, mandou eu morar na casa de um "irmão", da mesma seita evangélica (Igreja Batista), em um Distrito do Município de Corbélia, onde fiquei por quase dois anos.

Em 1976, meu pai Vitório e a família mudaram-se para o Distrito de Ouro Verde, onde já na sexta série, retornei para casa.

No final do então ginásio, nome dado aquela época, logo após o aluno concluir a oitava série (hoje é ensino fundamental e básico), mudei-me novamente para a casa de um tio, na cidade de Cascavel.

Lembro-me que a única vez que fui a um estádio de futebol, foi naquele período, pois meu tio era zelador do antigo estádio "ninho da cobra".

Fiquei um semestre nesta condição, mas logo em seguida, meu tio foi transferido para uma empresa do Grupo Scanagata, como zelador para uma chácara de lazer.
Fiquei no prejuízo, pois, durante o segundo semestre tive que fazer na "butina" os 12 quilômetros que distava do Colégio Wilson Jofre em Cascavel.
Aliás, esse Colégio fica ao lado da 15ª SDP.

Por felicidade minha, já com 17 anos, até então somente ajudando a família a trabalhar na "roça", acabei por descobrir que tinha um outro tio, do lado materno, na cidade de Maringá.
Este, morava ao lado do Colégio Polivalente, na zona 5.
Não tive dúvidas, despenquei-me para lá.
E ali, também tive a oportunidade de trabalhar como garçom e como concluir o segundo grau.

Concluindo essa fase, já no ano de 1983, então com 19 anos de idade, como todo brasileiro, ano de alistamento militar obrigatório.
Tive a sorte, ao menos considero desta forma, dentre poucos fui escolhido para prestar o Serviço Militar Obrigatório.
Fiz uma choradeira para não ir "servir" o Exercito em Brasília, e como minhas justificativas eram fortes, acabei indo para o 33.º Batalhão de Infantaria Motorizado, que naquele ano tinha sido transferido de Jaguarão, no Rio Grande do Sul, para Cascavel.
Ali fiquei pelo período de um ano e consegui fazer o curso de cabo, sagrando-me em primeiro lugar.

Ano seguinte, já com 20 anos, fui trabalhar no Bradesco, na cidade de Nova Aurora, onde morava minha família.
Ou seja, depois de 4 anos, consegui voltar para casa.
Talvez, a própria mãe natureza me tenha pregado uma boa peça.
Minha mãe veio falecer logo em seguida e tive desta forma, um tempo para "curtí-la".
Em razão das dificuldades e distancia, acabei ficando longe da escola por um período de dois anos.
Mesmo assim a vontade era muito grande, sentia falta, necessidade dos bancos escolares.

Consegui passar em um concurso público (o primeiro) para o Banestado, onde minha classificação, permitiu-me escolher um local para trabalhar.
Não tive dúvidas, arrumei o "galo-de-briga", e fui para Curitiba, Capital do Estado.
Na época, uma cidade linda de se viver (hoje tem muito veículo, muito tráfego), e ali fiz um cursinho preparatório (Dom Bosco), conseguindo então uma vaga na Universidade Estadual de Ponta Grossa e ainda, uma na Pontifícia Católica.
Por óbvio, optei pela universidade pública.

Novamente migrei para Ponta Grossa, Capital dos Campos Gerais.
Ali fiquei, os cinco anos necessários a formação do curso de Direito de 1.988 a 1.992. Retornei a Curitiba em 1.993, onde fiz um estágio junto a Escola do Ministério Público e em 1.995, a Escola da Magistratura, já visualizando um concurso público.
Em 1.995, já de posse da "carteira” da OAB, pedi a conta no Banestado, e fui aprovado no concurso de Delegado de Polícia do Paraná.
Vale lembrar que, ainda em 1.991, tendo em vista a segunda gravidez de uma paixão no interior do Estado, mais precisamente em Nova Aurora, acabei me casando com a Sra. Eliane Schmitt, casamento este que me rendeu 3 lindos filhos.
No ano de 1.998, me divorciei

Iniciei minha carreira como Delegado de Polícia em Palmital.
Depois passei por Laranjeiras do Sul, Fazenda Rio Grande, 10.º Distrito, Furtos e Roubos de Veículos, Icaraíma, Umuarama e Alto Piquiri, Guaíra, Laranjeiras do Sul, Corbélia, Cascavel e, atualmente, quis o Grande Arquiteto do Universo que pela terceira vez, viesse prestar meus serviços em Laranjeiras do Sul.
Vale lembrar que, no período dos cinco anos na cidade de Corbélia, aproveitei o período para realizar um sonho que sempre me acompanhou, fazer uma graduação em Filosofia, junto a Unioeste, campi de Toledo.

Tenho ainda, alguns sonhos a serem realizados. A título de exemplo, durante o período que morei em Guaíra, acabei conhecendo Srta. Maritânia, hoje, minha atual namorada, e com a qual tive uma linda filha, de nome Sophia (parece óbvio).
Dentro daquele mesmo raciocínio do Seu Vitório, que nomeei no início deste texto, que era educar os seus filhos na sua melhor forma, vejo ainda, que posso acrescentar algumas ferramentas para a busca do conhecimento dela, e talvez, até dos outros filhos, como um período fora do Brasil.

A Polícia Civil, me proporcionou muitas alegrias. Entre elas, foi conhecer muitas pessoas extremamente decentes, que se utilizam dessa grandiosa função pública, em ajudar o próximo.
Mesmo porque, normalmente, e natural que seja (forçosamente), o grande público que precisa desta Instituição, são os mais carentes, os mais desprovidos de bens materiais (friso essa expressão, bens materiais).
Penso que, todas as minhas ações conscientes ou não, foram voltadas com esse altruísmo.
Não consigo visualizar, a nossa condição humana de outra forma, que não seja, ajudando o próximo.

Findo por aqui. Certamente estou esquecendo de muitas coisas, mas, agradeço a pessoa que teve a brilhante ideia de abrir esse espaço, para, certamente, perpetuar essa memória.
Acredito que, talvez, meus filhos, netos, bisnetos ou outro curioso, daqui a não sei quanto tempo, folheará esse e outros textos, que outros colegas também tiveram a oportunidade de escrever.
Deixo assim, uma expressão que recentemente li em um texto, provavelmente espírita, o qual nomina a palavra "convicção", como sendo o principal fator de mudanças.

Me permito a transcrição do texto:
"Ele era amargurado e cruel, alcoólatra e viciado em drogas, quase se matou várias vezes. Hoje, cumpre uma pena de prisão perpétua por assassinar uma caixa de loja de bebidas que “se meteu em seu caminho”. Tem dois filhos, nascidos com uma diferença de apenas onze meses, um dos quais cresceu para ser “igual ao pai”: um viciado em drogas que vivia de roubar e ameaçar os outros, até que também foi preso, por tentativa de homicídio.
O irmão, no entanto, é uma história diferente: um homem que cria três filhos, gosta de seu casamento, e parece ser realmente feliz. Como gerente regional de uma grande companhia nacional, considera que seu trabalho é ao mesmo tempo desafiador e compensador. Tem boas condições físicas, não é viciado nem em álcool, nem em drogas! Como esses dois jovens puderam enveredar por rumos tão diferentes, criados praticamente no mesmo ambiente? Foi feita a mesma pergunta a ambos, em particular, sem que o outro soubesse:
“Por que sua vida seguiu esse caminho?” Por mais surpreendente que possa parecer, ambos deram a mesma resposta: “O que mais eu poderia ser, tendo crescido com um pai assim?”
“Por trás de tudo o que pensamos, vive tudo em que acreditamos, como o supremo véu de nossos espíritos.” – ANTONIO MACHADO.


Pedro Fernandes de Oliveira – Del. Chefe. 2ª Subdivisão Policial – Laranjeiras do Sul – PR.


11/03/2015

Conhecendo um pouco mais sobre o Delegado João Manoel

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João Manoel Garcia Alonso Filho de 39 anos é atualmente o Delegado Chefe da 11ª SDP de Cornélio Procópio.

Natural de Jales-SP, iniciou a carreira de Delegado de Polícia no Estado de Minas Gerais em 2002.

Em 2004 ingressou na Polícia Civil do Paraná, passando pelas Comarcas de Tibagi, Ponta Grossa e Palmas.

Meados de 2014 foi designado como Subdivisional da 11ª SDP.

O Delegado nos deixa um recado:

“Ser policial civil não é uma tarefa fácil, devemos ter vocação para o trabalho. Não há horário, resolvemos muitos problemas alheios, as cobranças são as mais variadas possíveis. Entretanto, é muito gratificante ser policial civil. Por fim adoro o Paraná, o estilo de vida simples do povo do Interior. Abraço a todos".


04/12/2014

Entrevista com o Escrivão chefe da 21° SDP de Cianorte, Márcio Ramalho


Em quais cidades já atuou como escrivão e há quando tempo está em Cianorte?
Comecei a minha carreira na Polícia Civil na cidade de Curitiba, posteriormente fui transferido para São Matheus do Sul, Altônia, Iporã, Palotina, Pérola, Goioerê e Cianorte/Pr. Estou trabalhando na cidade de Cianorte, há 23 anos.

Qual a é a maior responsabilidade do cargo de chefia?
Para mim a conscientização dos colegas de classe para que desempenhem com dedicação, responsabilidade e eficiência o serviço que lhes é fornecido.

Quais os motivos que lhe fizeram seguir a carreira policial?
A vontade de querer ajudar as pessoas, ser prestativo.

Hoje, você aconselharia um filho seu a seguir o mesmo caminho?

Não, com certeza não, é muito desgastante.


Qual a maior satisfação que sua profissão lhe traz?
Embora seja pequeno, mas tenho que o reconhecimento por parte da sociedade, amigos e familiares, é o engrandece o Policial Civil.

Qual foi a experiência mais marcante que você vivenciou na carreira policial?
Embora por um período curto, tenho que quando assumi a Comarca de Pérola como Delegado designado tenha sido uma experiência marcante para mim.

O você mudaria na instituição para melhorar a Polícia Civil como um todo?

O que possa falar é sonho da maioria dos Policiais Civis, ou seja, quem exerce o Comando na Polícia deveria combater a interferência Política na Instituição Policial Civil, o que hoje acontece em todos os níveis, inclusive na distribuição de servidores na capital e principalmente no interior do Estado, podemos cintar como exemplos várias cidade com população bem menores do que Cianorte, com um número de escrivães superiores a esta Comarca.

Qual sua opinião sobre a requalificação dos Policiais Civis, acha que é necessária?

Sou totalmente a favor, pois com o passar do tempo o policial esquece várias atribuições que lhe são inerentes e adquire outras que não lhe pertence, motivo pelo qual o curso oferece ao policial uma visão mais moderna de combater a criminalidade e também uma nova forma de lidar com as pessoas que precisam do serviço da Polícia Civil.

Quais foram as mudanças sentidas após o Curso de Capacitação Continuada ministrado pela DPI?
Embora continue a existir o “cara de crise”, após o curso tenho para mim que os policiais tornaram mais atentos ao comprometimento com a Instituição Policial, e principalmente passaram a ser cordiais com os demais companheiros de serviço.


Poderia deixar uma mensagem para aqueles que gostariam de seguir a carreira de Escrivão?

Estejam sempre atentos as oportunidades, estudem, não se deixem corromper pelos maus policiais, sempre sejam sinceros e tratem todos com lealdade.



19/11/2014

Entrevista com o Escrivão chefe da 20° SDP de Toledo, Valdair Rodrigues dos Santos

...

Há quanto tempo está na Polícia Civil? E no cargo de Escrivão Chefe desta SDP?
10 anos e 8 meses, sendo 5 anos como Escrivão chefe.
Qual a é a maior responsabilidade deste cargo?
Tudo é muita responsabilidade, mas creio que a maior de todas é saber como lidar com as diferentes personalidades dos colegas de trabalho
para poder manter um ambiente de trabalho harmonioso.

O que te motivou a entrar na Polícia?

Sempre tive em mente em entrar para o serviço público, não especificamente para a polícia, pois sempre tive o hábito de organização e planejamento, e pensava
em pôr em prática em algum órgão público, pois percebia a falta de organização em alguns setores públicos.

Você aconselharia um filho seu a seguir carreira na Polícia?
Sim com certeza.

O que mais te satisfaz em sua profissão?
Apesar das dificuldades, creio que o mas me satisfaz é saber que estou contribuindo para o andamento de uma instituição tão importante que é a Polícia civil.

Qual o momento mais difícil você passou na carreira policial?
Foi em 2008 quando descobri uma doença crônica e achei que teria que desistir da carreira.

O você mudaria na instituição para melhorar o atendimento a população?
Acho que deveria haver critérios mas coesos quanto a distribuição do número de policiais para casa delegacia, em especial ao número de escrivães, pois na 20ª SDP,
que atende uma população de 120.000 mil habitantes(incluindo São Pedro do Iguaçu e Ouro Verde do Oeste) tem somente com 7 escrivães, enquanto uma cidade com pouco mais de 100.000 habitantes, Umuarama, conta com 19 escrivães.

O que pensa sobre a requalificação dos Policiais Civis, acha que é necessária?

Acho de suma importância, pois além de despertar para melhorar o atendimento a população cria um empenho coletivo entre os colegas de trabalho melhorando o ambiente de trabalho.

Após o Curso de Capacitação Continuada ministrado pela DPI você notou alguma mudança?

Sim com certeza.

Qual conselho daria para quem pensa em seguir a carreira de Escrivão de Polícia?
Que esteja preparado para enfrentar as dificuldades com empenho e dedicação, mas que apesar disso é uma carreira muito gratificante, além de um novo aprendizado a cada dia.


18/11/2014

Entrevista com a Escrivã Chefe da 19° SDP de Francisco Beltrão, Adriana Becker de Costa

...


Há quanto tempo está na Polícia Civil? E no cargo de Escrivã Chefe?

Ingressei na Polícia Civil no ano de 2000, exercendo minhas atividades sempre na sede da 19ª Subdivisão Policial de Francisco Beltrão, e ocupo a função de Escrivã Chefe desde agosto de 2012.

Qual é a maior responsabilidade deste cargo?

Administrar o registro de procedimentos e distribuição igualitária entre os Escrivães, de forma que nenhum fique mais sobrecarregado que outro.
O controle de prazos, registros dos livros cartorários, planejamento de escalas e responder com eficiência e celeridade as requisições judiciais.

O que te motivou a entrar na Polícia?

Sou Escrivã de Polícia filha de Escrivão, e minha maior motivação foi o incentivo de meu pai, que sempre teve orgulho desta Instituição e principalmente da profissão de Policial.

Você já se arrependeu em algum momento da carreira que escolheu?
Quando escolhi o cargo de Escrivão já sabia quais eram os percalços que enfrentaria, e nunca me arrependi de ter escolhido esta carreira, pois apesar de ser uma profissão que exige muito de nossas capacidades, também é gratificante pois o resultado final de qualquer processo judicial, é resultado de um bom trabalho desenvolvido na esfera da Polícia Judiciária, principalmente de um bom Inquérito Policial.


Se pudesse seguir outra profissão, qual seria?
Depois de tantos anos na carreira, não me vejo exercendo outra atividade que não seja a de Policial.


Qual o momento mais difícil que você passou na carreira policial?

Embora vários foram os momentos difíceis, principalmente quando iniciei na carreira e tinha um filho pequeno, mas nada foi mais perturbador que o furto de objetos apreendidos do interior do depósito do meu cartório.



O que você mudaria na Instituição para melhorar o atendimento à população?

Atualmente a Polícia Civil está passando por uma grande transformação, com a visão de Delegacia Cidadã, a qual aos poucos está se fortalecendo, mudanças estas que são graduais, mas que já está surtindo efeitos positivos, e prova disso são os índices de confiabilidade na Polícia Civil pela população em geral.


O que pensa sobre a requalificação dos Policiais Civis, acha que é necessária?

Considerando que a sociedade está em constante mudança, e os padrões mudam na mesma proporção, o que era considerado situações normais de quando ingressei na carreira policial, hoje possui um enfoque diferente, o que faz com que a Polícia siga o ritmo das mudanças, e traga com eficiência respostas rápidas à população, e para isso muito importante se faz a requalificação dos policiais.


Após o curso de capacitação continuada ministrado pela DPI, você notou alguma mudança?

Com a implantação da capacitação continuada percebeu-se que os Policiais passaram a estar mais motivados, até porque, os encontros envolvem todos os policiais, que ministram palestras e capacitação prática, demonstrando a importância e comprometimento de cada um.
Juntamente com a capacitação foi dado início ao Programa 5S, que deu uma cara nova a Unidade Policial, tudo está mais organizado, limpo, eficiente e agradável, tanto para o cidadão como para os servidores.

Qual conselho daria para quem pensa em seguir a carreira de Escrivão de Polícia?

Siga a carreira se você acredita que realmente tem vocação para ser Policial, deve saber das dificuldades, das exigências que a profissão impõe, da responsabilidade com a verdade e da satisfação dos resultados alcançados, sob a visão dos objetivos da Polícia Judiciária. E se você se enquadra dentro destes parâmetros, vá em frente que você irá se realizar profissionalmente.


17/11/2014

Entrevista com a Escrivã Chefe da 12° SDP de Jacarezinho, Isaura Cristina Néia Cossulin

Isaura

 

Isaura Cristina Néia Cossulin, Escrivã de Polícia, 3ª classe, natural de Jacarezinho-Pr, formada em Direito pela Faculdade Estadual de Direito do Norte Pioneiro, turma de 1995.

Ao término do curso de Direito prestei vários concursos na área jurídica, porém ao ser aprovada na Polícia Civil, percebi que essa era minha vocação, hoje não me vejo em outra profissão.

Ingressei na Polícia Civil do Paraná no ano de 2003, tendo como primeira lotação a Delegacia de Joaquim Távora, sendo este o momento mais difícil de minha carreira, pois ainda não havia passado pelo curso de Formação na ESPC, mas agradeço ao Delegado Rubens José Perez e ao Escrivão da época, hoje Delegado, Dr° Getúlio de Morais Vargas que lá me receberam e me ensinaram muito; em seguida Cambará e atualmente a Sede da 12ª SDP.

Desempenhei as funções no Cartório Chefe no período compreendido entre 2007, até a data de 22/08/2013, quando retornei ao plantão e assumi o Cartório do SAEM, funções mantidas até hoje. Em Fevereiro de 2014, reassumi as funções no Cartório Chefe.

A maior responsabilidade em se exercer um cargo de chefia está na coordenação, distribuição, orientação e fiscalização das atividades cartorárias, de modo que um escrivão não fique sobrecarregado em relação aos demais e para que os prazos sejam respeitados, sem gerar a insatisfação entre os colegas de trabalho. Muito se fala em aumentar o número de funcionários, política que vem sendo adotada e se faz necessária, porém particularmente acredito que antes de mais nada é preciso qualificar e capacitar periodicamente os já existentes, para que a Polícia Civil cumpra com excelência o seu papel na sociedade, palavras de um Delegado Chefe com quem trabalhei e foi muito importante para meu crescimento, Dr° Rogério Antonio Lopes, que sempre dizia “ o que mata um policial não é a arma do bandido e sim o despreparo e a rotina. “

O peso do trabalho policial está em me envolver emocionalmente com as ocorrências, diante de seres humanos em situação de vulnerabilidade, no entanto, nada mudaria no exercício dos meus 11 anos de Polícia Civil.

Ao final, como mensagem aos novos policiais só posso dizer: “Não ingressem na Polícia em busca de um emprego ou estabilidade, mas sim por vocação; se entregue de coração a sua profissão e se comprometa com amor para com o ofício e, principalmente para com as pessoas, e acima de tudo haja com honestidade, pois trabalhamos para o bem da sociedade, e devemos ser responsáveis e ter a confiança do cidadão na polícia. "




14/11/2014

Entrevista com o Escrivão Chefe da 14° SDP de Guarapuava ,Paulo Sergio Gomes de Assis

Fale um pouco sobre você (formação, onde nasceu, locais onde trabalhou).
Nasci em Pitanga região central do estado, sou formado em Biologia licenciatura e bacharel em Direito, trabalhei somente na 14 SDP de Guarapuava.

Há quanto tempo está na Polícia Civil e há quanto tempo como escrivão chefe?

Trabalho a 14 anos na PC e na função de escrivão chefe há cerca de 07anos.

Qual a é a maior responsabilidade em ser escrivão chefe?

Coordenar os escrivães nos cartórios auxiliares, fazendo com que o serviço tenha seu fluxo normal.

Qual motivo fez você escolher a carreira policial?
O fascínio pela investigação, descobrindo a autoria de crimes e realizando um trabalho de qualidade com resultado satisfatório para a população.

Se não fosse escrivão em que área você gostaria de trabalhar?

Na área jurídica com toda certeza, talvez como advogado.

O que você melhoraria na instituição para melhorar o dia a dia de trabalho?

Mais escrivães de polícia na atividade, para que o trabalho fosse realizado a contento e principalmente para que os escrivães não fossem tão sacrificados na função, o que ocorre atualmente

Se pudesse, o que faria diferente nestes anos de profissão?

Tentaria influenciar todos os colegas a terem espírito de equipe, o que falta em muito na nossa instituição.

Quais as maiores dificuldades enfrentadas no dia a dia? E o que você faz para contorná-las?

Falta de material humano com certeza. Procuro auxiliar os demais escrivães e principalmente incentivá-los a sempre ver o lado bom das coisas, procurando soluções para facilitar o trabalho diário.

Qual sua opinião sobre o exercício de liderança e relação chefe subordinado?

É uma relação difícil, pois não é fácil liderar pessoas, mas procuro demonstrar que estou ao lado das pessoas que me auxiliam no dia a dia e que elas são importantes no funcionamento da máquina institucional.

Qual mensagem você deixa aos escrivães e a todos os policiais civis que estão ingressando agora na instituição?

Assumam um compromisso com nossa instituição que é grandiosa, comprometimento com a instituição é a coisa mais importante, pois a partir do momento em que se comprometemos com nossa instituição e a defendemos em qualquer circunstância, então tornamos a instituição cada vez mais forte e nada, nem ninguém poderá atingir nossa gloriosa POLICIA CIVIL.



10/11/2014

Entrevista com o Escrivão Chefe da 17° SDP de Apucarana, Paulo Cesar Grein Mariano

..

Você iniciou sua carreira policial em Apucarana?

Sim, em 16/10/2000.

Há quanto tempo está como escrivão chefe desta SDP?
Sou escrivão chefe da 17ª SDP há quatro anos.

Qual a é a maior responsabilidade em chefiar uma equipe?

Procurar atender da melhor forma todos da equipe e em conjunto resolver as dificuldades que possam ocorrer.

Se arrepende de ter seguido carreira de escrivão?

Não me arrependo, gosto muito da carreira que escolhi.

Se não fosse escrivão qual profissão gostaria de seguir?

Talvez, após a aposentadoria, faça universidade de engenharia agronômica.

O que você melhoraria no dia a dia de trabalho que pudesse contribuir para instituição como um todo?
Eu criaria, nos moldes de outras instituições estaduais e federais, um manual para a padronização de todos os procedimentos operacionais, cartorários e de atendimento ao cidadão em todas as delegacias.

O que faria de diferente nestes anos de carreira?
Não faria nada de diferente, pois sempre me dediquei ao máximo no desempenho de minha função.

Na sua opinião, quais são as maiores dificuldades enfrentadas no dia a dia de uma delegacia?

As maiores dificuldades estão sendo resolvidas gradativamente, com as novas contratações de policiais civis e retirada de presos das delegacias.

Qual o momento mais difícil você passou na carreira policial?
O momento mais difícil foi em 2004, após a perda de um familiar querido, voltar ao ritmo normal de trabalho.

Poderia deixar uma mensagem aos colegas policias que estão ingressando agora na instituição?

Como é gratificante contribuir como policial na solução de um crime de latrocínio, homicídio, roubo, ou qualquer outro ilícito, restituir à vítima um simples aparelho celular a um automóvel, de atender com urbanidade e servir as pessoas que nos procuram.
É uma honra ser policial, amem a instituição policial em que trabalha.


10/11/2014

Entrevista com o Escrivão Chefe da 16° SDP de Campo Mourão, Devanildo Parma

Parama

 

Fale um pouco sobre você (formação, onde nasceu).

Devanildo Parma Bassi, policial há vinte e quatro anos, filho de Mário Bassi e Apparecida Parma Bassi, casado com Roseli Moraes Bassi, pai de quatro filhos, natural de Peabiru/PR e residente em Campo Mourão/PR há 40 anos (desde 1.974), graduado no Curso de Comércio Exterior, foi Policial Militar por onze anos.

Na Polícia Militar participou de várias operações a nível estadual, dentre elas “OPERAÇÃO SEM TERRAS” (que eram frequentes no Estado), cumprindo reintegração de posses de áreas rurais e “OPERAÇÃO FRONTEIRA” (também corriqueiras), visando coibir o tráfico de drogas e armas nas fronteiras do Estado.

No ano de 2.000, desligou-se da Polícia Militar para ingressar na Polícia Civil deste Estado, pois havia sido habilitado em 1.998 em concurso público, para o cargo de Escrivão de Polícia Civil e em março de 2.003 assumiu as funções de Escrivão Chefe da 16ª SDP.


ALGUNS CURSOS NA ÁREA POLICIAL:

1-1989/90 - Curso de formação de soldados do 11º BPM de Campo Mourão/PR;
2-1997 - Curso de Repressão e prevenção a drogas, ministrado pelo COREN, da Secretaria de Justiça do Paraná;
3-1998 - Curso de Primeiros Socorros;
4- 1998 - Curso de Espanhol Avançado (Módulos 1, 2 e 3);
5-1999 – Curso de Formação de Cabos/PM na Academia Policial Militar do Guatupê, em São José dos Pinhais/PR;
6 -2002 - Curso de Escrivão na Escola Superior de Polícia Civil em Curitiba/PR;
7-2002 – Conceitos e Utilização Prática (Funções Gerais) – SISP (Sistema Integrado de Polícia Civil);
8- 2004 - Curso sobre o uso da espingarda calibre .12, em situações de risco, ministrado pelo DEPARTAMENTO DE ARMAS e MUNIÇÕES DA POLÍCIA CIVIL (DEAM);
9- 2007 – Violência, Criminalidade e Prevenção, da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP);
10-2009 - Curso de Geoprocessamento e Estatística Policial, ministrado pela Escola Superior de Polícia Civil (ESPC);
11 – 2011 – Curso sobre o Funcionamento dos Núcleos de Planejamento, Administração e Execução e o Planejamento de Licitações (ESPC);
12- 2012 - Curso de Aperfeiçoamento no Uso de Sistemas Informatizados da Polícia Civil(ESPC);
13 – 2014 - Certificado de participação no 3º Congresso de Polícia Judiciária, realizado na Faculdade OPET de Curitiba/PR;
14 – Mais 23 Cursos de capacitação constante e contínua (on line e presencial) por diversas entidades, dentre elas Escola de Governo do Paraná, Divisão Policial do Interior (DPI), Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), Serviço Nacional da Indústria (SENAI), Instituto Legislativo Brasileiro (ILB), Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça.


TÍTULOS RECEBIDOS:

-Medalha de Bronze da Polícia Militar (2.000)
-Medalha de Bronze da Polícia Civil (2.012);
-Título de Cidadão Honorário da cidade de Campo Mourão/PR, conferido no ano de 2.012;

Há quanto tempo está como escrivão chefe desta SDP?

Onze anos e oito meses.

Qual a é a maior responsabilidade deste cargo?

Fazer com que os trabalhos de cartório fluam normalmente, causando consequentemente resultados positivos, que enalteçam ainda mais o nome da entidade.

Se arrepende em algum momento de ter entrado na polícia?
Não. Ao ingressar na Polícia Militar realizei um sonho, complementado com o ingresso na carreira de escrivão.

Se não fosse escrivão qual profissão gostaria de seguir?

Nunca pensei em exercer outra profissão, que não fosse na área policial. Se não fosse escrivão, com certeza seria policial em outra corporação.

O que você melhoraria no seu dia a dia de trabalho que pudesse contribuir para instituição como um todo?
A Polícia Civil está passando por mudanças, com esta atual administração, que eu ainda não tinha visto na entidade. Muitas expectativas do passado estão se concretizando e isto já supre muitas necessidades que tínhamos. As condições para o bom desenvolvimento dos trabalho estão sendo disponibilizadas e tenho certeza que ocorrerão outras melhorias. Os profissionais estão sendo qualificados constantemente. O que eu melhoraria, e nós estamos fazendo isto na 16ª SDP, é não deixar tudo para os administradores, termos atitudes que complementem as instruções que nos são repassadas, colocarmos em prática o que apreendemos nos cursos ministrados, cumprindo e aplicando assim a metodologia de trabalho em grupo.

Tomaria alguma atitude diferente nestes anos de profissão?

Não. Procurei todos estes anos me empenhar e as coisas vão acontecendo em nossas vidas. Tive muitos resultados bons no trabalho, que influenciaram e influenciam positivamente, diretamente também na minha vida particular, por isso entendo que trilhei o caminho a ser seguido.

Na sua opinião, quais as maiores dificuldades enfrentadas no dia a dia de um escrivão?

No passado, a gritante falta de efetivo, pois coordenar trabalhos de cartório e ainda ter que atender as delegacias subordinadas, com pouquíssimo efetivo, era muito difícil. Na atualidade a situação mudou, com o ingresso de novos profissionais e estruturação das delegacias e as dificuldades hoje, entendo, são somente as rotineiras, como manter organizado os cartórios e desenvolver as tarefas atinentes ao cargo, em si.

Qual o momento mais difícil você passou na carreira policial?
Com certeza, a fase de transição da Polícia Militar para a Polícia Civil. Demorei um tempo para me adaptar.

Poderia deixar uma mensagem aos colegas policias que estão ingressando agora na instituição?
Eu ingressei na área policial com dezoito anos de idade, com a intenção de não permanecer por muito tempo. Apaixonei-me pela “polícia” e não consegui mais sair. Os concursos que prestei desde que sou policial, sempre foram na mesma área, e aqui fui e sou muito feliz. Aos que estão ingressando, sugiro que tudo que façam na corporação, desde a mais simples tarefa, o façam com muito amor, pois um simples atendimento, para nós, às vezes, é só mais uma situação de serviço, mas para quem está do outro lado, que talvez, nunca entrou em uma delegacia, e que pode estar num momento horrível de sua vida, tem muito valor. Atendam todos, sem distinção. Trabalhem em todos os procedimentos, com igualdade. Estes simples gestos lhes trarão satisfação, que os manterão sempre motivados. Valorizem o que conseguiram e não desmereçam em momento algum a instituição, pois tem muita gente aí fora querendo ter a insígnia que usamos e por um motivo ou outro, não conquistaram esse direito.



19/09/2014

Entrevista com a Escrivã Chefe da 15° SDP de Cascavel, Ionara Soraya Pereira Slomp

ionara


Onde você nasceu?

Em medianeira Pr

Há quanto tempo está na Polícia Civil e há quanto tempo como escrivã chefe em Cascavel?
Na polícia civil a 14 anos, pela segunda vez como escrivã chefe, totalizando 4 (quatro) anos.

Qual a é a maior responsabilidade em ser escrivã chefe?
Falta de estrutura física, acúmulo de serviço para os escrivães, cumulado com a falta de efetivo, servidores.

Você trabalhou em outras áreas além da policial?
Sim, como bancária e auxiliar financeira.

Se não fosse escrivã em que área você gostaria de trabalhar hoje?

Veterinária.

O que você melhoraria na instituição para melhorar o dia a dia de trabalho?

Melhoras desde estrutura física, tecnológica, aumento do efetivo, principalmente escrivães, capacitação de funcionários, aumento de vagas de estágio, disponibilização de viaturas descaracterizadas para serviços diários no fórum, entrega de ofícios e afins.

Se pudesse, o que faria diferente nestes anos de profissão?

Não vislumbro nenhuma estratégia diferente que pudesse melhorar de maneira significativa o desempenho das atividades do escrivão.

Quais as maiores dificuldades enfrentadas no dia a dia? E o que você faz para contorná-las?
Diversas dificuldades são enfrentadas diariamente, conforme mencionado nas respostas anteriores, e infelizmente diminuem a qualidade do trabalho, que poderia ser melhor desempenhado, mas que ainda assim é desenvolvidos com afinco por todos.

Qual a relação do escrivão com a comunidade?
Relação diretas de atendimento, visando prestar esclarecimentos sobre procedimentos investigativos, viabilizando inclusive o acesso à justiça, principalmente com relação às vítimas.

Qual mensagem você deixa aos escrivães e a todos os policiais civis que estão ingressando agora na instituição?
Que sejam determinados e nunca poupem esforços para o bom desempenho da atividade policial, pois, em que pese a grande demanda de trabalho, todo escrivão contribui consideravelmente para melhorar a sociedade e proporcionar justiça a tantas vítimas.



11/09/2014

Entrevista com o Escrivão Chefe da 7° SDP de Umuarama, Orlando José de Oliveira

orlando

Obrigado ao Dr Rogério e toda sua equipe!!!


Há quanto tempo está como escrivão chefe da SDP de Umuarama?
Assumi a chefia de cartório em março/2005. Em 2013 executei outros trabalhos e retornei ao cartório central em junho/2014.

Na sua opinião, qual é a maior responsabilidade em exercer este cargo?
Manter a dinâmica cartorária da delegacia funcionando na medida do possível, orientando e motivando os escrivães.

Se arrepende em algum momento de ter prestado concurso para escrivão?
Fiz o concurso há mais de vinte anos e sempre gostei deste trabalho.

Se não fosse escrivão o que gostaria de fazer?
Atuar na polícia científica.

Se fosse possível o que você mudaria na instituição?

Ao longo da carreira vivenciei várias mudanças e melhorias, mas o escrivão ainda é o que mais trabalha no inquérito policial, penso que deveria existir também a carreira de auxiliar de cartório.

Faria algo de diferente nestes anos de profissão?
Mais estudos e atuação na área operacional.

Pode citar alguma dificuldade enfrentada no dia a dia de trabalho?

Aumento nas apreensões, principalmente de veículos, e, a estrutura existente não comporta tal demanda.

Qual o momento mais gratificante que você teve nos anos de carreira policial?
O reconhecimento pelo trabalho efetuado, já ouvi muitas considerações positivas por parte de Delegados, Investigadores, Peritos, Juízes, Promotores de Justiça, Policiais Militares, Advogados, pessoas de outros segmentos e inúmeras outras.


Que mudanças você sentiu no ambiente de trabalho após o Curso de Capacitação Continuada?
Houve melhoria no atendimento e no trabalho policial como um todo, mais dedicação e profissionalismo dos policiais, os quais aumentaram o interesse nos estudos e na própria Instituição.

Poderia deixar uma mensagem aos colegas policiais que estão ingressando agora na instituição?
Evitar comodismos impostos pela rotina; manter organização no trabalho com responsabilidade; atualização e preparação constante da vida profissional.


Entrevista com a Escrivã Chefe da 13ª SDP de Ponta Grossa, Rubia Nara Diniz Ribeiro

rubia


Quando decidiu ingressar na Segurança Pública qual foi a opinião de sua família?
Recebi todo o apoio da minha família, tanto durante a preparação na fase de estudos do concurso, como na escola de polícia.

Quais são suas atividades como Escrivã Chefe de Polícia?
Coordenação das atividades cartorárias e apoio meus colegas escrivães, elaboração de escalas de plantão, distribuição de procedimentos, auxílio ao delegado chefe e aos demais delegados da subdivisão e demais atividades de escrivania.

Qual é a satisfação pessoal em exercer um cargo tão importante para a Polícia Civil?
Tenho satisfação de exercer meu trabalho com retidão e comprometimento, sinto-me integrada a minha equipe com a qual partilho muito de minha vida.

Alguns escrivães se dizem sobrecarregados pelo excesso de trabalho nas delegacias, qual sua sugestão para que tais condições sejam otimizadas?
Diversas ações foram tomadas e percebo o interesse das chefias pela melhoria contínua, o trabalho sempre pode ser otimizado com a ação em equipe, a melhoria dos equipamentos e as ferramentas tecnológicas farão gradativamente com que o trabalho seja realizado de maneira mais eficaz.

Como está a qualidade do Inquérito Policial? O que poderia ser feito para melhorá-lo?

O sistema de atividades cartorárias foi um marco positivo para a qualidade do Inquérito Policial e sua melhoria gradativa é evidente, um outro avanço significativo no meu entendimento é a proposta de integração com o Poder Judiciário, quando isso ocorrer será realmente mais ágil e contribuirá substancialmente para a economia processual e rapidez na conclusão dos procedimentos. 

Existe alguma história marcante em sua carreira que possa nos contar?

Diariamente estamos a serviço da população e isto é gratificante, apenas posso destacar que todas as ações envolvendo atendimento a idosos e crianças são especialmente recompensadoras.

Como você avalia as críticas negativas que a Polícia recebe da população e da imprensa?
Entendo que a imprensa como órgão livre atua onde há repercussão, muitas vezes com críticas, assim como a população,  a polícia como servidora da população deve avaliar as críticas e racionalmente realizar mudanças que julgar necessárias.

Você acha que a polícia de hoje está mais preparada que de antigamente?

A Polícia evoluiu visivelmente, em recursos humanos e também na estrutura, isto pode-se verificar nas novas viaturas muito melhores para a eficiência das investigações, atividades rotineiras e ações policiais, os materiais de informática, as reformas nos prédios, bem como o aumento do efetivo com a contratação de novos policiais.

O que pensa sobre o exercício da liderança e os cargos de chefia?
A liderança é uma capacidade a ser desenvolvida com esforço diário, quanto aos cargos de chefia quando revestidos de liderança tornam o ambiente de trabalho mais harmonioso pois servidores passam de apenas funcionários a reais colaboradores.

Poderia deixar uma mensagem aos Policiais Civis do Paraná?
Servir e proteger, nosso dever diário que não deve ser esquecido.






Entrevista com o Escrivão Chefe da 11ª SDP de Cornélio Procópio, Marcio Antonio Ferreira

escrivão marcio

Há quanto tempo está na Polícia Civil? E no cargo de escrivão chefe?
Há quatorze anos, e como escrivão chefe da Subdivisão 5 anos. 

Qual era seu emprego anterior e o que o motivou a seguir a carreira de escrivão?
Sempre trabalhei na área administrativa, porém, o que mais me atraiu quando assumi a vaga de escrivão foi que cada dia é uma rotina diferente, pode haver dois crimes iguais, mas, cada um será tratado de maneira diferente. 

Você cursou Direito já pensando na carreira dentro da Polícia Civil ou tinha outros planos?
Quando entrei para a polícia civil já havia concluído o curso de Administração de Empresas,
quanto ao curso de Direito cursei primeiro para conhecimento na área e também pensando
em futuros concursos.

Quais suas expectativas futuras na Instituição?
Atualmente a instituição conta com o efetivo reduzido o que vem dificultando o trabalho e sobrecarregando todos, espero que logo seja aberto novos concursos e que sejam contratados aqueles que já foram aprovados. E que sejam ofertados constantes cursos de capacitação e atualização a todos os funcionários.

Qual decisão mais difícil teve que tomar em todos estes anos de profissão?
Foi comunicar a morte de uma vitima de acidente de trânsito aos familiares. 

Qual foi o momento mais feliz da sua carreira?
Ter o trabalho reconhecido pelo público. Um simples obrigado que o policial recebe da vítima é uma forma de saber que ele desenvolveu o trabalho de forma comprometida com a sociedade e com a instituição.

Em que momento da sua carreira você se sentiu mais pressionado? Qual foi o aprendizado que tirou desta situação?

Não consigo lembrar de um caso específico, mas, todo dia nós deparamos com novos problemas e com a experiência adquirida procuro, ou a equipe procura resolver a situação.

O que você faria de diferente nestes 14 anos?
Com certeza faria mais cursos e especialização na área de segurança.

Como você lida com as responsabilidades e pressões do dia dia ?
Todos que procuram uma delegacia querem respostas imediatas, por isso tento organizar o serviço do dia e da semana para não ter acúmulo de serviço que possam prejudicar o trabalho do dia.

O que você mudaria dentro da Instituição para melhorar o trabalho nas delegacias?
Nos últimos anos o departamento investiu muito na  aŕea de informática, com certeza solicitaria a criação de novos programas para controle, coleta de dados e avaliações, sem esquecer da valorização do servidor, o departamento deveria criar cursos, semanas
de extensão, palestras, de atualização mensal e anual para todas as áreas da Segurança, e nos finais de ano discutir as metas alcançadas e propor novos programas para o ano seguinte.    



 

Entrevista com a Escrivã Chefe da 10ª SDP de Londrina, Inez Maria Rezende

Inez


Nascida em uma pequena cidade de Minas Gerais, Inez mora em Londrina há 25 anos. Casada, com dois filhos, é formada em Direito e Letras, ambos pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Antes de se tornar escrivã, exerceu a função de docente na rede estadual de ensino.


Há quanto tempo está na Polícia Civil? E no cargo de Escrivão Chefe?
Estou na polícia civil desde o ano de 2004 e em 2009 fui convidada, pelo então Delegado-Chefe, para assumir a atual atribuição.


O que te motivou a escolher a carreira de Escrivão de Polícia?
Sempre quis ser policial e a função de escrivão tem tudo a ver com minha personalidade e com minha história de vida; enfim, é de fato o meu perfil.


Qual é a satisfação pessoal em exercer um cargo tão importante para a Polícia Civil?
Ser referência dentro de uma Instituição de tamanha importância e fazer parte de uma equipe tão comprometida com a população e com o serviço público, é de fato uma realização profissional. Tenho consciência que, mesmo sendo um grão de areia, posso fazer a diferença na companhia dos demais que possuem o mesmo ideal, contribuir da melhor forma possível com a sociedade e na busca por justiça.


O que pensa sobre o exercício da liderança e os cargos de chefia?
Ambos os conceitos expressam responsabilidade, quer seja para a organização, como para os funcionários, que devem ser pensados como são: colegas de profissão, uma equipe trabalhando para atingir um objetivo comum. Lembrando que o chefe deve estabelecer estratégias visando a melhoria do cotidiano profissional e que ele tem o poder de decisões, as quais podem provocar reações positivas, instituir união e resolver conflitos.


A grande maioria dos cargos de chefia na Polícia Civil são ocupados por homens, a que você atribui esse fato? Acha que as mulheres poderiam proporcionar uma nova visão à instituição?
Creio que é a ordem natural estabelecida por uma História regida por normas preponderantemente masculinas. As mulheres vêm, de forma gradativa, ocupando espaços em todos os níveis da sociedade; fato este que não é diferente na Polícia Civil. As características pessoais, aliadas a afinidades diversas, são motivos mais que suficientes para que as mulheres policiais agreguem cargos de liderança, e a partir dai, implantar novas filosofias de trabalho.


Em vários segmentos as mulheres ainda sofrem discriminação no ambiente de trabalho, você acha que na Polícia Civil é diferente? Por quê?

Não digo discriminação, mas uma limitação natural que se impõe, notadamente a física. Diante disso, entendo que a participação feminina nos trabalhos e projetos da Polícia, não deve ser ignorada, mas, ao contrário, incentivada. A colaboração entre os gêneros devem se acentuar, pois já existe.


Alguns escrivães se dizem sobrecarregados pelo excesso de trabalho nas delegacias, qual sua sugestão para que tais condições sejam otimizadas?
Para o escrivão, organização é tudo, é a “viga mestre” de seu trabalho. Este é o meio de se localizar entre os papéis, em face da maciça burocracia. É bom acentuar que a Polícia Civil está convergindo de maneira satisfatória para a automatização o seu processo de trabalho, o qual irá redundar na otimização do atendimento cada vez melhor para o cidadão. Enfim o grande “plus” é saber aproveitar e buscar tudo que informatização pode oferecer.


A Sra que foi professora e trabalhou com adolescentes antes de se tornar Escrivã atribui a que o aumento da criminalidade entre eles?
Acredito que são vários os fatores. Entretanto, destaco entre os principais, a desestruturação da família e a falta de ocupação para os jovens. A criança /adolescente é um papel em branco e, portanto, facilmente influenciado pelos indivíduos de sua convivência. É neste sentido, instituindo valores por meio de uma presença familiar com bons princípios é que fará toda a diferença na formação do cidadão. Em conjunto com a família, a promoção de políticas públicas com ocupação dos jovens em atividades educativas, esportivas e laborais, com visão de futuro, fará um povo melhor, com menos criminalidade, visto que são eles o futuro do país.


Qual conselho daria para quem pensa em seguir a carreira de Escrivão de Polícia?
Que ser escrivão, é uma carreira “apaixonante”, ter em mente que vai fazer parte de uma equipe que terá a nobre função de promover a justiça. Saber que vai lidar com vidas e destinos, com as dinâmicas de atendimento ao público, que a base desta carreira são as atribuições de diligências realizadas pelo escrivão em seu cartório os quais, bem realizados, concluirá, certamente, com um trabalho cada dia mais gratificante. Que é preciso estudar e ter comprometimento com o trabalho, pois um bom profissional será muito bem-vindo e acrescentará tanto para a Instituição quanto para o bem da população.

 


 

Entrevista com Wilmar Guilherme de Oliveira Gomes, Escrivão Chefe da 9ª SDP de Maringá


Guilherme



Nasci em Apucarana/PR aos 07/07/1975, morei em Londrina/PR e depois em Juiz de Fora/MG. Em 1983 voltei ao Paraná, passando a morar na cidade de Cruzeiro do Oeste/PR, local onde estudei até completar o segundo grau. Em 1994 mudei para Maringá/PR para cursar Administração de Empresas (UEM), curso que concluí no ano de 1998, depois trabalhei como representante comercial na Bahia, em 2000 voltei para Maringá e trabalhei com vendas de caminhões Volkswagen e seguro para caminhões, no ano de 2003 iniciei o curso de Ciências Econômicas (UEM) e no ano de 2005 o tranquei para frequentar o curso de formação de Escrivães da Escola Superior de Policia Civil do Paraná, em Curitiba/PR, não retomando o referido curso. Atualmente curso Direito (Faculdade Maringá).


Há quanto tempo está na Polícia Civil? E no cargo de Escrivão Chefe?
Entrei para o quadro de Escrivães da Policia Civil do Paraná no dia 21/09/2004 e estou desempenhando a função de Escrivão do Cartório chefe da 9ª SDP desde novembro de 2013.


O que te motivou a entrar para Polícia e escolher a carreira de Escrivão?
Desejava passar em um concurso público e quando surgiu o da Polícia Civil fiz minha inscrição. Não sabia muito sobre como o trabalho era desenvolvido e ainda com poucas informações escolhi o cargo de Escrivão, com o qual mais me identifiquei devido a gostar da lida com papeis. Nunca me arrependi de tal escolha.


Como tem sido exercer o cargo de Escrivão Chefe? Que tipo de responsabilidade o cargo implica?
É uma nova e grande experiência. Estou gostando muito, novos desafios, novos aprendizados. O desempenho da função de Escrivão do Cartório Chefe requer grande responsabilidade, muitas informações lhes são direcionadas, de diversas formas, e devem ser redirecionas para o destino certo com rapidez, para que então o receptor possa dar andamento aos trabalhos.


Você acha que sua formação em Administração contribui de que forma para a Polícia Civil de Maringá?
Os resultados apresentados por uma empresa dependem de cada departamento, cada setor, cada pessoa que a ela pertença; esta compreensão é fruto da formação em Administração, entender que somos uma célula que influencia no resultado do todo complexo.
É esta visão que tento expandir, fazendo com que o cartório chefe (minha célula) esteja sempre pronto a atender as pessoas que o procuram, buscando apresentar o melhor resultado possível para que o resultado do todo (Policia Civil do Paraná) também seja o melhor possível.


O que te motivou a fazer o curso de Direito? Qual importância você atribui ao curso para a Polícia Judiciária?
Aprender mais sobre o meu meio, entender melhor o meu trabalho e oferecer melhores resultados aos que me rodeiam. O curso de Direito é de total importância para a Polícia Judiciária, é uma fonte para o entendimento da realização e organização do trabalho da policia judiciária.


O que você acredita que falta para a delegacia de polícia ser um centro de promoção da cidadania? O que você tem feito para transformá-la?

A delegacia é um local de promoção da cidadania, devemos compreender a importância de nossa contribuição nesse processo e buscarmos agir de uma maneira correta e coerente para que os resultados sejam maximizados. Faltas existem, as condições para a promoção da cidadania devem ser melhoradas, estruturas reformuladas, mais recursos humanos disponibilizados, integração entre os policiais devem ocorrer, tudo para que se possa melhorar a prestação de serviço visando o beneficio da população.
Procuro entender meu papel no processo de promoção da cidadania em que a delegacia está inserida e busco fazer com que minhas ações possibilitem esta promoção junto a cada pessoa que necessita de meus serviços.


Como você avalia o curso da capacitação ministrado pela DPI? Notou alguma mudança entre os policiais?
O curso de capacitação ministrado pela DPI é importantíssimo, é um caminho valioso na busca da melhoria, da promoção da cidadania, possibilita o entendimento a todos os policiais sobre os rumos a serem seguidos e a importância da ação de cada um dentro da instituição. Mudanças proporcionadas pelo curso são visíveis entre os policiais.


Como é a relação da Polícia Civil de Maringá e a população?
Na minha visão a relação entre a Polícia Civil de Maringá e a população é muito boa e vem melhorando a cada ano.


Infelizmente é comum policiais receberem ameaças de bandidos pelos bons trabalhos realizados. Isso já aconteceu com o você ou com algum colega próximo? Existe alguma maneira de não deixar esse tipo de problema afetar os trabalhos?
Não aconteceu comigo mas já aconteceu com colegas, este tipo de problema faz parte do nosso trabalho e de alguma forma o afeta, pode acontecer com qualquer policial e o que deve-se buscar é que tais efeitos sejam, na medida do possível, controlados e amenizados.


Qual conselho daria para quem pensa em seguir a carreira de Escrivão de Polícia?
Diria que por um lado é uma carreira muito gratificante, te possibilita conhecimentos e possibilidades de ações que ajudarão a promover a justiça, por outro lado é uma carreira que apresenta grandes dificuldades para ser desenvolvida, atualmente uma das principais dificuldades é o acumulo de serviços gerado pelo falta de efetivo, o que dificulta uma prestação excelente do serviço.

 

 



O entrevistado da semana é o Escrivão Chefe da 8ª SDP de Paranavaí, Hélio Wanderley Araujo


Helio


O Escrivão de Polícia HÉLIO WANDERLEY ARAUJO, é nascido em Paranavaí, em 06/09/1970, tendo sua formação escolar e acadêmica acontecido toda em sua cidade natal. É bacharel em Administração e Letras, pela FAFIPA de Paranavaí, possuindo, ainda, especialização em Administração Pública Municipal pela UEM (Universidade Estadual de Maringá), através do sistema EAD.


Há quanto tempo está na Polícia Civil? E no cargo de Escrivão Chefe?
Fui nomeado na Polícia Civil em Outubro de 2000, exercendo a função de Escrivão Chefe desde Julho de 2009.


O que te motivou a escolher a carreira de Escrivão de Polícia?
A carreira de Escrivão de Polícia surgiu em minha vida quase que por acaso. Eu trabalhava em 1997 numa empresa revendedora de veículos em Paranavaí. Um colega da empresa chegou e me disse: “Helinho, por que você não faz o concurso da Civil, porque você é bom de bater máquina”. As palavras foram simples assim mesmo. Busquei informações a respeito desse concurso público, analisei as atribuições das carreiras que estavam sendo disponibilizadas, naquela ocasião Investigador e Escrivão. Optei então pela carreira de Escrivão de Polícia, pois constatei que tinha mais relacionamento com a minha personalidade, ou seja, o manuseio de muitos documentos e a burocracia das atribuições. Fiz a inscrição no concurso e realizei a prova inicial nas dependências da UEM (Maringá) em Fevereiro de 1998. Aprovado nessa primeira etapa, então vieram as diversas outras etapas restantes, que aconteceram em Curitiba. Esse concurso foi regionalizado, então eu concorria com os candidatos de minha região, que era a 8ª SDP Paranavaí. Ao final da última etapa, ocorrida por volta de Setembro de 1998, fui então aprovado juntamente com outros 15 colegas escrivães. Então esperamos a convocação para a nomeação, que finalmente aconteceu em Outubro de 2000.


Você já se arrependeu em algum momento da carreira que escolheu?
Não, em momento algum.


Qual sua opinião sobre o papel dos líderes e os cargos de chefia na condução de uma delegacia?
São de fundamental importância, pois são as pessoas incumbidas de incentivar os demais servidores a exercerem com mais empenho e profissionalismo as atividades cotidianas de polícia judiciária.


Enquanto especialista em gestão o que poderia ser feito em sua região para a redução da criminalidade entre os adolescentes?
Acredito que deveriam existir mais estabelecimentos de ensino com direcionamento para os cursos profissionalizantes.


Como está a qualidade do Inquérito Policial na sua Subdivisão? O que você tem feito para melhorá-lo?
A qualidade do Inquérito Policial na 8ª Subdivisão Policial de Paranavaí é muito boa, tendo recebido elogios inclusive do Ministério Público de nossa Comarca.


Como você avalia o curso da capacitação ministrado pela DPI? Já notou alguma mudança entre os policiais?
É de vital importância para o bom desempenho das atividades de polícia judiciária, pois se trata de um aprendizado que foi transmitido e que agora é aplicado dioturnamente em nossa unidade policial, ainda mais, depois que foi ministrado esse curso em nossa SDP, foi possível perceber uma padronização dos trabalhos, bem como a busca da excelência pessoal dos servidores ao exercerem suas funções.


Alguns escrivães se dizem sobrecarregados pelo excesso de trabalho nas delegacias, qual sua sugestão para que tais condições sejam otimizadas?
É notório que essa condição seria otimizada com a contratação de mais escrivães. No entanto, uma medida paliativa seria a distribuição de forma equânime dos trabalhos entre os escrivães lotados em cada unidade policial.


O que você acredita que falta para a delegacia de polícia ser um centro de promoção da cidadania? O que você tem feito para transformá-la?
Não podemos perder de vista que numa delegacia de polícia acontece a formalização dos atos que são atribuídos constitucionalmente à Polícia Civil, ou seja, o levantamento da materialidade e da autoria dos crimes cometidos na área territorial que lhe seja competente. Isto posto, quando um cidadão se dirige à nossa unidade policial para comunicar um determinado crime ocorrido e essas providências constitucionais são tomadas, então estamos contribuindo para o exercício pleno da cidadania. Pessoalmente, transformo meu ambiente de trabalho promovendo a cidadania ao atender com cordialidade e urbanidade a todos os cidadãos que nos procuram, transmitindo esse mesmo tratamento às pessoas que nos contatam por telefone e via INTERNET.


Qual conselho daria para quem pensa em seguir a carreira de Escrivão de Polícia?
Acredito que a profissão de Escrivão de Polícia exige antes de tudo que o candidato possua vocação para tal, pois se trata de uma profissão que deve ser exercida com amor. É de conhecimento popular que por amor tudo se supera. Muito embora possam ser verificadas situações de estressante e volumoso trabalho, questões salariais, falta de tempo para o exercício de demais atividades sociais, entre outros empecilhos, quando se tem em mente que a profissão foi exercida com amor, então a consciência se tranquiliza.



23/05/2014

Entrevista com o Escrivão Chefe Marcos Aurelio Lopes, da 6ª SDP de Foz do Iguaçu

 

Marcos

 

Eu nasci na cidade de Guaraniaçu/PR, em 23/04/1965. Na realidade nunca morei em Guaraniaçu, minha família morava em um distrito de Guaraniaçu, chamado de “Campo Bonito”, que atualmente é um município e eu nasci em um Hospital de Guaraniaçu. Quando adolescente morei no Paraguai, em Asunción, falo e escrevo muito bem em espanhol pois estudei lá por uns 5 anos aproximadamente. Minha formação inclui o Curso Técnico em Contabilidade (nível médio), Tecnólogo em Processamento de Dados pela Cesufoz/Foz do Iguaçu e Bacharel em Direito pela Unioeste/Foz do Iguaçu. Gosto muito de estudar e apreender, leio muito e procuro sempre estar bem informado sobre as coisas que estão acontecendo no Mundo.


Há quanto tempo está na Polícia Civil? E no cargo de Escrivão Chefe?
Eu entrei na Polícia pelo Concurso de 1998, porém somente fomos contratados em outubro de 2000. Estou no cargo de Escrivão Chefe da 6ª SDP desde setembro de 2008.


O que te motivou a escolher a carreira de Escrivão de Polícia?
Nunca antes tinha me imaginado policial, porém quando surgiu a oportunidade de fazer o concurso, eu estudei e consegui passar. Escolhi o cargo de Escrivão porque tinha mais afinidades com papeis, pois já trabalhei em Banco e Escritório de Contabilidade e por isso julguei que seria o cargo em que melhor me adaptaria. E de verdade, gosto muito de minha profissão. Hoje não consigo me imaginar fazendo outra coisa. Se não fosse policial, talvez estivesse empreendendo algo, pois tenho o espírito de empreendedor, gosto de inventar e descobrir negócios que possam vir a ser sucesso.


Quais experiências adquiridas em empregos anteriores contribuíram para sua carreira na Polícia Civil?
Como já havia citado antes, trabalhei em Escritórios e Bancos, além de ter feito um ensino médio profissionalizante como Técnico em Contabilidade e isso muito me ajudou nos primeiro anos e me ajuda até agora na minha profissão.


Qual é a satisfação pessoal em exercer um cargo tão importante para a Polícia Civil?
Eu considero meu cargo de Escrivão de suma importância também para a Sociedade, pois entendo que a maior parte da investigação policial que termina em processo criminal se deve ao bom trabalho do escrivão de polícia. Da mesma forma, se ele não fizer um bom trabalho, podemos ter um processo que não produzirá os efeitos legais a que se presta, tornando-se inóquo. Como Escrivão Chefe tenho a oportunidade de aprender muito, principalmente a gerenciar procedimentos, resolver problemas e administrar conflitos.


O que pensa sobre o exercício da liderança e os cargos de chefia?
Eu entendo que o líder é aquele de dá o exemplo. Assim, procuro incentivar meus colegas a fazer o que eu faço. Me esforço para nunca passar desânimo ou descrença, e procuro ajudá-los a ver que seus problemas não são tão difíceis de resolver, ou seja, sempre procuro uma solução com eles. Gosto muito de trabalhar onde estou porque cada dia enfrento um desafio novo, que me possibilita aprendizado e crescimento.


Como está a qualidade do Inquérito Policial na sua Subdivisão? O que você tem feito para melhorá-lo?
Nos últimos 4 anos tem melhorado a qualidade de nossos inquéritos, e muito. Nos temos realizado reuniões constantes com todos os escrivães, visando justamente melhorar o nosso atendimento ao cidadão e aprimorar a qualidade do inquérito, e quando detectamos um problema, procuramos saná-lo imediatamente.


Como você avalia o curso da capacitação ministrado pela DPI? Já notou alguma mudança entre os policiais?
Extremamente providencial, acredito que estávamos necessitando de um curso assim, que nos trouxe novo alento e motivação profissional. Tenho observado mudanças no comportamento de nossos colegas, e melhora no atendimento às pessoas.


Quais projetos a Subdivisão implantou nos últimos anos que surtiram efeitos positivos e poderiam ser estendidos as demais delegacias do Estado?
As reuniões semanais com todos os funcionários foi implementada e ao meu ver surtia muito efeito prático pois fazia todos terem uma visão única do trabalho que tinha que ser desempenhado.


O que pensa sobre a unificação das polícias civis e militares? Acredita que esse ato refletiria na diminuição da criminalidade, principalmente no que tange a região de fronteira?
Acredito ser muito difícil a unificação, e não acredito que refletiria na diminuição da criminalidade na área de fronteira.


Qual conselho daria para quem pensa em seguir a carreira de Escrivão de Polícia?
Que seja organizado em seu cartório e atencioso com as pessoas e será muito feliz na profissão de Escrivão de Polícia.

 



16/05/2014

A entrevista da semana é com a Escrivã Chefe da 5ª SDP de Pato Branco, Silvana Angélica Savi

Silvana


Natural de Pato Branco, Silvana Savi formou-se em Administração de Empresas pela FUNESP (atual UFTPR) no ano de 1989. Mãe de Bianca Savi Toledo, está há onze anos separada. Antes de ingressar na Polícia Civil, trabalhou por dez anos em diversas empresas, sempre na área administrativa, porém tinha como sonho ingressar na carreira pública.

“Meu pai (in memória), foi meu exemplo, ele era funcionário público e como ele eu queria ser, então desde cedo aos dezoito anos passei a realizar concursos públicos e no ano de 1997, fui aprovada no concurso da Polícia Civil para o cargo de Escrivão de Polícia”. 


Há quanto tempo está na Polícia Civil? E no cargo de Escrivão Chefe?
Estou há quatorze anos e seis meses no cargo, sendo treze destes como Escrivã Chefe.


A que atribui ao fato de estar tanto tempo no cargo?
Porque gosto do que faço, e a consequência de quando você faz o que gosta e se dedica o trabalho se torna prazeroso. Procuro sempre inovar os trabalhos cartorários juntamente com minha equipe de escrivães, buscando dar celeridade e eficiência na conclusão dos inquéritos e demais procedimentos cartorários.


O que te motivou a escolher a carreira de Escrivão de Polícia?

Quando me inscrevi no concurso, o que mais me motivou primeiramente foi a estabilidade e entre o cargo de investigador e escrivão, escolhi este por ser mais próximo da área da minha formação, apresentando maior afinidade com o cargo.


Qual é a satisfação em ser a primeira mulher a ocupar o cargo de Escrivão Chefe na Subdivisão?

Sinto-me orgulhosa em ser a primeira Escrivã Chefe da 5ª SDP, pois geralmente é exercido por homens.


No que um bacharel em Administração pode contribuir para a Instituição?
Tendo em vista minha formação acadêmica, utilizo meus conhecimentos na administração cartorária e orientação dos demais colegas no exercício da função.


Em vários segmentos as mulheres ainda sofrem discriminação no ambiente de trabalho, você acha que na Polícia Civil é diferente? Por quê?

Nunca me senti descriminada trabalhando na Policia Civil, muito pelo contrário eu e as demais mulheres somos muito valorizadas. Acho que a diferença é porque a mulher é mais compreensiva, mais organizada e possui um vocabulário mais vasto, com isso os trabalhos cartorárias são mais eficientes, ressaltando que não é só a força que faz um policial ser melhor.


Alguns Escrivães se dizem sobrecarregados pelo excesso de trabalho nas delegacias, qual sua sugestão para que tais condições sejam otimizadas?
Os Escrivães com certeza estão sobrecarregados pelo excesso de trabalho, minha sugestão é planejar o trabalho cartorário por prioridades e também que o escrivão realize tão somente seu trabalho, que não acumule outras funções meramente administrativas, estas deveriam ser realizadas por auxiliares administrativos.


De forma geral, as Instituições Públicas são estereotipadas pela burocracia e péssimo atendimento à população. O que pode dizer a respeito da Polícia Civil?

Na Policia Civil, infelizmente nossos trabalhos são burocratas, devido ao inquérito policial ser formal e todos os depoimentos refeitos em juízos, quanto ao atendimento ao cidadão já melhoramos, mas precisamos melhorar ainda muito e para que isso aconteça o policial deve usar da empatia.


Como está a qualidade do Inquérito Policial? O que poderia ser feito para melhorá-lo?
A qualidade do Inquérito Policial na minha Subdivisão nos últimos tempos melhorou muito, tendo em vista o nível de escolaridade dos novos Escrivães e poderia melhorar ainda mais, principalmente com a criação de um Instituto de Criminalística em nossa Subdivisão. 


Você aconselharia sua filha a seguir a carreira de escrivão ou qualquer outra da Polícia Civil? Por quê?

Eu aconselho minha filha para escolher uma profissão que ela goste do que faça. Por estar sempre em contato com a Delegacia, desde pequena ela admira muito minha profissão e provavelmente ela venha a fazer concurso público para a Polícia Civil, quando concluir seu curso acadêmico.




09/05/2014

Entrevista com a Escrivã Chefe da 4ª SDP de União da Vitória, Glaci Mance Nogara


Glaci

Nascida em Irineópolis - SC, Glaci Mance Nogara graduou-se em Ciências Contábeis pela FACE- União da Vitória no ano 2000 e em Direito pela UnC – Porto União – SC. Antes de ingressar na Polícia Civil, foi estagiária do Banco do Brasil de União da Vitória – PR.


1 – Há quanto tempo está na Polícia Civil? E no cargo de Escrivão Chefe?
Há 13 anos na Polícia Civil e há 09 meses como gestora de atividades cartorárias, expressão que prefiro utilizar em lugar de escrivã chefe.


2 – O que te motivou a escolher a carreira de Escrivão de Polícia?

A escolha da profissão de policial civil está relacionada a uma diversidade de fatos que marcaram o percurso da minha infância de modo muito singular. Meu pai (in memorian) era oficial do exército e com 08 anos eu queria ingressar no Colégio Militar em Curitiba mas não era possível porque na época era permitido apenas alunos do sexo masculino. Quando tomei conhecimento do concurso da PC vi uma oportunidade, e como sempre gostei de desafios, me inscrevi no concurso ingressando na Instituição Policia Civil em 2000, concretizando dessa forma um sonho de infância.


3 – O que mais te satisfaz em sua profissão?
A possibilidade de ajudar as pessoas que procuram a polícia civil, consequentemente me sinto realizada de forma pessoal e profissional. E ainda por não existir rotina, nenhum dia é igual ao outro.


4 – Quais os principais atributos que um Escrivão Chefe precisa ter?
São vários dentre eles:
- Saber trabalhar em equipe e buscar influenciar positivamente o grupo no qual estou inserida;
- Encontrar soluções para os variados tipos de problemas existentes;
- Ser persistente até que uma situação se resolva, suportando as adversidades e criando estratégias para sair delas.


5 – Como está a qualidade do Inquérito Policial? O que poderia ser feito para melhorá-lo?
Após a implantação do sistema de atividades cartorárias, o inquérito policial teve uma melhora significativa em sua qualidade e também com relação ao seu controle. Mas ainda existe a necessidade de maior número de recursos humanos que trabalhem diretamente com o inquérito policial, uma vez que tal atividade requer maior celeridade evitando desta forma a prescrição de crimes, bem como eventuais injustiças.


6 – O que você acredita que falta para a delegacia de polícia ser um centro de promoção da cidadania? O que você tem feito para transformá-la?
Ao longo dos últimos anos a Policia Civil vêm trabalhando efetivamente sob novas perspectivas de ação para a diminuição da violência e criminalidade, além disso, medidas de gestão e qualidade no atendimento ao público foram implementadas. É importante ressaltar que a soma desse conjunto de esforços, individuais e de equipe, têm contribuído para reverter a tradição arraigada da população em generalizar que a Polícia é ineficiente, corrupta e arbitrária. Esse é o principal passo a ser efetivado para termos uma política de excelência, demonstrando por nosso empenho e efetividade que, tais entendimentos são equivocados. Cada um de nós, tem papel fundamental na promoção da cidadania em nossas Delegacias, com dedicação e trabalho, cada vez mais seremos vistos pela população como o que realmente somos, guardiões da lei e dignos protetores da cidadania.


7 – É difícil conciliar a carreira de escrivã com a de mãe e esposa? Qual papel dá mais trabalho?

Não, é uma questão de aprender a administrar o tempo e o lar. Procuro definir atividades e momentos de convivência com meu esposo, filhas e netos. Por mais que o tempo possa não ser tão extenso, procuro viver com o máximo de “presença” e amor junto deles. Procuro utilizar o tempo livre com sabedoria para aproveitar os pequenos e maravilhosos momentos que a vida me proporciona junto da minha família.


8 – A grande maioria dos cargos de chefia na Polícia Civil são ocupados por homens, a que você atribui esse fato? O "sexo frágil" poderia proporcionar uma nova visão à instituição? Em que sentido?

Percebo que em alguns segmentos as mulheres ainda necessitam provar que são tão capazes quanto os homens de exercerem suas profissões e principalmente chegarem a cargos de lideranças. Nós mulheres, podemos sim exercer a função com alta qualidade, por vezes, somos até mais observadoras e detalhistas na atividade profissional. Não vejo nós mulheres como “sexo frágil” talvez seja esta “visão” que faz com que não seja tão oportunizado cargos de lideranças às mulheres, porém isso está mudando e acredito que em um curto espaço de tempo tal situação se reverta e tenhamos um número maior de mulheres nos cargos de chefia/liderança.


9 – Você já sofreu algum preconceito por ser mulher?
Nenhum.

10 – Qual mensagem deixa para as mulheres policiais no mês das mães?
Nós mulheres temos papel importante na sociedade e cada vez mais, alcançamos posições antes ocupadas apenas por homens. Somos esposas, mães, algumas como eu, avós, e ainda, temos o privilégio de sermos policiais, de contribuirmos com a sociedade, transpondo barreiras para alcançar nossos objetivos institucionais de assegurar justiça e cidadania para população.




30/04/2014

O entrevistado da semana é João Carlos Garbuio, Escrivão Chefe da 3ª SDP de São Mateus do Sul

João Garbuio


Nascido em São Mateus do Sul, primeiramente formado em Técnico em Contabilidade, posteriormente graduado em Administração pela FACE - União da Vitoria no ano de 1998 e no ano de 2000, pós-graduado em Gestão de Negócios e Finanças pelo INBRAPE - Londrina. Antes de ingressar na Polícia Civil, trabalhou em terceirizadas na empresa Petrobras de São Mateus do Sul.


1 – Há quanto tempo está na Polícia Civil? E no cargo de Escrivão Chefe?
Desde o ano de 2000 e como escrivão chefe desde 2003.


2 – O que te motivou a escolher a carreira de Escrivão de Polícia?
Por idealismo, ante a possibilidade de prestar meus serviços a bem da justiça.


3 – Como é o trabalho do Escrivão Chefe, quais atividades são desempenhadas no dia-a-dia?
Embora o cargo de chefia nos proporcione uma sobrecarga de atribuições, é compensador. Dentre as atividades designadas, cito o controle e distribuição dos inquéritos, controle e anotações nos livros de registros da delegacia, controle objetos, armas, drogas apreendidas, bem como ainda participo junto com os demais colegas das escalas de plantão, devido a enorme carência de elementos humanos para desempenhar tais tarefas.


4 – Por que você acha que foi escolhido para o cargo de chefia?

Acredito que foi por empenho e honestidade.


5 – O que mais te satisfaz em sua profissão?
Minha realização profissional se prende aos bons préstimos dispensados a população no sentido de tornar concreta a justiça.


6 – Você aconselharia um filho seu a seguir carreira na Polícia?

Sim. 


7 – Como está a qualidade do Inquérito Policial? O que poderia ser feito para melhorá-lo?
Devemos reconhecer que existem falhas congênitas no inquérito policial, porém, tem sido corrigidas paulatinamente, à medida em que são detectadas. Friso que cada localidade, de “per si”, tem suas peculiaridades e deficiências que podem não se dar em outras cidades, devendo cada servidor policial civil adequar-se a sua comunidade. Para melhorar a qualidade dos Inquéritos, entre outras, acho importantes ações tais como o Curso de Capacitação promovido pela DPI.


8 – O que pensa sobre a unificação das carreiras dentro da Polícia Civil?

Acho ser uma excelente ideia.


9 – Enquanto formado em Administração você tem uma visão holística sobre a instituição, que outros colegas não tem. O que poderia dizer a respeito do papel do administrador na Polícia Civil?

Muito do que tive conhecimento durante o meu curso de formação, onde as funções básicas do Administrador são planejar, organizar, dirigir e controlar, procuro aplicar nas atividades da delegacia.


10 – Em quais aspectos, positivos e negativos, a Polícia Civil poderia se comparar a uma empresa privada? O que a Instituição poderia implementar a curto e longo prazo?

Organização pública tem características próprias diferentes do setor privado, diante disto é uma situação complexa fazer comparações. No que tange a novas ações a serem tomadas, acho importante a disponibilização de melhores condições de trabalho, equipamentos, ferramentas, material humano, Vejo que o policial não necessita apenas de uma arma, uma viatura e de um computador. Necessitamos de cursos de reciclagem que nos proporcionem melhores informações, melhorias no setor de pessoal.




25/04/2014

 

Entrevista com Oscar Michelc, Escrivão Chefe da 2ª SDP de Laranjeiras do Sul

Oscar M


Nascido na cidade de Telêmaco Borba-PR, em 15.11.1967, mas criado no distrito de Entre Rios, município de Guarapuava, cursou o 2° grau no Colegio Estadual Francisco Carneiro Martins e Técnico em Contabilidade, graduou-se nos cursos de Ciências Contábeis na UNICENTRO, em 1994, e em Tecnólogo em Gestão Publica pela UTFPR, em 2011, fez pós-graduação em Gestão Pública pela UNICENTRO, em 2012, e atualmente cursa o 3° período de Direito na Faculdade Campo Real.
Casado com Rosangela Rosoha Michelc há 27 anos, tem dois filhos, sendo que um é formado em Engenharia Elétrica e a outra cursa o 3° ano de Medicina Veterinária.



1 – Há quanto tempo está na Polícia Civil? E no cargo de Escrivão Chefe?
Estou na Polícia Civil desde o ano de 2000, há 14 anos e no cargo de Escrivão Chefe da 2ª SDP de Laranjeiras do Sul desde o ano de 2004, quando então a DRP foi elevada a categoria de Subdivisão Policial.


2 – O que te motivou a entrar na Polícia?
Entrei para a Policia com 32 anos de idade, já casado e contra a vontade de minha família, devido ao conceito que havia de que na Polícia somente trabalhava bandido, tendo falado para eles que isto não era verdade e que tava na hora de mudar este conceito e também sabia que era um lugar onde poderia ajudar muitas pessoas e o desejo que tinha desde criança, pois sempre soube o significado de meu nome OSCAR que é GUERREIRO DE DEUS, e fui educado por meus pais a sempre ajudar as pessoas, quando possível.


3 –Quais as delegacias você já trabalhou? O que pode nos dizer sobre as diferenças entre elas?
Iniciei meu trabalho na 14ª SDP de Guarapuava em 2000 e em 2004 vim para Laranjeiras do Sul e a diferença foi gritante, tanto em infraestrutura, falta de pessoal, porém a diferença era que a equipe de Laranjeiras do Sul, devido a falta de pessoal, era muito mais unida.


4 – Como é o trabalho do Escrivão Chefe, quais as atividades desempenhadas?
O trabalho como Escrivão Chefe, principalmente em uma Subdivisão pequena como é Laranjeiras do Sul, exige muita dedicação e empenho, pois devido a falta de pessoal, acaba absorvendo muitas atividades que seriam desempenhadas por outras pessoas, mas acaba compensando pois você se obriga a aprender a fazer de tudo, estando pronto para encarar qualquer situação.


5 – O que pensa sobre o exercício da liderança e os cargos de chefia?
Infelizmente existe uma diferença entre exercício de liderança e cargo de chefia, pois nem sempre o chefe é líder, e quando acontece tal fato toda a equipe da Unidade Policial acaba sofrendo, pois nestes casos o chefe é autoritário e não aceita a palavra dos outros, o que em nossa atividade é um erro grave, pois não somos os donos da verdade e não sabemos tudo, é claro que em algumas situações o líder deve firmar sua posição de chefe, para que as pessoas mal intencionadas saibam a que existe uma chefia e hierarquia, mas sempre procurei me pautar em procurar a ser líder e não chefe, auxiliando a todos sempre que possível.


6 – Você já se arrependeu em algum momento da carreira que escolheu?
Com certeza em alguma vez na vida, todos já se arrependeram da carreira que escolheram, porém isto é momentâneo quando se faz o que gosta e por isto tal arrependimento nunca passou de um dia para outro, na nossa atividade não existe rotina.


7 – Você notou alguma mudança entre os policiais após o Curso de Capacitação da DPI, quais?
Após o Curso de Capacitação da DPI, houve uma grande mudança no comportamento dos servidores, que passaram a reclamar menos da vida e o atendimento ao público melhorou muito.


8 – Como está a qualidade do Inquérito Policial? O que poderia ser feito para melhorá-lo?

A qualidade do Inquérito Policial pode melhorar ainda mais se houver um entrosamento maior entre todos envolvidos, se o Investigador fizesse um estágio em cartório, quando fosse para a Rua veria com outros olhos a situação como um todo sabendo que o relatório que fará terá um impacto no Inquérito Policial, onde poderá auxiliar em muito ou atravancar o andamento dos autos.


9 – Qual é a satisfação pessoal em exercer um cargo tão importante para a Polícia Civil?
A satisfação pessoal em exercer um cargo tão importante para a Policia Civil é ver o resultado do trabalho realizado, as pessoas que pode ajudar, ouvir destas pessoas que tinham medo de vir até a Delegacia, mas que estão saindo com outra impressão do que imaginavam e satisfeitas por terem uma solução de seus problemas ou com a orientação sobre o que fazer e a quem procurar. Por outro lado vejo com tristeza de que o cargo de Escrivão de Policia não é valorizado e nem prestigiado como deveria, por serem em alguns casos, quando o Escrivão se permite a tal fato, ser tratado como um cargo inferior e que não tem importância, o que sabemos que não é verdade.


10 – Qual conselho daria para quem pensa em seguir a carreira de Escrivão de Polícia?
O conselho que dou para uma pessoa que está pensando em seguir a carreira de Escrivão de Policia é de que se você a seguir tenha certeza de que será um Policial completo, pois saberá como agir na rua, em cartório e em todas as situações, pois receberá o mesmo treinamento que os demais e desenvolverá habilidades que somente o Escrivão possui, além do fato de poder ajudar muitas pessoas.

 




17/04/2014

 

Entrevista com José Batista das Neves Filho, Escrivão Chefe da 1ª SDP de Paranaguá

José


“Sou parnanguara e gosto muito de minha cidade e da sua gente.”


Formado em Ciências e Matemática pela Faculdade Estadual de Filosofia Ciências e Letras de Paranaguá, José, antes de se tornar Escrivão de Polícia, trabalhou em diversas empresas de diversos ramos de negócio, entre elas COPEL (economia mista no ramo eletricitário), SAVEIROS CAMUYRANO (serviços marítimos), ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO PARANÁ (assessoria de deputado estadual), PREFEITURA MUNICIPAL DE PARANAGUÁ (diretor da secretaria de desenvolvimento econômico) e FEM (fábrica de estruturas – subsidiária da CSN – companhia siderúrgica nacional). Além de Paranaguá, já residiu nas cidades de Terra Roxa do Oeste, Mallet e União da Vitória.

Há quanto tempo está na Polícia Civil? E no cargo de Escrivão Chefe?
Estou na Polícia Civil há 05(cinco) anos e 07(sete) meses e no cargo de escrivão chefe há 02(dois) anos e 07(sete) meses;


O que te motivou a entrar na Polícia?
Sempre tive facilidade em escrever em máquinas de datilografia e adquiri gosto pela escrita muito cedo (ganhei um prêmio de redação quando era ainda muito menino, concorrendo com todas as escolas públicas da cidade), mas as condições financeiras fizeram com que eu cursasse matemática (era o curso mais acessível, à época, e era meu pai quem me custeava). Depois de várias experiências profissionais, tive a oportunidade de realizar o 1º.(primeiro) concurso de nível superior para escrivão de polícia civil. Confesso que não tive muito tempo para estudar, pois exercia a função de diretor na secretaria de desenvolvimento econômico da Prefeitura de Paranaguá, mas, graças a minha bagagem de estudos, tive êxito e consegui me classificar entre os aprovados.


Como é o trabalho do Escrivão Chefe, quais as atividades desempenhadas?
Ninguém consegue obter um bom resultado profissional trabalhando sozinho, ou ainda, sendo individualista. Atualmente conto com um reduzido quadro de escrivães de carreira e ad-hocs que estão comprometidos em realizar, na medida humanamente possível, um bom trabalho de formatação dos inquéritos policiais e atendimento ao público. Conseguimos, ao menos por enquanto, pôr em prática uma escala de serviços que é menos cansativa e desgastante para o escrivão e que nos possibilita contar com 02(dois) ou 03(três) escrivães durante os expedientes diários. Atualmente, além da função de escrivão chefe, exerço também o controle dos pagamentos dos fornecedores desta 1ª. SDP.


O que pensa sobre o exercício da liderança e os cargos de chefia?
Observei ao longo da minha experiência profissional, trabalhando em diversas instituições, que nem sempre o líder ocupava ou ocupa cargos de chefia. Cabe ao gestor identificar essas lideranças e potencializá-las, a fim de que, futuramente venham exercer cargos de chefia, perpetuando essas instituições.


Você já se arrependeu em algum momento da carreira que escolheu?
Arrependimento é coisa de perdedor. Vivo o presente. Já tomei muitas decisões em minha vida, umas certas, outras erradas, enfim, prefiro arriscar e seguir o meu coração e a minha intuição, do que me arrepender por não ter tomado uma decisão sequer, considerando sempre as probabilidades do meu ato.


Sobre o aumento da criminalidade entre os adolescentes e o debate sobre a redução da maioridade penal, o que pode nos dizer a respeito?
Toda a sociedade é culpada pelo aumento da criminalidade entre os adolescentes, desde os mandatários e as instituições organizadas até os próprios cidadãos. O mundo está em constante evolução e a maneira de ensinar e educar os jovens tem que ser alterada, dando mais ênfase em outras disciplinas. Penso que além da Língua Portuguesa, aulas de teatro, relações humanas, liderança, moral e ética, qualidade de vida, patriotismo e cidadania, deveriam ser obrigatórias na nova grade de ensino do novo cidadão. Isso, sem contar é lógico com aulas de informática e educação ambiental. Creio que com uma nova formatação na grade escolar e o governo, por sua vez, investindo maciçamente em educação para os jovens, acredito que se formaria um círculo virtuoso, onde até as famílias iriam se conscientizar na importância da educação familiar, base que hoje se encontra corrompida.


O que pensa sobre a unificação das polícias civis e militares? Acredita que esse ato refletiria na diminuição da criminalidade?
Como no ensino, também vejo que o modelo de segurança pública é arcaico. Não vislumbro a unificação das polícias como forma capaz de reduzir a criminalidade. Penso que tem que haver um novo pensar para a segurança pública, com gestores preocupados em formar policiais mais preparados para o combate ao crime, para o atendimento a população. Profissionais que saibam discernir o certo do errado, o justo do injusto, o lícito do ilícito, enfim, com reais condições de iniciar e dar cabo a uma investigação policial, sem cometer erros que comprometam a instituição.


O que pensa sobre a requalificação dos policiais civis, acha que é necessária, ou a acredita que a experiência adquirida ao longo dos anos é suficiente para desempenhar o trabalho?
Muitas vezes ouvi pessoas com mais de 20(vinte)anos de empresa, dizendo que tinham 20(vinte) anos de experiência, sendo que na realidade, a maioria dessas pessoas, aprendem suas atividades em um ano e repetem esse aprendizado pelos 19(dezenove) anos restantes. Não quero entrar no mérito se a capacitação do funcionário é dever da empresa ou obrigação do próprio funcionário, mas acredito que toda instituição que tenha como visão e missão manter-se sempre atualizada e primar pela qualidade do seu trabalho e atendimento DEVERÁ constantemente criar novos cursos de capacitação para seus colaboradores. Em suma, a capacitação tem que ser contínua. No que tange ao curso realizado pela DPI nas sedes de subdivisões acredito que é um primeiro passo (e muito importante) para que a maiorias dos policiais não fique condicionados somente ao treinamento de formação realizado na ESPC.


Após o Curso de Capacitação Continuada ministrado pela DPI você notou alguma mudança entre os policiais da 1ª SDP de Paranaguá?

Muitas categorias que hoje realizam greves não buscam somente melhorias salariais. Percebo que muitas classes brigam por melhores condições de trabalho. Com a iniciativa da DPI, buscou-se aprimorar a capacitação de seus colabores e ainda encontrar, através de atitudes, como melhorar o nosso próprio ambiente de trabalho, seja com novas ideias ou hábitos positivos.
Às vezes você observa a mudança não pelos policiais, mas pela reação das pessoas que estão sendo atendidas. Cito como exemplo um cidadão que veio a 1ª. SDP e disse que, enquanto ficou na recepção aguardando ser chamado, notou que a Delegacia estava diferente, que o ar não estava tão carregado como em outras vezes que estivera naquele recinto, que os policiais estavam mais acessíveis e receptíveis.


Qual conselho daria para quem pensa em seguir a carreira de Escrivão de Polícia?

A palavra conselho é muito forte, prefiro usar o termo recomendação. Quando ouço falar em CARREIRA logo a associo a palavra VOCAÇÃO. Sou seguidor daquela frase de CONFÚCIO que diz: “Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida”, ou seja, se encontrar a sua vocação para um trabalho, o realizará, na maiorias das vezes com muito ânimo. Digo maioria das vezes porque não sou adepto de POLIANA, aquela menina que achava que tudo estava maravilhoso. Tenho plena consciência que atualmente a Polícia Civil não exerce boa gestão na distribuição de policiais (escrivães, investigadores, delegados e papiloscopistas), pois vejo alguns setores com funcionários com pouca atividade laborativa e enquanto em outros setores ou delegacias, há funcionários sobrecarregados de atividades.





14/03/2014

 

Entrevista com o Delegado de Francisco Beltrão: David Ricardo de Andrade Passerino

 

DrDavi


Nascido em 26 de Julho de 1966, natural de Maringá, estudou em escola evangélica, colégios maristas, Positivo e Dom Bosco. Na infância, morou nas cidades de Cianorte, Londrina e Maringá, mudando para Curitiba no final de 1980. Cursou Direito na Universidade Federal do Paraná, concluindo-o em 1990. Depois de formado, passou no 1º concurso, o de Delegado, sendo nomeado em janeiro de 1993. Antes da Polícia Civil, havia trabalhado em escritórios de advocacia e imobiliárias, pois exercia a carreira de corretor de imóveis. Quando cursava a faculdade, ainda, foi aprovado no concurso de assistente técnico da Procuradoria Geral de Justiça, onde atuou por dois anos.



1 – Há quanto tempo está na Polícia Civil? E no comando da 19ª SDP de Francisco Beltrão?

R.: Estou na Polícia Civil há 21 anos e completei 03 anos como Delegado Chefe da 19ª SDP.

 

2 – Quais as delegacias que o senhor já trabalhou? O que o senhor pode nos dizer sobre as diferenças entre elas?

R.: Trabalhei nas delegacias de Paraíso do Norte, Nova Londrina, Irati, Umuarama (como delegado operacional), Foz do Iguaçu (nos cinco distritos e Delegacia do Adolescente), Londrina (1º e 4º distritos), Palotina, Cascavel (1º distrito), Catanduvas e Francisco Beltrão. Considero que todas representaram experiências diferentes, em momentos distintos de minha vida.

 


3 – Qual o caso de maior repercussão atendido pela Polícia Civil de Francisco Beltrão no tempo em que o senhor está à frente da Subdivisão?

R.: Sem dúvida foi o caso Gilmar Reolon, indivíduo que matou seu pai, esposa, sogra, filhos e uma adolescente, no município de Enéas Marques. Os crimes aconteceram nos anos de 2009 e 2010, quando ainda não trabalhava na 19ª SDP e por dois anos ele ficou desaparecido. Quando estávamos formando uma força tarefa para capturá-lo, ele foi encontrado pelo irmão e um amigo policial militar, numa mata na área rural do município de Francisco Beltrão, no início de 2013. Foi uma boa experiência ser cobrado durante dois anos pela sua descoberta e depois poder interrogá-lo e esclarecer os fatos minuciosamente.

 


4 – Quais os crimes de maior incidência na cidade de Francisco Beltrão? O que a Polícia Civil tem feito em contrapartida?

R.: Ao analisarmos diariamente os boletins de ocorrência, percebemos que os crimes de ameaça são os mais freqüentes na cidade e para reprimi-los basta tomar as medidas legais, com a elaboração dos termos circunstanciados e encaminhamento ao Juizado Especial Criminal. No mais, considero a cidade bastante tranqüila, com pouca incidência de crimes mais graves.

 

5 – De que forma o Delegado pode contribuir para o enfrentamento das dificuldades em uma Delegacia?

R.: O Delegado deve assumir a responsabilidade de gestor, administrando todos os serviços prestados e atividades desenvolvidas pelos seus servidores, buscando sempre a eficiência e eficácia nos resultados. Deve ter capacidade de iniciativa, liderança, atitude e conduta exemplar.

 

6 – O senhor já se arrependeu em algum momento da carreira que escolheu?

R.: Nunca senti arrependimento, mas confesso que o início foi bastante difícil, pois faltava a experiência e um melhor conhecimento da realidade que iria enfrentar, numa pequena cidade do interior. Mas hoje considero que esta caminhada foi a grande lição de minha vida, onde pude absorver os melhores ensinamentos, sendo certo que esta trajetória ainda não terminou, havendo muito mais motivação hoje, do que no início. Esta sensação é o maior incentivo que tenho para continuar o trabalho.

 


7 – Existe alguma história marcante em sua carreira, que possa nos contar?

R.: Quando assumi a primeira delegacia, em Paraíso do Norte, no ano de 1993, me deparei com um prédio pequeno, dividido com policiais militares e não havia escrivão. Na época, registrávamos as ocorrências manualmente, num livro próprio. Isto é o que eu mais fazia e quase todos os dias aparecia um vereador para noticiar furtos de porcos e galinhas em sua propriedade rural, cujo autor era sempre o mesmo, um tal de “Ceará”, que os subtraía para alimentar sua família. E para completar o enredo, havia dois investigadores, que quase não apareciam por lá, que se chamavam Gilvan e Gilberto. Então, lá estava eu, um jovem delegado, numa pequena cidadezinha do interior, investigando um ladrão de galinhas, com a dupla Gilvan e Gilberto.

 


8 – Sobre o aumento da criminalidade entre os adolescentes e o debate sobre a redução da maioridade penal, o que o senhor pode dizer a respeito?

R.: Sou a favor da redução da maioridade penal, pois acredito que devemos tomar medidas drásticas e respostas rápidas para conter a criminalidade infanto-juvenil, principalmente em relação aos crimes bárbaros. Mas penso também que deve ser cumprido o que prescreve o artigo 5º da Constituição Federal, em seu inciso XLVIII: “a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado”. É um dilema, porque de um lado temos a doutrina da proteção integral aos adolescentes e de outro, a necessidade de se dar aos familiares de vítimas de crimes hediondos, uma resposta punitiva rigorosa aos infratores, e no momento, penso que esta idéia deve prevalecer.

 

9 – O que pensa sobre a unificação das polícias?

R.: Atualmente acredito que ela não é necessária, bastando apenas delimitar de forma mais expressa os limites de atribuição de cada uma, para que não haja conflitos de competência, nem usurpação de funções. Por outro lado, deve-se reforçar a integração entre elas e o intercâmbio de informações entre seus membros.

 

10 – Qual o conselho que o senhor daria para quem pensa em seguir a carreira de delegado?

R.: Agir com muito entusiasmo e determinação, buscando ser um exemplo para seus subordinados, observando que este trabalho requer boa organização, intuição, tirocínio, planejamento e dedicação permanente, podendo ser considerado como um verdadeiro sacerdócio. E que a maior gratificação que se pode receber é a de estar sempre ajudando as pessoas a resolverem seus problemas, dirimindo seus conflitos, e que a experiência adquirida, é a grande conquista que se tem, nunca se esquecendo que o respeito ao próximo deve prevalecer em todos os momentos de sua vida e em qualquer ambiente de trabalho.





07/03/2014

Entrevista com o Delegado Chefe de Telêmaco Borba: Rubens Miranda Junior


Dr Rubens


Casado, possui um filho, está com 37 anos de idade, é nascido em Porto Velho/RO, durante uma pequena estada dos pais naquele Estado (02 anos), mas desde os 06 meses de idade passou a morar em Assis Chateaubriand/PR, cidade que tem como terra natal, onde morou aproximadamente até os 20 anos. Trabalhou no comércio com o pai e estagiou em um escritório de advocacia durante os 03 últimos anos da faculdade. Cursou Direito na Universidade Paranaense, campus Umuarama, colou grau em março de 2000. Após a formatura, mudou-se para Curitiba, onde passou a advogar. Fez pós-graduação em Direito Público (Constitucional e Administrativo), cursou a Escola do Ministério Público e participou do curso de pós-graduação na ESPC.


1. Há quanto tempo o senhor está na Polícia Civil?

Eu fui aprovado no concurso para Delegado de Polícia em 2001, tendo tomado posse em abril de 2003, portanto estou há aproximadamente 11 anos na Polícia Civil.


2. Qual foi a sua motivação para entrar na Polícia?
Desde de pequeno eu convivi com Delegados, amigos de meu pai, e ficava deslumbrado com a importância dessa função para com a sociedade. Meu pai foi um dos principais incentivadores.


3. Quais as cidades que o senhor já trabalhou? Dentre elas qual que se destacou e por quê?

Iniciei minha carreira em Pérola, cumulando as Delegacias de Esperança nova, Altônia, São Jorge do Patrocínio e por vezes cumulava mais 07 cidades vizinhas, por ocasião de férias/licenças do Delegado de Iporã (que por sua vez cumulava mais 06 cidades); depois fui removido para a Subdivisão de União da Vitória, onde fiquei poucos meses; fui removido para Antonina, local em que permaneci por mais tempo em minha carreira, trabalhando por mais de 06 anos. Fui removido para a Capital, trabalhando nas Delegacias de Furtos e Roubos e na Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, também por poucos meses, sendo removido para esta 18ª SDP de Telêmaco Borba em janeiro de 2011.
Em todas as cidades que passei fiz muitos amigos, contudo, acredito que pelo tempo maior de permanência, Antonina foi a cidade mais marcante em minha carreira, mantendo até hoje muitos amigos naquela pitoresca cidade.


4. O que mais te satisfaz em sua profissão?
É o desafio diário de conseguir o reconhecimento da sociedade pelo trabalho desenvolvido pela nossa gloriosa Polícia Civil, ainda que por muitas vezes não conseguimos recuperar o bem perdido pelo cidadão, mas este reconhece que nós fizemos o possível para reavê-lo.


5. Existe alguma história marcante em sua carreira que possa nos contar?
Tive várias histórias marcantes. Acredito que a mais chocante foi uma situação, em Antonina, que atendi pessoalmente, onde os pais haviam se separado, sendo que a mãe foi residir em Curitiba com um filho menor e o pai ficou com a três filhas menores em Antonina, sendo que em ambos os casos os pais respectivamente mantinham uma relação sexual com os filhos(as). No caso de Antonina, além do pai, o tio e o avô também mantinham relação sexual com pelo menos uma das filhas (desde os sete anos de idade). Eles foram presos e condenados, sendo que o pai teve uma condenação de 70 anos de prisão.


6. Quais as infrações mais comuns atendidas pela Polícia Civil de Telêmaco Borba?
As situações mais comuns atendidas pela Polícia Civil de Telêmaco Borba são ameaças, furtos, roubos e crimes relacionados a violência doméstica. A nossa região é historicamente marcada por um alto índice de homicídios, que felizmente conseguimos finalizar 2013 com o menor índice de homicídios dos últimos anos.


7. Em sua opinião, de que forma o delegado de polícia pode contribuir para enfrentar as dificuldades encontradas atualmente em uma delegacia de Polícia?
Cada vez mais o Delegado de Polícia deve ter uma postura de gestor, antevendo os problemas e criando soluções. Como gestor, o Delegado também deve buscar constantemente a capacitação e conhecimentos aplicáveis ao setor, considerando os métodos fundamentais de administração: planejamento, direção, controle e avaliação. A liderança junto à equipe é fundamental, pois é conquistando o respeito de sua equipe que consegue o comprometimento dos servidores na labuta diária, mesmo sem dispor de todos os meios necessários.


8. Qual o caso de maior repercussão atendido pela Polícia Civil neste tempo em que o senhor está à frente da Subdivisão?
Acredito que tenha sido um homicídio de um advogado, em seu escritório situado em frente ao Fórum desta Comarca, tendo como autora a sua amante. Tivemos, também, recentemente, a morte de uma mulher (dependente de drogas) que estava grávida, sendo seu corpo queimado em um colchão.


9. Sobre o aumento da criminalidade entre os adolescentes e o debate sobre a redução da maioridade penal, o que o senhor pode dizer a respeito?

O tema é bastante emblemático e tem gerado muita discussão. O que se tem feito no Brasil é tentar resolver problemas, não se importando com as consequências desses atos. Penso que a simples redução da maioridade penal não vai resolver o problema do crescente índice de violência e criminalidade. É necessário que existam políticas públicas sérias e eficazes no sentido educar e capacitar melhor os nossos jovens, oportunizando ocupação lícita e atrativa para esse público. Em paralelo, é de suma importância a criação de políticas públicas voltadas ao combate enérgico ao tráfico de drogas, em especial ao combate ao “crack”.


10. Os crimes de homicídios e roubos têm aumentado significativamente nos últimos tempos. Existe algum tipo de ação específica para o combate a esses tipos de crimes na Subdivisão?

Em que pese a tímida equipe existente nesta SDP, foi criado um cartório específico no combate ao crime de homicídios, buscando não só a elucidação dos homicídios, como, também, um grande número de prisões dos respectivos autores, evitando assim que a impunidade gere mais homicídios. Quanto aos roubos, estamos gestionando com as lideranças locais, para que se consiga implantar um sistema moderno de monitoramento por câmeras, acreditando que esse sistema já seja implantado neste ano, ainda que parcialmente.
Além do exposto acima, constantemente a Polícia Civil tem participado de reuniões, palestras, campanhas, dentre outras medidas, visando à conscientização da população da necessidade do comprometimento de todos nesse enfrentamento à violência e à criminalidade.


11. Quais trabalhos estão sendo realizados na Subdivisão para colocar em prática o novo Plano de Gestão Estratégica e da Delegacia Cidadã?
O plano de gestão estratégica está sendo consubstanciado com a premissa de otimizar o conjunto de recursos, sejam eles de pessoas (dons, talentos, interesses e aptidões naturais), por meio de capacitação e seleção, bem como na aplicação dos meios materiais disponíveis, buscando definir:
- a missão - para que servimos, qual é nossa razão de ser;
- a visão - onde queremos chegar como instituição;
- os valores - quais são nossas premissas quanto às atitudes para alcançar nossa visão;
- a estratégia - como faremos para alcançar nossa visão e
- os desdobramentos da estratégia - as grandes ações que precisamos conduzir e que comporão a estratégia, isto é, os objetivos estratégicos.

Dentro desses objetivos estratégicos, os conceitos de Delegacia Cidadã estão sendo implantados, adotando algumas medidas como: entrada dos presos separadas da entrada do público; realização dos BOUs em guichês, não mais no balcão; instalação de televisor na sala de espera; utilização de crachás e/ou uniformes; criação de setores de atendimento especializado para crianças, adolescentes e mulheres vítimas de violência, etc.


12. O senhor poderia deixar uma mensagem aos delegados recém aprovados no último concurso?
Caros colegas, vocês estão entrando em uma das mais fascinantes profissões. Contudo, não existe profissão perfeita, sem problemas. Estamos passando por um período de transformações, e transformações para melhor. Não se deixem abater com algumas dificuldades que certamente encontrarão no início, pois acredito que essas dificuldades são passageiras, pois é perceptível os avanços e conquistas realizadas pela Polícia Civil. Contem com os Delegados mais experientes e dentro de poucos meses vocês já estarão mais confiantes nessa árdua e apaixonante missão.

 





27/02/2014

Entrevista com o Delegado Chefe da 17ª SDP: José Aparecido Jacovós


Dr Jacovos


Há 27 anos na Polícia Civil do Paraná, o Delegado José Aparecido Jacovós, já passou pelas cidades de Sarandi, Maringá, Astorga, Peabiru, Francisco Beltrão, União da Vitória, Cornélio Procópio, Campo Mourão, comandando atualmente a Subdivisão de Apucarana.

Doutor Jacovós divide conosco momentos que marcaram sua carreira e compartilha os métodos adotados para gerir a Polícia Civil de Apucarana.



1. Há quanto tempo o senhor está na Polícia Civil?

Ingressei no quadros da SESP em 1987;


2. Qual foi a sua motivação para entrar na Polícia?

Trabalhava no setor privado, em uma função que dependia de investigação; exercia a função de Auditor de estoques, foi uma das motivações;


3. Quais as cidades que o senhor já trabalhou? Dentre elas qual que se destacou e por quê?
Primeira comarca de Sarandi, onde permaneci 06 anos; Delegado Operacional em Maringá; Regional em Astorga, Peabiru, Engenheiro Beltrão; Subdivisional em União da Vitória, Cornélio Procópio, Campo Mourão e atualmente em Apucarana; em todas dei minha contribuição para a Seguranca Pública; recebi títulos de cidadão benemérito em Sarandi e Campo Mourão e mérito comunitário outorgado pela Câmara Municipal de Maringá.


4. A Subdivisão de Apucarana conta com quantos servidores?
Em tornode 25 profissionais.


5. Quais as infrações mais comuns atendidas pela Polícia Civil de Apucarana?
Furtos e Roubos e violência contra mulher.


6. Qual a análise que se pode fazer da Segurança Pública de Apucarana atualmente?

Dentro dos limites da normalidade.


7. Qual o caso de maior repercussão atendido pela Polícia Civil neste tempo em que o senhor está à frente da Subdivisão?

Assassinato e incineração do cadáver de uma vítima, menor de 17 anos que se encontrava grávida; crime cometido pelo amante e comparsa; crime inicialmente sem pistas, que foi rapidamente resolvido por minha equipe.


8. Fazendo um balanço deste tempo em que o senhor se encontra como delegado de Polícia Civil da Subdivisão, como avalia o tráfico de drogas na região?

Preocupa, mas está sob controle; principais traficantes de Apucarana estão presos; grandes quantidades de drogas apreendidas nos últimos meses, 1,5 toneladas – Denarc de Londrina atuando fortemente em Apucarana.


9. O que o senhor tem a dizer sobre o envolvimento de menores com a criminalidade. Como a Polícia Civil tem agido com relação a esses casos?
Adolescentes apreendidos em situação de flagrante, ficam detidos; Os adolescentes abusam quando nas comarcas os juízes e promotores responsáveis pelas Varas de Infância não são rigorosos, o que não é o caso de Apucarana, onde a Vara da Infância e Juventude é bastante rigorosa.


10. Existe alguma história marcante em sua carreira que possa nos contar?
Em Sarandi, no ano de 1998, em um intervalo de dois meses, duas crianças recém nascidas foram encontradas no “lixão”da cidade mortas; nos dois casos fiquei bastante emocionado ao ver as crianças mortas; conseguimos na época prender as duas mães autoras dos crimes.


11. Quais trabalhos estão sendo realizados na Subdivisão para colocar em prática o novo Plano de Gestão Estratégica e da Delegacia Cidadã?
Reuniões com os colaboradores; adequação do prédio e realizacão de cursos de capacitação.


12. O senhor poderia deixar uma mensagem aos policiais civis do Paraná?
Aos que estão chegando, saibam que ser policial civil não é emprego, é função pública; aos que já são experientes, dizer que nunca podemos dizer que sabemos tudo, devemos buscar constantemente nos aperfeiçoar, e finalmente, ter orgulho de fazer parte de uma Instituicão que muitos gostariam de pertencer.




20/02/2014

Entrevista com o Delegado Chefe da 16ª SDP: Amir Roberto Salmen


Amir


Nascido no município de Ourinhos, Estado de São Paulo, em 10 de novembro de 1968, cursou o ensino médio na Escola Shunji Nishimura de Tecnologia Agrícola, município de Pompéia/SP, entre 1984 a 1986. Posteriormente cursou a Universidade Júlio de Mesquita Filho – UNESP – município de Botucatu/SP, cursando a Faculdade de Agronomia, entre os anos de 1987 a 1991. Trabalhou como Engenheiro Agrônomo por 8 anos e nos anos de 1994 a 1998 cursou a Faculdade Estadual de Direito do Norte Pioneiro, município de Jacarezinho/PR. Trabalhou como advogado até 2003 quando então foi nomeado Delegado de Polícia no Estado do Paraná.


1. Há quanto tempo está na Polícia Civil? E no comando da 16ª SDP de Campo Mourão?

Estou na Polícia Civil desde 05 de Dezembro de 2003 e no comando da 16ª SDP de Campo Mourão desde agosto de 2013.



2. Porque resolveu se tornar um Policial? O que a família achou? Quais eram suas expectativas?

Resolvi me tornar delegado de Polícia por ideal uma vez que achava a profissão dinâmica e cheia de desafios. A família apoiou desde o início mesmo sabendo das dificuldades e risco da profissão. Quando entrei para polícia achava fascinante as operações policiais mais hoje acredito que nenhuma atividade prestadora de serviço público pode sobreviver sem gestão pública.


3. O que mais te satisfaz em sua profissão?

Prestar um serviço público de qualidade na busca de soluções para as vítimas de crimes.


4. Como é o dia-a-dia de um delegado e quais as suas principais atribuições?

Na atual posição passo a maior parte do dia na gestão da delegacia com a idealização de projetos a serem implementados na busca da capacitação continuada dos servidores e no melhor atendimento à população. As minhas principais atribuições são cumprir e fazer cumprir as normas vigentes relativas às necessidades funcionais e administrativas das unidades subordinadas. Propor medidas e providências que julgue necessárias ao melhor funcionamento operacional da Subdivisão, implementando as condições setoriais das delegacias Regionais de polícia subordinadas. Inspecionar, periodicamente, as várias unidades policiais civis operando na área da Subdivisão. Convocar Delegados de polícia para reuniões periódicas na sede da Subdivisão, além de inúmeras funções administrativas na gestão da Subdivisão além de ações policiais.


5. De que forma o senhor tem colocado em prática o projeto de Gestão Estratégica e da Delegacia Cidadã, proposto pela DPI?

Através do Plano de Gestão Estratégicas e Metas instituído na 16ª SDP de Campo Mourão conseguimos instalar um programa de ações voltadas para atendimento de qualidade, novas instalações para atender a população, capacitação e qualificação continuadas através de cursos, palestras e reuniões semanais com os servidores públicos, programa 5S nos cartórios criminais, objetivos e metas a serem alcançadas pelos escrivães e investigadores além de proporcionar um ambiente agradável e salutar no dia-a-dia da delegacia.


6. Como o senhor avalia as críticas negativas que a Polícia recebe da população e da imprensa?

Oportunidades para você crescer e apresentar soluções para os problemas enfrentados pela instituição.


7. Em sua opinião, de que forma o delegado de polícia pode contribuir para enfrentar as dificuldades encontradas atualmente em uma delegacia de Polícia?

Através de gestão pública com adoção de metodologia para avaliação da metas estabelecidas em um programa de gestão estratégica de metas e objetivos na busca de um serviço público de qualidade.


8. Sobre o aumento da criminalidade entre os adolescentes e o debate sobre a redução da maioridade penal, o que o senhor pode dizer a respeito?

Que o estado deveria implantar políticas públicas voltadas para as crianças e jovens com ações no sentido de retirá-los das ruas dando-lhes oportunidades de trabalho, lazer e educação de qualidade além de fortalecer a estrutura familiar base de qualquer sociedade desenvolvida bem como um plano nacional de controle efetivo e eficaz às drogas, principalmente do “crack”.


9. Que mensagem deixaria aos novos delegados aprovados no último concurso?

Que o mundo não é do jeito que ele é mas sim do jeito que o vemos. Não é porque temos dificuldades que nos deixaremos vencer mas devemos dar o melhor de nós não nos importando com que os outros digam. Façam o seu melhor e assim serão sempre recompensados.

 

 





04/02/2014

A entrevista da semana traz o Delegado Chefe de Cascavel: Dr. Julio Cezar dos Reis

 

Dr Julio

 

Há quanto tempo o senhor está na Polícia Civil?
O concurso publico de Delegado de Polícia a que me submeti foi em 1991, fui aprovado e passei pela ESPC em 1992, sendo nomeado em Janeiro de 1993, ou seja, estou completando 21 anos de exercício no cargo.


Qual foi a sua motivação para entrar na Polícia?

Desde a faculdade eu já nutria esse desejo de ingressar na carreira e tão logo conclui a graduação abriu um edital de concurso ao qual me submeti e fui aprovado. Penso que o exercício da atividade de Polícia Judiciária, com todas dificuldades e limitações que temos, nos remete a uma possibilidade de exercemos uma função publica fascinante que é a de coordenar investigações policiais.


Doutor, quais experiências, obtidas durante a chefia da Divisão Policial do Interior, o senhor pôde levar à administração da 15ª SDP de Cascavel?
Durante minha passagem como titular da Divisão Policial do Interior pude compreender o que a cúpula do Departamento da Polícia Civil e da Secretaria de Segurança e por que não dizer do próprio Governo do estado esperam de cada unidade policial e de cada gestor. Somente passando pela titularidade de uma forte Divisão como essa que você consegue visualizar o que os teus superiores esperam do teu trabalho e consegui trazer isso para minha administração aqui na 15a SDP.


Quais trabalhos estão sendo realizados na Subdivisão para colocar em prática o novo Plano de Gestão Estratégica e da Delegacia Cidadã?
Penso que a Polícia Civil do Paraná já vem fortemente mudando a sua feição perante a comunidade investindo em profissionais cada vez mais capacitados. Quando vejo os concursos públicos exigindo graduação superior e quando vejo um concurso para delegados com mais de quinze mil inscritos certamente já estamos admitindo profissionais que estão já prestando um atendimento com mais respeito ao cidadão. No âmbito da subdivisão de Cascavel estamos buscando adaptações nas instalações físicas visando melhorar a imagem de quem procura a nossa unidade policial, além de proporcionar um maior respeito aos próprios servidores que aqui atuam. Mais do que isso, estamos aqui atuando com metas de redução de criminalidade, monitoramento dos índices, capacitação dos servidores, melhorando a qualidade das investigações policiais e destacadamente atendendo com respeito as pessoas que procuram pelos nossos serviços.


Como o senhor avalia as críticas negativas que a Polícia recebe da população e da imprensa?
O senso critico da sociedade bem como da imprensa é importante para que estejamos sempre nos aperfeiçoando e prestando um serviço mais eficiente. Todas as instituições estão expostas a isso e talvez a polícia, porque tem uma proximidade maior com a imprensa, acaba as vezes sofrendo mais com eventuais desvios.


O senhor encontra grandes diferenças entre os trabalhos realizados pela Polícia Civil na Capital e no interior do estado?
Impossível pra mim, traçar um parâmetro de diferença entre os trabalhos na Capital e Interior, uma vez que em Curitiba atuei uma vez no COPE e depois chefiando Divisões Policiais. As funções exercidas nessas unidades são bem distintas de Delegacia de Polícia do Interior


Existe no Brasil atual uma grande discussão em torno do modelo de segurança pública ideal. Como o senhor enxerga o futuro das Polícias no Brasil e a sua atuação junto à sociedade?

Observo um crescimento visível e muitas vezes eficiente das Guardas Municipais. Imagino que num futuro as Polícias Estaduais tendem a ser unificadas, havendo segmento uniformizado para o policiamento preventivo e um grupo atuando em investigações policiais. Entretanto tais mudanças certamente ocorrerão a longo prazo, uma vez que o corporativismo das instituições policiais é muito forte no poder legislativo, tornando mais difíceis mudanças drásticas como essa. A sociedade será a grande beneficiada com uma unificação das forças policiais estaduais.


De que forma o Delegado pode contribuir para o enfrentamento das dificuldades em uma Delegacia?
Com determinação e comprometimento os Delegados tem enfrentado e vem vencendo as dificuldades diversas que encontramos nas Delegacias. Dificuldades que muitas vezes nem são de nossa verdadeira atribuição como por exemplo a custódia de presos. Vejo que Delegados se desdobram atendendo mais de uma unidade policial, face a carência de profissionais da área. Mas tal carência precisa diminuir para que possamos avançar ainda mais na qualidade dos nossos trabalhos. È impossível exigir alguma coisa de quem preside oito a dez autos de prisão em flagrante em um plantão e na tarde seguinte já está atendendo em seu gabinete.


O senhor concorda que o Paraná estará pronto, no que tange à segurança, para a realização da Copa do Mundo de Futebol em 2014?
Vejo que existe um grupo de trabalho que foi montado especificamente para isso, onde diversas reuniões já ocorreram. Sei que há uma forte participação nesse grupo da Agência de Inteligencia que foi criada em 2011. Tivemos um evento internacional muito menor é claro, mas onde a Polícia do Paraná teve uma brilhante atuação em Foz do Iguaçu que foi o X Games, ocorrido no inicio do
ano de 2013. Foi uma previa infinitamente menor mas que serviu como um teste.


O senhor poderia deixar uma mensagem aos policiais civis do Paraná?
Entendo que os policiais que estão na ativa em nossa instituição, quer seja os mais experientes assim como os recém-nomeados, vivenciam momentos de grandes transformações. Transformações não especificas em um ou outro tema, mas sim em um aperfeiçoamento na consciência dos servidores no sentido de que por aqui estamos para “servir” os nossos clientes (comunidade). Não existe mais espaço para o policial que quer se impor na truculência ou na intimidação. Nossos serviços cada vez mais precisam ser com técnicas avançadas de investigação e transparência na gestão das unidades policiais. Vejo que as entidades de classe podem exercer papel fundamental nisso. Tenho orgulho de ver os Investigadores e Escrivães lutando pelo respeito as suas atribuições, impedindo que lhes sejam exigidas tarefas que pertencem a outras instituições ou a outros servidores. Por onde passo sempre falo que temos de avançar sempre e aproveitando esse quadro funcional cada vez melhor que temos, precisamos prosseguir nesse caminho em busca de uma instituição mais respeitada pela comunidade e pelos governos.

 

 




28/12/2013

O entrevistado da semana é o Delegado Chefe de Cornélio Procópio: Alysson Henrique de Souza

Dr alysson
Natural de Siqueira Campos/PR, nascido em 08/07/1976, casado com Jaqueline Puquevis de Souza, pai de duas filhas, Gabriela e Isabela, ingressou na carreira de Delegado de Polícia no dia 07 de janeiro de 2005.


Quando ingressou na Polícia Civil o senhor obteve apoio da família?

Sim, principalmente, da minha esposa Jaqueline.


O que o senhor pode nos dizer sobre as diferenças entre as delegacias das quais já trabalhou?

Apesar de estar somente há 09 anos na Polícia Civil, foram várias as Unidades em que trabalhei. A primeiro, foi como Delegado Adjunto em São José dos Pinhais; a segunda, foi como Delegado Adjunto da Subdivisão de Cornélio Procópio; a terceira, foi em Ibaiti na 37ª D.R.P.; a quarta foi na 43ª D.R.P. de Castro; a quinta, trabalhei como Delegado Adjunto da Subdivisão de Guarapuava; e agora assumo a chefia da 11ª S.D.P. de Cornélio Procópio. Todas as Unidades têm muitas diferenças, não só quanto a estrutura física da D.P, como a vontade de trabalhar, experiência e iniciativa dos servidores policiais. Mas, com certeza, a diferença principal é em relação aos moradores das cidades porque, quase todas elas, encontram-se em regiões diferentes.


Sabemos que o senhor chegou a pouco tempo para chefiar a Subdivisão de Cornélio Procópio. Nesse curto período, o senhor já tem metas traçadas para implementar o novo Plano de Gestão Estratégica da Divisão do Interior?

Um conjunto de medidas ligadas a boa realização da função está sendo planejada com a chegada dessa nova missão. É imprescindível que o gestor tenha contato constante e direto com os seus colaboradores, e isso somente se faz com reuniões. Por isso a primeira medida é ouvir dos policiais acerca de suas dificuldades e expectativas. Após, um planejamento operacional será adotado, sempre objetivando a capacitação do policial desde o atendimento ao público até a formulação de um inquérito policial de excelência, para demonstrar à sociedade e aos representandos de outros órgãos públicos, a importância dos serviços prestados pela Polícia Civil. Também medidas de aproximação da população será alvo de nossa administração, humanizando a figura do policial como representando do poder público.


Quais as suas expectativas em relação aos trabalhos a serem desenvolvidos nesta Subdivisão?

Como já trabalhei em Cornélio Procópio entre julho de 2005 e janeiro de 2007, conheço grande parte dos policiais lotados na Subdivisão. Obviamente que, após 07 anos, muita coisa mudou, em especial, o ingresso de novos policiais. Como em qualquer lugar, a iniciativa tem que ser do Delegado. Se o gestor mostra uma organização funcional e um planejamento estratégico de combate à criminalidade, não se tem dúvidas de que o trabalho será realizado a contento, mesmo diante das dificuldades que se encontra em nossa profissão e posição.


Existe alguma história marcante em sua carreira que possa nos contar?

Sim, no ano passado ocorreu um crime muito grave em Guarapuava. Duas mulheres tentaram subtrair um bebê e colocaram fogo na residência da mãe da criança, além de terem dado marteladas na cabeça de um sobrinho desta. O sobrinho sobreviveu, mas a genitora do bebê faleceu dias depois em razão da gravidade das queimaduras em seu corpo. A criança não foi subtraída porque uma vizinha ouviu os gritos e, instintivamente, pegou da mão de uma das marginais uma bolsa, sendo que o bebê estava no interior dela. Essas mulheres conseguiram fugir. Passados alguns meses, eu estava em casa vendo o jornal Hoje e vi uma reportagem de um sequestro de criança em Santa Bárbara do Oeste/SP. Entrei em contato com a Polícia Civil daquela cidade e comuniquei que um caso parecido tinha acontecido em Guarapuava. No meu inquérito as mulheres tinham sido identificadas porque deixaram um R.G. e uma foto na bolsa em que estava o bebê, além de uma certidão de nascimento falsa. Na parte da tarde daquele dia as duas mulheres foram detidas, inclusive, estavam com uma fotocópia da certidão de nascimento que eu havia apreendido. Posteriormente, fui com uma equipe até Santa Barbara do Oeste ouvir testemunhas e depois na penitenciária de Tremembé interrogar as acusadas e cumprir os mandados de prisões que já tinha requerido antes mesmo das detenções daquelas nesse segundo fato. Foi um caso que provocou repercussão nacional.


O senhor já se arrependeu em algum momento da carreira que escolheu?

Sim, porém, momentaneamente. Passei por algumas delegacias complicadas, com falta de pessoal, problemas com carceragem, enfim, muitos problemas. Porém, consegui controlar a situação com muito trabalho e colaboração de quase todos os policiais. Surgiu um certo desanimo em razão dessas dificuldades, porém, com a superação delas, a vontade de continuar trabalhando na Polícia Civil foi bem maior.


Como o senhor avalia as críticas que a polícia recebe?

Atualmente, está se tornando costume a população reclamar dos serviços prestados pelos órgãos públicos. Em se falando de segurança pública ainda mais. Para rebater as críticas não há outra forma a não ser trabalha duro. As vezes as críticas são injustas, mas grande parte delas deve ser recebida como uma forma de observar os erros e assim tentar corrigi-los.


De que forma o Delegado pode contribuir para o enfrentamento das dificuldades em uma Delegacia? 

A condução de uma Delegacia pelo seu gestor (Delegado) reflete na atuação de seus subordinados. Se o referido é relapso, com certeza os servidores também o serão. Por isso, é importante que os Delegados tenham consciência de que devem trabalhar, e muito, para que seus colabores tenham nele uma figura a ser seguida.


O senhor poderia deixar uma mensagem aos policiais civis do Paraná?

O trabalho é árduo e o reconhecimento muitas vezes não vem. Contudo, o nosso esforço é representado na elucidação de cada crime. É nisso que nós devemos nos apegar. É a consciência de cada um que fará o julgamento do esforço desenvolvido. A colaboração de todos dará robustez e credibilidade a nossa instituição.




02/12/2013

O entrevistado da semana é o Delegado Chefe de Guarapuava: Alexandre Rorato Maciel

dr

Nascido em 28 de maior de 1973, em Foz do Iguaçu, Alexandre Rorato Maciel já trabalhou nas Delegacias de Guaraniaçu, 1º Distrito Policial de Foz do Iguaçu, GAECO de Foz do Iguaçu, Barracão, 2º Distrito Policial e Delegacia do Adolescente de Cascavel e há quatro meses é Delegado Chefe da 14ª SDP de Guarapuava.


Abaixo um pouco sobre a vida profissional do delegado:


Porque decidiu cursar a Faculdade de Direito?
Tenho um tio que é advogado em Foz do Iguaçu e aí, inicialmente, a minha ideia era, após me formar em Direito, voltar pra Foz e advogar. Colei grau na Faculdade de Direito da PUC em Curitiba em 09 de fevereiro de 1996.


O senhor tem mais algum policial na família?
Tenho um tio que é delegado de polícia federal aposentado em São Paulo.


Como surgiu a vontade de tornar-se um Delegado de Polícia?
Durante a faculdade ainda, mudei de ideia e resolvi não mais advogar depois que me formasse, mas sim fazer concurso público. Pouco tempo depois de formado, quando já estudava especificamente para concurso público, é que resolvi direcionar meus estudos para o concurso de delegado. Antes de ser aprovado aqui no Paraná, cheguei a tomar posse como delegado no Mato Grosso em 12 de março de 2001.


O senhor já se arrependeu em algum momento da carreira que escolheu?
Não, nunca. Evidentemente que na carreira de delegado de polícia há uma série de obstáculos a serem transpostos, porém em qualquer profissão eles existirão. Cada dificuldade deve ser enfrentada e vencida.


O que o senhor pode nos dizer sobre os planos para a implantação da Delegacia Cidadã na Subdivisão de Guarapuava?
Inúmeras coisas tem sido feitas, dentre as quais posso citar algumas: a) pintura nos portões e na parte interna em toda a delegacia; b) readequação e reforma do plantão, local onde são confeccionados os boletins de ocorrência, visando dar mais conforto a todos que vem à delegacia; c) reuniões periódicas com todos os servidores policiais e demais funcionários da delegacia com o objetivo de melhorar o atendimento ao público e, ao mesmo tempo, buscando maior eficiência nas investigações policiais; d) aquisição, por intermédio do Conselho Comunitário de Segurança, de aparelhagem para fazer interceptação telefônica num investimento de mais de 20 mil reais com a consequente instalação do setor de inteligência, tudo visando mais eficiência nas investigações; e) aquisição, por intermédio do Conselho Comunitário de Segurança, de uma nova cobertura para o solário da cadeia pública anexa à delegacia, visando acabar com um problema crônico que existia, consistente em arremessos de objetos, especialmente drogas e telefones celulares, para o interior da cadeia, num investimento de aproximadamente 30 mil reais.


Como o senhor avalia as críticas que a polícia recebe?
A Polícia, não raro, é alvo de muitas críticas por parte da sociedade em geral. Um dos motivos, sem dúvida, é que a Polícia está mais exposta à população e sempre se espera que a Polícia resolva tudo e da melhor forma. Visto por esse lado, são compreensíveis as críticas, porém, acredito que o melhor caminho, seja fazer um filtro nelas, verificando o que de útil pode ser extraído e implementando de fato na realidade policial. As críticas devem ser vistas com a mais absoluta serenidade e naturalidade, pois elas são comuns a todos os setores, sejam públicos ou privados. O importante, como já ressaltado, é verificar tudo aquilo que pode ser melhorado a partir das críticas.


Durante esta semana a Polícia Civil participou da Operação, em nível nacional, PC 27. Quais foram os trabalhos realizados na Subdivisão de Guarapuava?
Foram cumpridos 12 mandados de prisão, apreendidas 2 armas de fogo e lavrados dois autos de prisão em flagrante. Todas as cidades que fazem parte da subdivisão de Guarapuava participaram da operação.


O senhor já foi vítima da violência?
Não, nunca. Ainda que não sejam infalíveis, sempre procurei ter atitudes no meu dia a dia, de forma a minimizar as chances de ser vítima de alguma infração penal.


De que forma o Delegado pode contribuir para o enfrentamento das dificuldades em uma Delegacia?
Procurando estar perto de tudo que acontece nela e, de pronto, buscando soluções e nunca deixando os problemas se acumularem


O senhor poderia deixar uma mensagem aos policiais civis do Paraná?
Quero dar os parabéns a todos os policiais civis do Paraná, que não medem esforços para cumprirem seus deveres, muitas vezes indo além até do que lhes era exigido. Muitas dificuldades existem e sempre existirão, mas todos nós policiais civis, precisamos estar unidos em busca dos nossos ideais, dos nossos objetivos, pois só assim conseguiremos implementar todas as mudanças que desejamos.




25/11/2013

 

A entrevista da semana é com o Delegado Chefe de Ponta Grossa, Dr. Danilo Cesto

dr

Natural de Ponta Grossa, 48 anos, Danilo Cesto é casado e pai de três filhos: Danieli, de 20 anos, Eduardo José, de 13 anos e o caçula Lucas José, de 09 anos. Cursou Direito na Universidade Estadual de Ponta Grossa, UEPG e fez duas especializações: uma em gestão em segurança pública, pela ESPC e outra em Direito Penal e Direito Processual Penal, pela Universidade de Londrina, UEL. Sua primeira lotação foi no 2º Distrito Policial de Foz do Iguaçu, região em que passou grande parte de sua carreira. Hoje o delegado chefia a 13ª Subdivisão Policial de Ponta Grossa, desde janeiro do corrente ano.


Como surgiu o interesse em tornar-se um Delegado de Polícia?
Entrei na Polícia Civil em 1987, como escrivão de polícia e desde então, ao viver mais a Polícia Civil, despertou-me a vontade de tornar-me um Delegado de Polícia, porém, no fundo mesmo gosto da atividade de investigação policial e de poder fazer o bem, desempenhando esta função. Sempre serei grato aos meus pais pela educação que me deram e, quando resolvi entrar para a polícia civil, não se opuseram, mas passaram a apoiar quando perceberam o meu fascínio com a profissão.


O que o senhor pode nos dizer sobre as diferenças entre as delegacias das quais já trabalhou?
Já trabalhei em várias delegacias, em regiões diferentes do Paraná, tanto em unidades sedes de comarcas, como em distritos e sedes de subdivisões. Quanto aos prédios das delegacias, alguns mais antigos e precários e outros mais modernos, em especial nas sedes de subdivisões, no entanto o grande diferencial é a existência ou não de presos nas carceragens anexas às delegacias, sem dúvida alguma, o ambiente de trabalho distante dos presos é muito melhor, mais seguro, menos estressante e até mais produtivo do ponto de vista do atendimento ao público e para a própria atividade de investigação policial.


Existe alguma história marcante em sua carreira, que possa nos contar?
São várias as passagens que marcaram minha vida na polícia, em todas aprendi muito, algumas continuam anônimas, outras tiveram certo destaque, mas a elucidação de um ato infracional de homicídio ocorrido em Foz do Iguaçu, em que a vítima era uma menina me chamou a atenção e refleti muito sobre o caso, pois a chave para a elucidação da autoria foi o encontro do corpo da criança, que estava enterrado num banhado que tinha sido “vistoriado” anteriormente, de forma fraudulenta, pelo próprio autor da infração, um adolescente e, o curioso foi a maneira como algumas senhoras rezadeiras fizeram para encontrar o corpo: colocaram uma vela acesa sobre um pires e o deixaram flutuar num córrego que passava pelo local, então o pires seguiu a correnteza, porém, quando chegou próximo ao local onde o cadáver estava enterrado, atravessou para o lado da margem correta e parou, ficou rodopiando ali, justamente na direção e proximidades onde o corpo estava... após encontrado o corpo, questionamos o adolescente que disse ter vistoriado o local anteriormente e ele acabou confessando a infração e até indicou onde escondeu o material escolar da menina, que também foi encontrado no local indicado, confirmando que foi ele mesmo o autor daquele homicídio.


O senhor já se arrependeu em algum momento da carreira que escolheu?
Pelo contrário, nunca me arrependi e gosto muito do que faço, procurando melhorar cada vez mais. O grande motivador é sempre procurar fazer o bem às pessoas que necessitam da polícia, seja desempenhando de maneira correta e eficaz a nossa função, seja simplesmente dando-lhes a atenção que merecem e procurando apoiar quem precisa de nossa ajuda.


Como o senhor avalia as críticas que a polícia recebe?
Sempre analiso a crítica por quem a profere e o contexto em que ela é feita, refletindo sobre o caso e a própria crítica, pois muitas vezes as críticas nos fazem enxergar equívocos não percebidos antes, de maneira que os possamos consertar e evitar. Nesse sentido as críticas, quando fundamentadas, nos fazem crescer e melhorar, no entanto, não raras vezes a polícia é criticada por mazelas das quais não tem culpa e, nesses casos percebemos a ignorância de quem as profere, pois algumas pessoas acreditam ingenuamente que a polícia pode resolver todo e qualquer problema da sociedade. A esses, quando não estão com evidente má-fé, devemos procurar informar e conscientizar, de modo a tê-los como aliados.


O senhor já foi vítima da violência?
É claro que sim, diria até que cotidianamente quase todos nós somos vítimas de algum tipo de violência, seja na forma da cobrança de impostos aviltantes, sem a respectiva contrapartida em serviços públicos decentes, seja percebendo que muitas vezes ficamos expostos em nossas profissões devido a omissões do Estado, seja no trânsito em face de motoristas imprudentes, mas acredito que não devemos enxergar apenas o lado ruim das coisas, creio que a parte boa da vida é muito maior e melhor que a parte ruim.


De que forma o Delegado pode contribuir para o enfrentamento das dificuldades em uma Delegacia?
O Delegado não deve portar-se apenas como um mero chefe de repartição, ele deve ser um verdadeiro líder, para isso deve estar preparado e motivado para poder orientar e motivar aos demais, isso é essencial para a vitória sobre as dificuldades que enfrentamos.


Como o senhor avalia a relação entre a Polícia e os outros órgãos da segurança Pública de Ponta Grossa?
A avaliação não poderia deixar de ser EXCELENTE! Em Ponta Grossa as forças de segurança pública estão realmente muito integradas, existindo uma relação de amizade e profissionalismo ímpares, que muito tem contribuído para alcançarmos as metas definidas pela SESP. A reativação do gabinete de gestão integrada nesta gestão municipal é um fator agregador para todos os órgãos de segurança pública, inclusive com a participação da comunidade, através do conselho de segurança e outros órgãos.


Aos candidatos aprovados no último concurso de delegado, que está em fase final de seleção, o senhor tem alguma dica para o sucesso no trabalho?
Cultivem as boas amizades e boas relações profissionais, sem descuidar da família, sejam sempre éticos e estudiosos, amem o que fazem, que o sucesso será mera consequência de seus esforços.


Durante os trabalhos, o senhor já teve medo da morte? Como foi?
Antes de sair em operações policiais, sendo Cristão, sempre peço a benção de Deus, aliás faço isto desde que levanto ao amanhecer e por acreditar na proteção Divina os momentos de medo de morrer não foram tantos, mas ocorreram e sempre de maneira muito rápida, em situações de confronto, felizmente sem piores consequências.


O senhor poderia deixar uma mensagem aos policiais civis do Paraná?
Vivemos tempos de mudanças, tanto legislativas como de procedimentos. Percebo que várias atribuições da polícia civil são cobiçadas por outras instituições, que estão mobilizadas e com respaldo popular e político para conseguí-las. O momento exige união por parte de todas as carreiras e classes policiais civis, para que possamos refletir e chegar a um consenso de como enfrentar e nos adequar a esses novos tempos. Divididos somos fracos, mas unidos poderemos, cada vez mais, melhorar e transformar a Polícia Civil numa Instituição verdadeiramente essencial à segurança pública.


19/11/2013

 

A entrevista da semana traz o Delegado Chefe de Jacarezinho: Marcos Fernando da Silva Fontes

dr

Casado com a Advogada Maria Cristina Bortoletto Fontes, nascido em Dracena-SP e com dois filhos, MARCOS FERNANDO DA SILVA FONTES, reside desde criança no Estado do Paraná.


No ano de 1992 formou-se em Direito, pela tradicional Faculdade de Direito de Pelotas, órgão pertencente à Universidade Federal de Pelotas, no Estado do Rio Grande do Sul. No ano seguinte, concluiu o curso de especialização “lato sensu” em Direto, pela Escola da Magistratura do Estado do Paraná e foi aprovado no concurso público para Delegado de Polícia, tendo como sua primeira lotação, a comarca de Santo Antônio do Sudoeste, fronteira com a Argentina.


Mestre em Direito (Processo Penal) pela Universidade Paranaense (UNIPAR), lecionou em várias faculdades de Direito no oeste do Paraná, onde atualmente, é professor de pós-graduação na área de Processo Penal.


Já em 2012 concluiu curso de especialização em Gestão Estratégica da Segurança Pública, na Escola Superior da Polícia Civil.


Abaixo vamos conhecer um pouco sobre o Delegado Chefe de Jacarezinho:


Como surgiu a vontade de ser um Delegado de Polícia?
Sempre gostei da área criminal. Li e estudei muito durante a faculdade, além de procurar conhecimento sobre a profissão através de amigos. Gosto muito do que eu faço e procuro sempre fazer meus trabalhos com profissionalismo.


Existem grandes diferenças entre as delegacias que já trabalhou?
Sempre trabalhei no interior e cada região do estado tem uma característica, Além disso, trabalhar em uma especializada, onde não possui presos, não é a mesma coisa que trabalhar em uma delegacia com investigações gerais, pouco efetivo e com grande cobrança da população pela solução dos crimes.


O que o senhor pode nos dizer sobre os planos para a implantação da Delegacia Cidadã na Subdivisão de Jacarezinho?
A “Delegacia Cidadã”, em Jacarezinho, já foi implantada desde a época em que o atual chefe da DPI, chefiou a 12ª SDP. Apenas continuo o trabalho dele, agora com a participação de todos os servidores da área.


O senhor já se arrependeu em algum momento da carreira que escolheu?
Não, porém me revolto quando vejo injustiças sendo praticadas contra colegas. É lamentável como alguns policiais e a própria Polícia Civil é tratada em algumas situações, tanto pelos meios de comunicação de massa como por outras instituições.


Como o senhor avalia as críticas que a polícia recebe?
Por que somos criticados? Estamos atendendo aos anseios da população? Nossos serviços tem a qualidade que divulgamos? Essa pesquisa de satisfação do cliente deve ser realizada e a partir dela, devemos reconstruir a Polícia Civil. Acredito que o primeiro passo já foi dado, vejamos através da implantação da “Delegacia Cidadã”, dos cursos de especialização ministrados a todas as classes policiais, através da Escola Superior da Polícia Civil, o banco de permutas do Grupo de Recursos Humanos, o sistema de atividades cartorárias da Corregedoria da Polícia, as medidas de valorização do policial civil que a Delegacia Geral vem adotando e por aí vai.


Como o senhor avalia a relação entre a Polícia e os outros órgãos da segurança Pública de Jacarezinho?
A Polícia Civil em Jacarezinho historicamente é respeitada. Os servidores lotados na 12ª SDP tem orgulho ao falarem que são policiais civis, pois a comunidade os tem em alta estima. O relacionamento com o Poder Judiciário e Ministério Público é excelente, temos uma parceria incomum. O relacionamento com os demais órgãos de segurança pública é bom.


Infelizmente é comum policiais receberem ameaças de bandidos pelos bons trabalhos realizados. Isso já aconteceu com o senhor? Existe alguma maneira de não deixar esse tipo de problema afetar os trabalhos?
Sim, já aconteceu e foi desagradável. Em Terra Roxa um preso tentou me matar com um estoque e acabou sendo contido por outro detento. Mais tarde, esse cidadão foi a julgamento por esse crime, mas não sei a pena que recebeu.


Durante os trabalhos o senhor já teve medo da morte? Como foi?
Em algumas ocasiões tive receio do que poderia ocorrer. Certa vez, durante um confronto armado, em uma favela de Foz do Iguaçu, só não ocorreu o pior graças ao profissionalismo da equipe de policiais civis que me acompanhavam. Trabalhar na fronteira não é fácil!


A carreira de Delegado lhe satisfaz plenamente?
A carreira de delegado de polícia é uma das mais cobiçadas pelos estudantes de Direito. Os atuais concursos públicos demonstram a grande procura por essa profissão. É necessário ter vocação, um dia é diferente do outro. As pessoas são complexas, logo, as soluções para os seus casos também o são. Gosto do que faço, pois sinto prazer em ajudar os outros.


O senhor já foi vítima da violência?
Sim, já tentaram me matar. Não sei informar se esse sujeito ainda continua preso.


Em uma sociedade em que o TER é mais importante que SER, o senhor acredita também que a falta de educação possa ser uma das principais causas da violência, senão a principal?
Sem dúvida, quando direitos primários, como a educação, são sonegados da população, se impede a evolução das pessoas. O problema surge dentro de uma sociedade capitalista, pois os detentores dos meios de produção querem manter o domínio de um determinado grupamento social. A educação aqui assume um viés ideológico, pois ela é voltada aos “saberes práticos (ler, escrever e contar), preparando a sociedade para um serviço braçal, ou seja, para trabalhar para aqueles que detém o capital. A escola nessas sociedades, educa as pessoas para se comportarem em conformidade com a moral e os bons costumes, com consciência cívica e profissional. A escola acaba sendo um aparelho ideológico do Estado. Quando o trabalhador passa a ter consciência de seu papel e, a questionar o sistema econômico, ele é visto como agitador, ladrão ou terrorista. Por outro lado, se o sujeito cresce sem amor, sem padrões éticos e morais em sua família, onde sim, deveria iniciar-se o processo educacional, há uma grande probabilidade desse cidadão apresentar comportamentos anti­sociais e até delituosos.


O senhor poderia deixar uma mensagem aos policiais civis do Paraná?
Não se deixem esmorecer. Hoje é melhor do que ontem. A cada dia que se passa, nossa Instituição evolui, porque a lei da vida é do progresso. Lutem para que a imagem da Polícia Civil seja de defensora dos direitos fundamentais, de polícia cidadã, sempre em defesa do Estado Democrático de Direito e de preservação dos direitos humanos na persecução penal.



11/11/2013

 

Entrevista com o Delegado de Cornélio Procópio: Luiz Carlos Mânica

dr

Doutor fale-nos um pouco sobre o senhor.
Natural de Paranavaí, 44 anos, casado e duas filhas. Graduado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) em 1992. Pós-graduado em especialização lato sensu em Direito Penal e Processo Penal pela Unipar e concluindo especialização em Gestão da Segurança Pública, pela Escola Superior da Polícia Civil, do Estado do Paraná.


Em que ano o senhor ingressou na Polícia Civil? O senhor obteve apoio da família?
Ingressei em 1994. Já ao final do curso de Direito optei pelo concurso. Minha família sempre apoiou. Lembro que meu pai, homem simples da construção civil, mestre de obra sem formação alguma, ficou muito feliz quando ingressei na polícia e espalhava pra todos amigos com enorme orgulho do filho ser Delegado. Meus outros irmãos são todos Engenheiros Civis, com exceção de uma irmã, que é professora concursada da UEM e Coordenadora Adjunta do Departamento de Informática, com título de Doutorado na área de computação.


O que o senhor pode nos dizer sobre as diferenças entre as delegacias das quais já trabalhou?
Basicamente foram os desafios. Cada Unidade possui suas particularidades, a começar pela estrutura do prédio da Unidade, quantidade de servidores e tipo de criminalidade. Minha primeira e inesquecível lotação foi em Mangueirinha. Acho que foi o maior dos desafios considerando a época. Posteriormente atuei em Guaíra, Teixeira Soares, Pirai do Sul, Maringá (4º Distrito e Operacional), São João do Ivaí, Adjunto em Apucarana, Marialva, Nova Fátima e atualmente em Cornélio Procópio.


Existe alguma história marcante em sua carreira, que possa nos contar?
Meu primeiro dia de trabalho em Mangueirinha era uma noite chuvosa. Estava no Hotel quando bateram a porta de madrugada informando que haviam encontrado um feto. Os policiais (um único civil e um militar) me levaram até o local. Era escuro e de difícil acesso. Chovia muito e com as luzes do carro avistamos o feto a beira da parede de um rancho. Estranhamente, apesar de algumas pessoas no local, senti (imaginei talvez) o feto mexer. Em meio ao desespero rapidamente recolhi em toalha e levei ao hospital, mas nada adiantou. Por ter sido o primeiro dia de atividades como Delegado, foi bem marcante.


O que o senhor pode nos dizer sobre os planos para a implantação da Delegacia Cidadã na Subdivisão de Cornélio?
Estamos otimizando recursos e fazendo a implantação do projeto. Todos os funcionários estão imbuídos no projeto, aceitaram e entenderam a necessidade de humanizar o atendimento, melhorar o ambiente e qualificar o trabalho policial.


O senhor já se arrependeu em algum momento da carreira que escolheu?
Sim, claro. Teve época que os desafios e dificuldades enfrentados muitas vezes me fizeram repensar em outras alternativas. Contudo a carreira policial é dinâmica e empolgante. As coisas mudam com muita rapidez, não há espaço para rotina e com o tempo de experiência entendi que abandonar uma das mais brilhantes carreira da atividade Jurídica pra mim seria um desastre.


Como o senhor avalia as críticas que a polícia recebe?
Acredito que as críticas devam ser analisadas e estudadas em sua origem, especialmente “o porquê da sua existência”. Muitas delas são por falta de informação ou de conhecimento de quem critica. Contudo faz parte da atividade policial evoluir com constante melhoria mesmo diante das críticas. Elas devem ser avaliadas e diante o devido gerenciamento, possibilitar o restabelecimento.


O senhor já foi vítima da violência?
Graças a Deus não. Nem eu, nem mesmo qualquer ente de minha família.


De que forma o Delegado pode contribuir para o enfrentamento das dificuldades em uma Delegacia?
O melhor remédio para as dificuldades é o enfrentamento. Acredito que encorajar a equipe para o enfrentamento – apesar de não ser tarefa fácil – seja uma boa opção. Como gestor e líder que deve ser, o Delegado deve visualizar e buscar alternativas oportunizando ações e ideias conjuntas com todos os servidores da unidade policial, sempre buscando solução e diminuição das eventuais dificuldades.


Aos candidatos aprovados no último concurso de delegado, que está em fase final de seleção, o senhor tem alguma dica para o sucesso no trabalho?
A atividade policial é dinâmica, de muita gratidão e não é realizada de forma heroica e individual. A profissão possui uma peculiaridade ímpar. Oferece oportunidade para que o profissional, frente à angustia das vítimas de crimes, possa utilizar seu conhecimento e experiência, para ao menor tempo, levar alívio, reparação e minimização de sofrimentos. Às vezes uma boa e inteligente orientação serve como base e alerta para evitar determinado problema. Como toda atividade, o sucesso no trabalho necessita de plena confiança e apoio. O Delegado de Polícia e sua equipe, em geral, especialmente em comarcas menores, sempre é uma referência de respeitabilidade na comunidade. A sociedade precisa ter confiança na equipe profissional da Polícia para que possa interagir, acreditar e auxiliar no trabalho.


O senhor poderia deixar uma mensagem aos policiais civis do Paraná?
Sejamos perseverantes em nossa árdua e difícil missão de servir, proteger e melhorar a cada dia nossa atividade da Polícia Judiciária, sempre com zelo e responsabilidade.




29/10/2013

 

Entrevista com o Delegado Chefe de Maringá: Dr. Sérgio Luiz Barroso

dr


Doutor, fale-nos um pouco sobre o senhor.
Sérgio Luiz Barroso, natural da zona rural de Apucarana, 51 anos, casado, três filhos. Formado em Administração de Empresas e Direito, fui Coordenador do Programa de Merenda Escolar de Apucarana, professor da rede estadual e privada, Vereador em Apucarana(1989 à 1992), Presidente da Assembléia Municipal Constituinte (1990), Presidente da Autarquia Municipal de Saúde, Secretário da Educação e Cultura de Apucarana e Advogado nas áreas trabalhista, cível e criminal, tendo atuado bastante no Tribunal do Júri, área em que pretendo voltar a atuar quando me aposentar. Sou professor licenciado de Direito Penal da UNIFIL- Universidade Filadélfia de Londrina.


Quando ingressou na Polícia Civil do paraná e em quais delegacias o senhor já trabalhou?
Ingressei na Polícia em 1.994, porque era, e ainda sou, fascinado pela investigação policial e por poder ajudar a resolver crimes que, muitas vezes, podem parecer insolúveis. Minha família não aprovou muito a idéia no início, mas depois me apoiou. Cronologicamente, trabalhei nas Delegacias de Grandes Rios, São João do Ivaí, Guarapuava, Laranjeiras do Sul, Londrina, Arapongas, Londrina, Jacarezinho, Corregedoria da Área Nordeste, em Londrina e, atualmente, Delegado Chefe de Maringá. Nunca esperei assumir cargos tão importantes na estrutura da polícia civil e agradeço a Deus por tê-los alcançado e pela carreira que tenho.


Como é a relação da Polícia Civil de Maringá e a população?
A polícia civil de Maringá tem uma boa relação com a população, que cobra muito, mas é também bastante participativa para ajudar. O Conselho de Segurança é bem atuante e temos várias entidades que participam e ajudam nas soluções de problemas.


De que forma o senhor pretende colocar em prática o projeto de Gestão Estratégica e da Delegacia Cidadã, estabelecido pela DPI?
Estou colocando em prática, no dia a dia, as orientações do Delegado Chefe da DPI para uma gestão estratégica no conceito de uma Delegacia Cidadã. As pessoas que procuram os serviços de uma Delegacia de Polícia merecem o nosso respeito e o melhor atendimento possível, pois é o mínimo que podemos oferecer.


Como o senhor avalia as críticas negativas que a Polícia recebe da população e da imprensa?
As críticas negativas que a polícia recebe da população e da imprensa devem ser vistas como um incentivo para o nosso aprimoramento.


Dezoito anos atrás, os donos da Escola de Educação Infantil Base, na zona sul de São Paulo, foram acusados publicamente de pedofilia. Sem qualquer chance de defesa, a opinião pública e a maioria dos veículos de imprensa acusaram, julgaram e condenaram 4 pessoas, que posteriormente seriam consideradas inocentes. Na esfera jurídica, o que o senhor pode nos falar sobre esse fato, aplicado atualmente nos trabalhos da Polícia Judiciária?
O que não concordo é com o “julgamento sumário” de suspeitos de crimes que, muitas vezes, se procura fazer através da imprensa. É necessário que todo crime seja investigado com a devida isenção e que as provas coletadas, sejam elas técnicas ou testemunhais, pelo Inquérito Policial sejam cabais para confirmar as suspeitas ou indícios de autoria. A polícia civil precisa e deve trabalhar com imparcialidade e sem pressões externas para que o resultado seja eficiente e para que não se cometa injustiças.


O senhor acredita que a violência tenha idade?
A maioria das pessoas presas ou apreendidas, em torno de 70%, são menores de 24 anos e não têm sequer o ensino fundamental completo, ou seja, estão na criminalidade e estão fora da escola. Se não houver investimentos na educação desses presos ou apreendidos eles não terão qualquer chance no mercado de trabalho e voltarão para a criminalidade num circulo vicioso que destrói vidas.
Sou favorável à redução da maioridade penal para 16 anos de idade. Estamos vivendo num mundo tecnológico e globalizado, onde as crianças e os adolescentes têm muito mais informação do que tínhamos tempos atrás. Todos têm noção muito mais cedo do que é certo e do que é errado. Contudo, a diminuição da maioridade penal deveria ser acompanhado de Unidades Prisionais diferenciadas para presos na faixa etária entre 16 e 24 anos, onde eles tivessem acesso à educação e a cursos profissionalizantes para poderem se reinserirem à sociedade.

O que mudou na sua visão sobre a Polícia Civil durante os anos de trabalho?
A Polícia Civil melhorou muito nestes quase vinte anos que sou policial. Melhoramos em pessoal, tanto em quantidade quanto em qualidade, na especialização das investigações, em equipamentos, armas, viaturas e em salário. Ainda temos muito para melhorar mas estamos caminhando a passos largos nesta direção.


O senhor poderia deixar uma mensagem aos policiais civis do Paraná?
Acredito que vamos conquistar ainda mais espaço na sociedade com a melhoria da qualidade do nosso trabalho. Precisamos investir mais em serviço de inteligência e na qualidade dos nossos Inquéritos Policiais. Seremos mais valorizados e fortaleceremos a nossa instituição Policial Civil com investigação de qualidade que proporcione a solução de crimes com resultados mais eficientes e respostas mais rápidas a população. Cada Policial Civil pode e deve colaborar, cada uma na sua área de atuação, para o crescimento da nossa Polícia Civil.

Tenho orgulho de ser policial civil do Paraná.




21/10/2013

O entrevistado da semana é o Delegado Chefe de Paranavaí: Osmir Ferreira Neves Júnior

doutor osmir

Natural de Fernandópolis-SP, Osmir Ferreira Neves Junior tem 37 anos de idade. Filho de Osmir Ferreira Neves e Margarida Julia Maria de Souza, é casado e tem um casal de filhos. Graduou-se em Direito pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), é especialista em Direito Penal, pela Escola da Magistratura do Estado de São Paulo e em Gestão da Segurança Pública, pela Escola Superior da Polícia Civil do Estado do Paraná. Atualmente Delegado Chefe da 8ª Subdivisão Policial de Paranavaí, já trabalhou nas delegacias de Cândido de Abreu, Reserva, Nova Esperança, Maringá e Telêmaco Borba.


O que o senhor pode nos dizer sobre suas expectativas quando de seu ingresso na Polícia Civil?
Meu ingresso na Polícia Civil ocorreu mediante concurso público, no ano de 2002, sendo que tal fato foi motivo de muito orgulho e celebração pelos meus pais e irmãos, visto que a aprovação decorreu de muito esforço e estudo, dos quais houve muito apoio dos familiares. Minhas expectativas eram enormes, à medida que estava ingressando em uma carreira muito almejada e de grande responsabilidade.


O senhor se recorda de alguma situação inusitada que tenha marcado a vida profissional do senhor?
Não me recordo.


A carreira de Delegado fascina muitas pessoas, mas na realidade como é o dia-a-dia deste policial e quais as suas principais atribuições?
O cotidiano é bastante variado, apresentando diariamente fatos novos, os quais proporcionam uma rotina de trabalho instigante e agradável. As minhas atribuições estão associadas diretamente à implantação das diretrizes administrativas determinadas pelo Departamento da Polícia Civil.


Doutor o que o senhor pode nos falar sobre prioridade no trabalho policial?
A prioridade é a prestação de um serviço público de excelência, com foco na redução dos índices de criminalidade e alicerçado no atendimento humanizado da vítima.


E sobre sobre os planos para o futuro na Subdivisão de Paranavaí?
Atualmente há uma busca constante por parte da equipe de policiais civis lotados na Subdivisão de Paranavaí da implantação do conceito de Polícia Cidadã na unidade, repercutindo concomitantemente nas delegacias subordinadas.


Como é a relação da Polícia Civil de Paranavaí com a população?
É uma relação de respeito e de reciprocidade.


O senhor pode comentar sobre “Desafios” em sua vida profissional e pessoal?
O grande desafio associado à minha vida profissional trata-se do aprimoramento diário no exercício das atribuições de meu cargo, especificamente na identificação e correção de falhas. Outro desafio posto diariamente na minha vida profissional está ligado ao aperfeiçoamento intelectual e acadêmico.


De que forma o senhor pretende colocar em prática o projeto de Gestão Estratégica e da Delegacia Cidadã, estabelecido pela DPI?
Através de reuniões e cursos de aperfeiçoamento com os policiais civis, reestruturação física da unidade e colheita de sugestões da comunidade.

O senhor tem uma visão diferenciada da Polícia, como cidadão?
Como cidadão, acredito que a Polícia, como um todo, ainda goza de uma imagem negativa perante a sociedade.


Como o senhor avalia as críticas negativas que a Polícia recebe da população e da imprensa?
Avalio como uma oportunidade de se identificar os problemas e buscar soluções, apesar de crer que o verdadeiro modo de se buscar o crescimento de indivíduo ou de uma Instituição decorre do exercício de elogios, ainda que acrescido de ressalvas, e não por críticas negativas.


Em sua opinião, de que forma o delegado de polícia pode contribuir para enfrentar as dificuldades encontradas atualmente em uma delegacia de Polícia?
O Delegado de Polícia pode contribuir frisando aos policiais subordinados os aspectos positivos da unidade, identificando as necessidades e falhas, mas valorizando a competência dos policiais para a solução dos problemas.


A visão que o senhor tem da Polícia mudou durante os anos de trabalho?
Sim. Ao passar dos anos notei que apesar da Segurança Pública ser um setor do serviço público bastante questionado pela sociedade, houve nos últimos anos avanços, principalmente na qualificação dos policiais civis.


O senhor poderia deixar uma mensagem aos policiais civis do Paraná?
Os policiais civis têm uma grande responsabilidade e uma missão social inafastável, que sob críticas ou nas adversidades da atividade policial não devem ser esquecidas.



11/10/2013

 

Conhecendo o Delegado Chefe da 7ª SDP de Umuarama, Dr. Pedro Luiz Fontana Ribeiro

Pedro Fontana

Nascido em Regente Feijó, Estado de São Paulo, em 08 de maio de 1965, Pedro Luiz Fontana é casado e tem família em Curitiba, de onde saiu em 1994 para trabalhar na Polícia Civil do interior. Já foi delegado nas cidades de Umuarama, sua primeira e atual designação, Xambrê, Ubiratã, Cianorte, Goioerê, Toledo, Francisco Beltrão, além de ter sido vice-diretor da ESPC (Escola Superior de Polícia Civil) em Curitiba.


O que o senhor pode nos dizer sobre seu ingresso na Polícia Civil?
Sempre desejei ser policial civil, tanto que no 4º ano de Engenharia Mecânica, na UFPR (Universidade Federal do Paraná), prestei vestibular para Direito na PUC/PR, onde passei e acabei trancando o curso de engenharia para me dedicar ao Direito. No 5º ano, isso em 1993, abriu o concurso para delegado e acabei fazendo e passando, concluindo o curso em junho de 1994.
Como toda família a minha ficou preocupada, pois sabia dos riscos da profissão, já que meu pai era Delegado de Polícia em Registro – SP, mas acabaram me apoiando incondicionalmente.


O que o senhor pode nos dizer, sobre os planos para o futuro na Subdivisão de Umuarama?
É a melhoria constante para podermos dar uma melhor condição de trabalho aos policiais civis e com isso a melhora no atendimento para a população.


O senhor se recorda de alguma situação inusitada que tenha marcado a vida do senhor?
Certa feita quando delegado de Goioerê, a equipe de policiais e eu fomos cumprir mandados de busca e prisão em uma residência, a operação foi positiva com a recuperação de objetos e prisão do autor, saímos da residência em direção à delegacia e quando chegamos notamos que um investigador tinha ficado para trás. Isso foi motivo de risos durante um bom tempo.


Como é a relação da Polícia Civil de Umuarama e a população?
É de credibilidade e confiança, sempre digo que segurança se faz com a participação efetiva da comunidade, passando informações, fazendo criticas construtivas para que possamos sempre atender da melhor forma.


O senhor pode nos falar sobre "desafios"em sua vida profissional e pessoal?
Desafio é o que nos move, fazendo que sempre procuremos nos aprimorar, e assim, creio que poderemos realizar novos progressos, tanto na vida profissional, quanto familiar.


Doutor, quando falamos em prioridade no trabalho policial, o que o senhor pode nos dizer?
Entendo que temos como prioridade a melhoria em nossa principal ferramenta de trabalho, que são os Autos de Inquérito Policial, pois através deles, a Polícia Civil instrumentaliza ao Ministério Público a possibilidade de oferecimento da denúncia e início da persecução penal, fazendo que seja aplicada a lei penal e proporcionada à sociedade a segurança necessária.


Em sua opinião, de que forma o delegado de polícia pode contribuir para enfrentar as dificuldades encontradas atualmente em uma delegacia de Polícia?
O delegado de polícia é gestor da coisa pública e deve dispor dos meios legais para enfrentar estas dificuldades, sempre com o apoio da sociedade.


O senhor tem uma visão diferenciada da Polícia como cidadão?
É difícil abstrair-se, mas creio que como cidadão gostaria que os problemas de segurança fossem solucionados.


Qual a importância da Polícia civil em sua vida? Profissional e pessoal?
É através da Polícia Civil que realizo meus sonhos profissionais e pessoais.


Como o senhor classifica a carreira de Delegado de Polícia?
O delegado é o primeiro operador do direito que terá contato com a situação criminal e cabe a ele ser o garantidor dos direitos constitucionais do cidadão investigado, evitando desta forma qualquer ilegalidade ou injustiça. Também cabe a ele o gerenciamento da delegacia, sendo assim também um gestor da coisa pública.


De que forma o senhor pretende colocar em prática em Umuarama, o projeto de Gestão Estratégica e da Delegacia Cidadã, estabelecido pela DPI?
Firmamos parceria com o curso de Arquitetura da Universidade Paranaense, UNIPAR, para que se procedam estudos visando a melhora do layout das salas e atendimento à população. Estamos realizando reuniões periódicas com os investigadores, escrivães e delegados da circunscrição da 7ª SDP, além de realizar, em conjunto com o SENAC, curso de aperfeiçoamento para excelência no atendimento, sendo que nesta primeira etapa já estão participando dos treinamentos os plantonistas e escrivães. Também temos o objetivo de melhorar ainda mais a parceria com o Judiciário, Ministério Público, Polícia Militar e demais entidades representativas.


A visão que o senhor tinha da Polícia civil antes de ingressar em seu quadro funcional, mudou nos dias atuais? Mudou em que?
Quando ingressei na Polícia dava pouca importância ao formalismo, pensando que o importante era solucionar o crime, prender o criminoso, recuperar os objetos etc..., com o amadurecimento vi que temos que priorizar o formalismo, pois é por meio dele que garantimos ao policial e as partes envolvidas, a legalidade da ação e a aplicação da justiça.


O senhor poderia deixar uma mensagem aos policiais civis do Paraná?
"Diante de uma vitória, não pare!!
Diante de uma derrota, não desanime!!
Nem sempre uma vitória significa a glória...
Nem sempre uma derrota significa o fim.
Longe é um lugar que não existe ."
Richard Bach08/10/2013

 



Conhecendo o Delegado de Foz do Iguaçu: Alexandre Macorin de Lima

Oriundo de uma família de dentistas e professores, Alexandre Macorim de Lima, é o único policial entre os três filhos. Nascido em Porecatu, tem 42 anos, é casado e pai de duas meninas, de 10 e 09 anos. Ingressou na Polícia Civil aos 23 anos de idade tendo como sua primeira lotação a cidade de Barracão, onde ficou por três anos. Após trabalhar no Ministério Público, tornou-se policial em 1994, quando obteve apoio incondicional de seus familiares. Seu pai, tem tanto orgulho da profissão que conta até para o entregador de pizza que tem um filho delegado.

Alexandre

Abaixo a entrevista:

Sabemos que o senhor já havia chefiado a SDP de Foz do Iguaçu. O senhor achou positivo o retorno? Pretende mudar as estratégias que tinha anteriormente?
Acho que a volta em qualquer delegacia sempre é mais difícil porque cria um parâmetro, expectativas e idéias pré concebidas. Mas gosto de desafios e estou muito feliz, fui muito bem recebido e tenho aprendido a lutar contra um defeito que considero ter, que é o da beligerância, falo o que penso e arrumo confusão facilmente. Prometi à minha família que não iria brigar mais com amigos por causa do trabalho e tenho conseguido.


O Delegado Chefe da DPI visa a implementação de um Plano de Gestão Estratégica nas delegacias do interior. Como o conceito de estratégia está relacionado diretamente com visão de futuro, o que o senhor pode nos dizer, sobre os planos para o futuro na Subdivisão de Foz do Iguaçu?
Temos muitos planos, tanto na capacitação continua como na área operacional, dentre eles a criação de um grupo específico no combate ao micro tráfico e integracão com o DENARC e outras instituições. Para médio prazo pretendemos criar uma delegacia especializada no combate ao furto e roubo de veículos em Foz. Meu trabalho foi facilitado porque em Foz essa implementação estratégica já ocorria.


Na visão do senhor, qual a relação entre a Polícia Civil de Foz do Iguaçu e a população?
Cada vez melhor, temos recebidos muitos elogios pelo trabalho de atendimento ao público desenvolvido na última gestão, bem como pelos casos solucionados recentemente e pela postura dos novos agentes no trabalho com a comunidade.


O senhor pode nos falar sobre o tema DESAFIOS em sua vida profissional e pessoal?
A vida seria imensamente chata se não houvessem desafios, pessoalmente sou atraído por desafios - entenda-se por desafio uma situação em que somos compelidos a relutar diante de uma situação - temos então duas saídas: sair da zona de conforto e arriscar ou, simplesmente, deixar tudo como esta. Quer um exemplo? O Dr. Rogério promove atualmente várias mudanças à frente da DPI, saiu do lugar comum e com isso mexeu na zona de conforto de vários delegados. Nem todo mundo pensa da mesma forma, existem resistências a quaisquer mudanças, mas elas estão a caminho e tenho certeza que tem sido desafiador pra ele e se assim procedeu e porque acredita em suas idéias e nos resultados que virão.


Doutor, quando falamos em prioridade no trabalho policial, o que o senhor pode nos dizer?
Confesso que tenho mudado minha concepção a respeito do que é prioridade no trabalho específico da polícia judiciária. Anteriormente acreditava que nossa missão era a de solucionar delitos e que isso era a prioridade absoluta, no entanto, aprendi que negligenciando outras atividades inerentes ao nosso trabalho como o próprio inquérito policial, o aspecto físico do prédio e o atendimento ao público, faz com que nossa imagem seja afetada de forma negativa. O fato de solucionar ou não um crime, está muitas vezes fora de nosso alcance, mas os outros fatores que mencionei não, podemos melhorar todo dia. Fiz um curso e aprendi sobre filosofia oriental denominada, salvo engano, KAI ZEN, que nada mais é do que melhorar um pouquinho todos os dias, então hoje tento aplicar na minha vida pessoal e profissional.


Qual avaliação o senhor faz sobre o empenho e o compromisso da equipe de policiais desta Subdivisão?
Excelente, estou sendo sincero, absolutamente sincero, considero acima do nível o comprometimento tanto dos mais experientes como dos novatos. Comprometimento assim só tinha presenciado no COPE onde os policiais são apaixonados pela sua unidade.


Em sua opinião, de que forma o delegado de polícia pode contribuir para enfrentar as dificuldades encontradas atualmente em uma delegacia de Polícia?
Olha, eu tenho visto que a Polícia Civil atravessa uma fase de transição, que começa com o ingresso dos policiais com curso superior, que os tornam mais contestadores do status quo, alguns acham isso bom e outros acham isso ruim. Minha opinião é que justamente nesta transição, está a importância do delegado de polícia como gestor de uma Unidade Policial, é aí que ele vai mostrar se tem "café no bule", se tem conteúdo, porque são duas formas de lidar e mais ainda de homogenizar uma delegacia de polícia com perfis tao diferentes, se o gestor conseguir colocar em nível satisfatório uniformidades de procedimentos (atendimento, aparência) sem perder qualidade e percentualidade na resolução de delitos, aí estará um bom profissional.


Como o senhor classifica a carreira de Delegado de Polícia?
Ingrata, mas ao mesmo tempo viciante. O Delegado tem que ser operador do direito e ao mesmo tempo investigador, tem que conversar com o prefeito e um minuto depois atender uma pessoa humilde, tem que ser gerente de RH e também um psicólogo. Onde em outra profissão existe isso? Nenhuma! Isso que eu falei se aplica mais ao interior do que na Capital, sem querer causar polêmica.


O que o senhor pode nos dizer sobre a violência, em termos gerais?
Em termos gerais seria muita coisa pra discorrer, mas acho que a banalização da violência não pode nunca causar insensibilidade ao policial, o bom servidor não pode jamais perder sua capacidade de indignação contra ela em qualquer nível. Nada é pior do que um policial se mostrar insensível diante de uma vítima. É triste quando um investigador, delegado ou escrivão, perde sua capacidade de inconformismo diante de uma injustiça. Ele perde o brilho no olhar, perde o rumo de sua profissão, acho até que perde o amor pela vida.


A visão que o senhor tinha da Polícia civil antes de ingressar em seu quadro funcional, mudou nos dias atuais? Mudou em que?
Eu entrei na polícia porque conheci o Dr. Márcio Amaro em início de carreira. Como falei, eu trabalhava no Ministério Público e vi na pessoa do Márcio, que considero um amigo, que o delegado pode ser um operador do direito e ao mesmo tempo não ficar preso à rotina de um gabinete. Antes disso a imagem que eu fazia era aquela retratada em televisão, de uma polícia truculenta, delegados mal humorados e tudo o mais. Hoje vejo que a velocidade da mudança (pra melhor) tem sido maior do que aquele ritmo de quando ingressei há dezenove anos atrás e que a imagem da polícia vai ser resgatada brevemente.


Sabemos que o senhor já chefiou o COPE em Curitiba. O que o senhor poderia nos falar sobre o tempo em que fez parte desta equipe?
Chefiar o COPE foi a maior honra da minha vida, foi uma experiência incrível e me lembro de cada minuto que passei lá, com policiais honrados e que defendem a camisa da polícia civil. Tive momentos inesquecíveis e dificuldades também, principalmente por ter vindo do interior e nunca ter trabalhado na Capital antes, aprendi mais do que ensinei, sem dúvidas. Agradeço a Deus e ao Micheloto pela oportunidade de ir pra lá, só trabalhando no COPE para se ter noção da importância dessa Unidade para Polícia Civil do Paraná.


O senhor acredita em vocação policial?
Ela existe, mas sinceramente já dei mais importância pra isso. Com a experiência, aprendi que na polícia não existe apenas o trabalho investigativo, a polícia é muito mais do que isso. Pessoas interessadas e comprometidas conseguem contribuir para o sucesso da unidade e, compete ao delegado, como gestor, colocar cada profissional no setor que é mais produtivo, bem como o de torná-lo um servidor motivado.


O senhor poderia deixar uma mensagem aos policiais civis do Paraná?
Que honrem a camisa da Instituição e que se capacitem em todas as oportunidades que puderem. Gosto de um ditado árabe que diz: "aquele que estuda e não coloca em prática o que aprendeu é como o semeador que plante e não colhe". 



02/10/2013

Entrevista com o Delegado Chefe de Pato Branco: Ivonei Oscar da Silva

Ivonei Oscar da Silva é natural de Francisco Beltrão, tem 46 anos, é casado, tem uma filha de 13 anos e é Delegado Chefe da 5ª Subdivisão Policial de Pato Branco. Ingressou na Polícia Civil do Paraná em 1994 e já trabalhou nas delegacias de Realeza, Capanema, Alto Piquiri, Pato Branco, Carlópolis e Francisco Beltrão.

Ivonei


Doutor fale-me um pouco sobre seu ingresso na Polícia Civil?
Somente depois que fui lotado na primeira delegacia de polícia é que pude ver a precariedade das estruturas e a carência de pessoal. Minha primeira delegacia foi na cidade de Realeza e na época não tínhamos investigadores, sendo somente eu e um escrivão de polícia, para além dos serviços inerentes à polícia judiciária, fazer a guarda e escolta de mais de 40 (quarenta presos).


Qual a visão que o senhor tem sobre a responsabilidade da família (dos pais) sobre pessoas envolvidas em crimes, como por exemplo, o tráfico de drogas, que muitas vezes desencadeia muitos outros delitos?
Acredito que a sociedade civilizada tem diversos freios repressores e o primeiro é a família, a quem cabe educar e repassar princípios morais e de convivência social. Outro é a Religião, com seus dogmas e princípios que indicam que a pessoa deve ter retidão nas suas condutas e finalmente quando todos falharem temos o Direito Penal, que é exclusivamente repressor.


O Delegado Chefe da DPI visa a implementação de um Plano de Gestão Estratégica nas delegacias do interior. Como o conceito de estratégia está relacionado diretamente com visão de futuro, o que o senhor pode nos dizer, sobre os planos para o futuro na Subdivisão de Pato Branco e demais subordinadas?
Quando entrei na polícia diziam que nós éramos o futuro da instituição e esse futuro chegou e não mudamos muita coisa. Acredito piamente que pela sinceridade e simplicidade do Plano de Gestão Estratégica formulado pela DPI, é possível implementarmos mudanças dentro das condições humanas e materiais que possuímos.


Na visão do senhor, qual a relação entre a Polícia Civil de Pato Branco e a população?
De muito respeito com todos os cidadãos e eles sabem que podem contar com uma polícia honesta, empenhada na solução dos crimes e na com vontade de interagir com a sociedade.


Qual avaliação o senhor faz sobre o empenho e o compromisso da equipe de policiais desta Subdivisão?
Faço uma avaliação excelente, pois conseguimos solucionar mais de 80% dos homicídios que ocorrem na região, além de possuírmos cartórios equilibrados, sem inquéritos entulhados pelas gavetas e há mais de 10 (dez) anos não temos uma fuga ou rebelião de presos na sede e, apesar do setor de carceragem possuir 170 presos, também não existe telefone celular no interior da cadeia.


Durante o tempo em que o senhor atua como policial, houve alguma situação em que o senhor ou sua equipe tenham “falhado” durante os trabalhos? Porque isso ocorreu e o que faria diferente hoje?
Falhas e erros cometemos todos os dias, pois como humanos somos falhos, mas não me recordo de nenhum erro ou falha que não puderam ser corrigidos, pois nosso dever é a busca da verdade real.


Tentando compreender o impacto da atividade policial em sua vida familiar e em sua saúde, diante do fato do trabalho policial ser altamente desgastante, estressante e perigoso, o senhor acredita ser possível exercer a atividade policial e viver de forma prazerosa, tranqüila e segura? De que forma isso é possível?
Faço o que gosto e o que amo, servir aos outros de forma digna e impoluta é mais que um dever policial, é um dever social. Trabalhar como policial, como pesquisador do crime apesar das tragédias humanas que ele envolve é algo que me dá muita satisfação, pois as vítimas merecem que seus algozes sejam descobertos e punidos.


Em sua opinião, de que forma o delegado de polícia pode contribuir para enfrentar as dificuldades encontradas atualmente em uma delegacia de Polícia?
Muita criatividade, muita criatividade mesmo e grandes doses de improviso.


A visão que o senhor tinha da Polícia civil antes de ingressar em seu quadro funcional, mudou nos dias atuais? Mudou em que?
A polícia mudou muito nos últimos anos e por incrível que pareça a vejo como uma polícia mais honesta e respeitadora dos direitos humanos.


O que mais te satisfaz em sua profissão?
A solução do crime.


Quais são as principais atribuições de um delegado de polícia?
São tantas. Vejo os delegados como uma espécie de alquimista que deve saber de tudo um pouco. Deve ser jurista, administrador, médico, psicólogo, educador, religioso, filósofo, químico, físico, arquiteto, engenheiro etc., etc., e etc.


Existem grandes diferenças nos trabalhos desenvolvidos pelos policiais na Capital e nas cidades do interior do Estado?
O policial do interior interage e vive mais próximo da sociedade na qual trabalha e isso o torna mais compromissado para as atividades policiais.


Qual a análise que o senhor pode fazer sobre a Segurança Pública no Estado do Paraná?
É boa, mas com muita criatividade podemos melhorar cada vez mais, sem despender grandes investimentos.


Qual o caso de maior repercussão atendido pela Polícia Civil de Pato Branco durante o tempo em que o senhor está à frente da Subdivisão?
São dezenas, pois devemos considerar todos os crimes importantes e que devemos nos dedicar para solucionar, pois o crime causa um grande trauma na vítima, quer material, físico ou psicológico. Mas vamos a alguns de repercussão como no caso da morte de um jovem casal em Coronel Domingos Soares, cujo autor foi um irmão bastardo do rapaz. Caso do estupro de um menino que vendia bombons na cidade de Pato Branco e do estupro de uma criança de dois anos. Caso da morte dos policiais militares de Honório Serpa onde policiais civis prenderam os três autores depois de um longo cerco feito pela polícia militar, sem disparar um único tiro.


O senhor acredita em vocação policial?
Acredito, porém só vocação não faz um profissional. Ele precisa ser formado e estar diuturnamente atualizado com novas técnicas de investigação.


Sobre o aumento da criminalidade entre os adolescentes e o debate sobre a redução da maioridade penal, o que o senhor pode dizer a respeito?
É um debate bastante delicado, mas acredito que bastaria aumentar o prazo de internamento dos adolescentes que cometessem crimes graves, como homicídio, latrocínio, roubo, tráfico, estupro e outros.


O senhor poderia deixar uma mensagem aos policiais civis do Paraná?
Honra, honestidade e muita inspiração e transpiração. 



4ª SDP - União da Vitória

23/09/2013

Conhecendo um pouco mais sobre o Delegado Chefe de União da Vitória: André Luis de Oliveira Vilela

doutor Andre

Natural de Uberaba, Estado de Minas Gerais, casado, com três filhos, formação de ensino médio em técnico em agropecuária, com atividades na iniciativa privada e pública.


Ingressei mediante concurso público no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, no cargo de oficial judiciário onde exerci a função na primeira instância, entrância final. Atuei nas áreas criminal, infância, juventude e execução fiscal por 12 anos, período em que me graduei em Direito.


Durante todo esse tempo houve um amadurecimento pessoal e profissional. Naquela época eu já identificava os grandes óbices do Judiciário, que arranhavam sua imagem, devido em especial, a morosidade na prestação jurisdicional. Via a distância da solução do caso, entre o fato social criminoso praticado e o resultado final (sentença com trânsito em julgado).


Tinha uma visão externa da polícia civil, com certo estereótipo. Procedia a leitura da instituição, via informes acadêmicos e contatos com operadores do direito. Contudo, percebia a necessidade imperiosa e vital daquela instituição para a sociedade e foi com o passar dos anos, que percebi que a carreira de delegado de polícia se mostrava mais dinâmica e eu não estaria atrelado funcionalmente a quatro paredes, mas provocaria ações diretas, buscando resultados, viveria um modelo diferente (não esperando), mas, produzindo efeitos diretos no controle social.


Foi neste pensamento que ingressei na Polícia Civil do Paraná, no concurso para delegado de polícia no ano de 2002. A escolha por este Estado da Federação, foi em razão do salário e do clima (frio). Participei, durante quatro meses, do curso de formação técnico-profissional, diga-se de passagem, de alto nível, com colegas de turma de porte intelectual elevado, procedentes de instituições públicas e cargos dos mais diversos e destacados no Estado do Paraná e do país.


Trabalhei nas delegacias de Catanduvas, Nova Londrina, Palmas e União da Vitória, quando tive a oportunidade de fazer uma pós-graduação em Gestão em Segurança Pública, pela Escola Superior de Polícia Civil, (primeira turma), que me oportunizou a lecionar no magistério superior (cadeiras de Direito Penal e Processo Penal), em faculdades nas cidades de Palmas, Pato Branco e União da Vitória.


Em uma avaliação preliminar relativa aos onze anos como Delegado de Polícia do Estado do Paraná, cheguei a conclusão que continuo passando por transformações e mudanças (tanto na vida pessoal como profissional). A atividade policial exige uma permanentemente análise do ser, assim como o médico e o sacerdote, o policial lida com as mazelas do ser humano, estando diariamente a refletir o ambiente e as ações em que vivencia.


Trata-se de uma profissão onde a pessoa não pode encarcerar-se em si mesmo. Você vive mantendo contato direto com pessoas de variantes diversas de intelecto e moral, de procedências diferentes da comunidade, desde pessoas simples do povo a outros com formação pós-acadêmica e, em especial, seres com comportamentos anti-sociais, a atores de crimes bárbaros e cruéis.


No decorrer das atividades, tive inúmeras experiências alegres e também tristes. Destaco o quanto é gratificante ser bem recebido em uma cidade, aonde nos deparamos, às vezes, com uma unidade policial (prédio) desestruturada. É elaborado um projeto mental, para sentir o pensamento dos representantes daquela sociedade, lança-se a semente (não de reforma de uma delegacia, mas, a construção de uma nova Delegacia de Polícia). Procura-se agregar e mobilizar em torno do projeto, a semente, a seguir “adubada” com a perseverança no projeto e reforço no trabalho. A comunidade, Conselho, Prefeitura, Ministério Público e pessoas físicas se envolvem (bem como o Estado). Passam-se alguns anos, e um belo dia, você tem a satisfação de estar presente a uma cerimônia (ainda como titular) na inauguração da Nova Unidade Policial. Isso é muito gratificante.


Por outro lado, passamos por diversos momentos de tristeza. Como em certa feita, vésperas de um carnaval, nós, policiais, precisamos ir a um local de crime de homicídio, durante a noite. Após identificar autor, vítima e testemunhas, temos a percepção de tragédia. Então procuramos os familiares mais próximos do autor (pai, mãe e irmãos) e pedimos para que eles saiam o mais rápido possível da cidade, visto que é possível uma ação de revide de amigos e familiares do morto. Colocamo-nos, inclusive, à disposição para ajudar no transporte.


Entretanto, o dia ainda não amanhece e você é empenhado a realizar um segundo levantamento de local de crime. Naquela madrugada, aquela família, visitada na noite anterior (pai, mãe e um filho deficiente) foi executada, restando apenas uma sobrevivente, que se escondeu debaixo da cama. É horrível esta sensação de incapacidade, de saber que poderia ter sido feito algo diferente.


Hoje, passados estes anos, após algumas vivências, vejo que o policial civil é um profissional que precisa de capacitação e preparo diferenciados. Para ingressar na polícia, exige-se aprovação em concurso de aferição de valor cultural e preparo físico, além da ilibada conduta. Entretanto, para ser, exercer e continuar nesse nobre mister, na acepção do vocábulo, necessário se faz a interdisciplinariedade com outras áreas do conhecimento, em especial: administração e a psicologia.


Diariamente tomamos decisões de natureza administrativa, desde a gestão de pessoal, gestão da carceragem, gestão das investigações, enfim gestão da Unidade Policial. Mantemos contatos com pessoas: investigados, vítimas, pessoas da comunidade, onde nessa permuta de comunicações (verbalizadas ou não), você constata as misérias humanas (dores, sofrimentos, anseios, fraquezas e etc.) e precisa dar uma reposta ao indivíduo, seja esperança às vítimas, conforto aos familiares do investigado ou do preso para a superação desses momentos de dor. Vivenciamos com a dor alheia no dia a dia, além de exercermos um sacerdócio ao mesmo tempo que procuramos consolar o gênero humano necessitado de afeto.


No contato com os dramas sociais, com as mazelas da sociedade e do ser humano, verificamos a importância de um lar, uma família construída em bases sólidas de afeto, mútuo amparo de seus integrantes e trabalho, pois o que constatamos é que um percentual considerável de pessoas que incorporam o mundo do crime, são provenientes, não somente de lares desestruturados financeiramente, mas, de falta ou ausência de afeto.


Vivenciamos (através da mídia) já há alguns anos, no plano internacional e nacional, grandes processos de mudanças nas corporações e em especial na administração pública (nas três esferas). Buscando o ente público a racionalização do serviço e a Administração Pública (lato sensu) procurando exercer atividades típicas de Estado.


É natural e consentâneo com a realidade global, que a administração pública sofra ou passe por situações que exijam do gestor público, o gerenciamento das atividades de acordo com as possibilidades do recurso. Face a isto, o Plano de Gestão Estratégica adotado pelo nosso Delegado Divisional é de suma importância no contexto da segurança pública, visto que através dele, podemos buscar caminhos (soluções), direcionamentos para melhor gerenciarmos nossas Unidades Policiais, buscando maiores e melhores resultados para a comunidade, além de mostrarmos uma imagem positiva da instituição.


A nossa visão de futuro para a SDP de União da Vitória é a somatória de esforços, dedicação e comprometimento de toda uma equipe, desde o gestor, escrivães, investigadores, agentes de apoio, funcionários de prefeituras e estagiários. O gestor da unidade policial, está e estará sempre a frente presente nas ações da equipe. Presença sempre.


Estamos em um processo contínuo de planejamento e avaliação conjunta, procurando soluções e ações conforme a nossa realidade e a nossa possibilidade. Nosso plano tem dois eixos principais:


- atenção voltada para otimização e capacitação do colaborador, melhorando sua capacidade laborativa e ajustando-o às necessidades, incluindo a melhor ambientação do local de trabalho; inclusive participando, quinzenalmente, de treinamento de pessoal com palestras objetivando motivá-los e capacitá-los.


- um atendimento diferenciado, mais qualificado ao público: seja ele cidadão, vítima, advogados ou presos e melhorar o nosso produto final materializado (autos de inquérito policial).


Indubitavelmente, a atividade policial exige, além do preparo físico, o crescente suporte intelectual, vez que, investigar é pesquisar, é uma ciência. O trabalho também exige o condicionamento de outro fator: o emocional, através do qual lidamos com sentimentos variáveis na escala vertical, diariamente, exercitando ou desenvolvendo a virtude de instalar no íntimo a serenidade, em que pese o inevitável desgaste, estresse e perigo.


No plano físico, acredito que a família exerça uma influência positiva na nossa tão necessária renovação diária de energias e no plano metafísico, um suporte espiritual é necessário, independente do pensar religioso para que possamos ludibriar o mal.


Sobre o aumento da criminalidade, este não é um privilégio exclusivo do povo brasileiro, mas de todas as nações. Retrata a foto do gênero humano no planeta, muita pobreza, pouca riqueza e civilidade de educação formal. A 4ª SDP de União da Vitória é integrada por profissionais com raízes e laços familiares nesta terra, com apreço por esta comunidade e região. Recentemente foi implementado o Setor de Homicídios, que vem aumentando a cada mês o índice de resolutividade dos crimes. O Setor de Violência Doméstica visa um atendimento preferencial e padronizado as mulheres vítimas de violência doméstica. Em fase de implantação, temos o Setor de Crimes Sexuais, que objetivará dar um atendimento diferenciado às vítimas de abuso sexual, e possibilitando maior celeridade ao procedimento policial. Além disso, estamos estruturando o Setor de Tóxicos, com policiais destinados à investigação quase que exclusiva a este tormentoso problema social. E finalmente ações semanais (operações policiais) de prevenção, seja da própria Unidade Policial, seja em parceria com a Polícia Militar.


Em conjunto com a delegacia de polícia de São Mateus do Sul, através do delegado Nagib Nassif Palma, estamos formatando uma parceria positiva e combativa em ações recíprocas e intensivas no Sul do Paraná. Entendemos que o delegado de polícia, através de ações na própria comunidade, poderá estabelecer ações através de parcerias com Universidades, Sesi-Senai, Prefeituras, Polícia Militar, além de outras, para capacitação, treinamento dos policiais e até cessão de funcionários municipais e estagiários para a delegacia.


Acreditamos que estas ações, separadamente ou em conjunto, irão melhorar a imagem da Instituição Polícia Civil nesta comunidade. Ações que demandam perseverança, vontade e a custo zero para o erário estadual.


Hoje vejo a Polícia Civil de forma mais ampla, mutável e indispensável ao Estado Democrático de Direito, além de ser uma das poucas que se presta serviço público ininterrupto à população é aquela em que o servidor é ao mesmo tempo: médico social, sacerdote, psicólogo da alma e juíz de fato (distribui justiça).


Polícia Civil: Ontem – Hoje – Amanhã - Servindo o Povo do Paraná.

 



Divisão Policial do Interior
16/09/2013

Entrevista com Delegado Chefe de São Mateus do Sul - Nagib Nassif Palma

doutor Nagib


1 - Fale um pouco sobre a sua trajetória de vida e na Polícia Civil do Paraná, e em quais delegacias já laborou e por que escolheu essa profissão?

Eu sempre quis ser delegado de polícia, desde a época da faculdade, sempre acreditei e ainda acredito, que o delegado pode ajudar em muito a população da cidade onde atuar, basta fazer o seu trabalho da melhor maneira possível e os resultados acontecem. Também sei que o delegado é o que chega mais perto da “verdade real”, objetivo da persecução penal, sabe o que realmente aconteceu, pois literalmente “toca” o crime, e com isto consegue com suas investigações formalizadas pelo inquérito policial, garantir que a justiça seja feita.

Ingressei na Polícia Civil em 2002, após obter a segunda colocação no concurso de provas e títulos. Perfilando todas as funções possíveis, fui delegado titular da Delegacia de Realeza; Delegado Chefe das Regionais de Ibiporã e Marechal Cândido Rondon; Delegado Operacional da 10ª Subdivisão Policial de Londrina; Delegado Adjunto da 14ª Subdivisão Policial de Guarapuava, da 16ª Subdivisão Policial de Campo Mourão, da 9ª Sudivisão Policial de Maringá e da 15ª Subdivisão Policial de Cascavel, além de Delegado Chefe da 4ª Subdivisão Policial de União da Vitória, da 18ª Subdivisão Policial de Telêmaco Borba e da 3ª Subdivisão Policial de São Mateus do Sul, todas às vezes fui removido a bem do serviço público.


2 - O senhor chegou a pouco tempo para chefiar a Subdivisão de São Mateus do Sul. Nesse curto período, o senhor já tem metas traçadas para implementar o novo Plano de Gestão Estratégica da Divisão Policial do Interior (DPI)?

Sim, já elaborei um Plano Operacional, seguindo estritamente as diretrizes da Divisão Policial do Interior, inclusive apresentado-o às principais autoridades locais, dentre elas o chefe do executivo, representante do judiciário e do ministério público, além, é claro, do chefe da DPI.


3 - Quais as suas expectativas em relação aos trabalhos a serem desenvolvidos nesta Subdivisão?

São animadoras, pois o plano elaborado é perfeitamente exequível, a curto e médio prazo e não há necessidade de grandes investimentos em verbas, mas tão somente algumas adequações no ambiente e, o mais importante, motivação dos servidores, que tenho certeza corresponderão e os resultados virão por corolário, se Deus quiser.


4 - Durante os anos de trabalhos prestados na Polícia Civil do Paraná, o senhor poderia relatar qual foi caso que mais lhe chamou a atenção e por quê?

Posso elencar pelo menos quatro, todos relativos a homicídios bárbaros e que me despertaram curiosidade, por conta da capacidade do ser humano, de qualquer nível cultural e financeiro, de qualquer idade, de ceifar a vida de pessoas que até mesmo ama, e que tem grande proximidade, representando verdadeiro ato inexplicável, que talvez somente uma análise psicológica, e quiçá espiritual, poderia justificar tal monstruosidade, vejamos:

a - um jovem de classe média alta (filho de empresário), que matou sua namorada, porque naquele momento não quis fazer sexo com ele, ocultando o cadáver em baixo de sua cama, por pelo menos dois dias, dias estes que o criminoso foi curtir o carnaval em outras cidades;

b - um jovem de classe média alta (filho de empresário) que assassinou pelo menos quatro pessoas, tão somente para mostrar para aos amigos do que era capaz e que poderia escapar da polícia, verdadeiro "SERIAL KILLER", que conseguimos prender em uma favela de São Paulo, onde vivia com outro nome e com exitoso emprego de construtor e pintor;

c - um rico e influente fazendeiro que matou sua segunda mulher, que era uma obsessão quando era adolescente (parente dele, muito mais nova) - alegando que ela havia sido sequestrada, potencializando tal falácia pela imprensa e através de políticos, claro que levados a erro, sendo certo que havia matado seu AMOR, por CIÚMES, e ocultara seu corpo enterrado em sua fazenda;

d - conhecido ex-secretário da fazenda de uma grande e importante cidade, que foi assassinado pelo companheiro e a família, com o fito de ficar com considerável parcela da fortuna.


5 - Sobre crimes de grande repercussão e difícil investigação, como por exemplo o caso da jovem Tayná, de Colombo, região metropolitana de Curitiba. Qual a visão do senhor?

Acho que a polícia judiciária deve seguir todas as teses investigativas, não duvidar de nada, averiguar todas as óticas, trocar informações com todos os órgãos, todavia, agir sempre dentro da legalidade e da moralidade e, principalmente, ter cautela. E, principalmente, não se influenciar pela pressão popular e midiática que estes casos irradiam.


6 - Em sua opinião, de que forma o delegado de polícia pode contribuir para enfrentar as dificuldades encontradas atualmente em uma delegacia de Polícia?

Creio muito na motivação de seu pessoal, quer sob o aspecto logístico, quer sob o aspecto investigativo, sem esperar grandes milagres, sem esperar por mais verbas, por aumento de salário, por mais servidores, mas sim fazendo o que for possível, da melhor maneira possível, através de parcerias, treinamento e até mesmo com certa "psicologia", digamos assim, demonstrando a importância da Polícia Civil para a população e a gratificação que vem ao nosso encontro, quando somos reconhecidos por consequência do trabalho levado a cabo e que, lembramos, sempre acontece.


7 - Qual o tipo de crime lhe traz maior preocupação?

Além do homicídio, o tráfico, que acabam, direta ou indiretamente relacionados.


8 - De que forma o senhor pretende colocar em prática o projeto da “Delegacia Cidadã” em São Mateus?

Atuando em dois aspectos: o primeiro, sob a ótica mais repressiva, com um projeto operacional que tenha investidas de caráter mais presencial, de certa forma até mesmo com características preventivas, ao circular constantemente nas ruas, em locais de maior criminalidade, em conjunto com a Polícia Militar, bem assim, intensificando as investigações, mormente tendo como alvo a pequena e média traficância, que tanto trazem violência as cidades, fomentando outros delitos, como homicídios, furtos, roubos, dentre outros. O segundo aspecto, de visão mais voltada a intensificação da qualidade do atendimento ao cidadão, como também para conforto dos servidores. Para isto, iremos fazer adequações na estrutura predial da delegacia, isolando a tramitação de presos e detidos, das pessoas que vão a delegacia em outra condição, como vítimas, testemunhas, informantes etc., inclusive com sala destinada à Policia Militar, quando da entrega de detidos. Criaremos um "parlatório", para segurança e mais conforto no atendimento dos advogados aos seus assistidos presos no SECAT, o que permitirá uma melhor garantia nos direitos e deveres dos envolvidos, adequaremos uma sala para reconhecimento, nos casos de vítimas e testemunhas que precisem visualizar o investigado, para melhor certeza da autoria..


9 - Como delegado adjunto em Cascavel o senhor mostrou ótimos resultados. Pretende manter o mesmo foco em São Mateus? O que mudará na forma de trabalho?

Vou trabalhar da mesma forma, pois assim conseguimos ajudar na segurança das cidades em que atuamos, ressaltando o combate ao pequeno e médio traficante, já que em Cascavel, onde fiquei cerca de sete meses, equipes compostas por excelentes profissionais, coordenadas diretamente por mim, prenderam mais de sessenta traficantes, o mesmo ocorreu anteriormente, quando atuei como delegado adjunto em Maringá, onde no período de cerca de um ano e meio de atividades, prendemos cerca de duzentos traficantes, resultados que tenho certeza, contribuíram para a redução da criminalidade, ou no mínimo, com a minimização em sua escalada. Claro que agora, também vamos focar, com toda intensidade no projeto elaborado pela Divisão Policial do Interior, na figura de seu titular, Dr. Rogério Antonio Lopes, com enfoques que permitirão que as atividades da Polícia Civil sejam mais eficazes e, por extensão, contribuindo para maior segurança e cidadania, típicas do padrão delegacia cidadã.


10 - Como o senhor avalia as críticas como um todo que a Polícia recebe da população e da imprensa?

Sinceramente, acho até salutar e sempre existirão, todavia, devemos ter consciência que temos parcela de culpa nessas críticas, a partir do momento que só reclamamos e não fazemos nada para melhorar, visto que sempre é possível melhorarmos. Basta termos um pouco de vontade, de criatividade, e atitudes objetivas, que as boas ações da polícia aparecerão e por consequência as críticas serão de menor intensidade.

 



2ª SDP - Laranjeiras do Sul - 09/09/2013

Entrevista com Delegado Chefe de Laranjeiras - Adriano Chohfi

Adriano Chohfi

 

Adriano Chohfi é atualmente delegado chefe da 2ª Subdivisão Policial de Laranjeiras do Sul. Ingressou na Polícia Civil do Paraná em 16/02/2004 e foi delegado nas cidades de Foz do Iguaçu, Coronel Vivida e Pato Branco, onde também atuou na Divisão de Narcóticos – Denarc – da cidade.
Nesta entrevista, o delegado fala sobre a Segurança Pública no Estado do Paraná, a carreira de delegado, as principais atribuições desta autoridade dentro de uma delegacia, além de dar a sua opinião em temas polêmicos, como a redução da maioridade penal No Brasil.



1 - Há quanto tempo está na Polícia Civil? E no comando da 2ª SDP de Laranjeiras?
Estou na Polícia Civil do Paraná há dez anos, sendo delegado de polícia 2ª classe e desde janeiro de 2011 como chefe da 2ª SDP de Laranjeiras do Sul.


2- Fale um pouco sobre sua trajetória.
Formado em Direito pela PUC de Campinas e especialista em Direitos Difusos e Coletivos pela Escola Superior do MP/SP. Antes de assumir o cargo de delegado no Paraná fui aprovado no concurso público de procurador do Município de Campinas, exercendo o cargo por três anos.
Desde então, lecionando em várias faculdades, nas cidades de Campinas/SP, Foz do Iguaçu/PR, Pato Branco/PR e Dois Vizinhos/PR, nas áreas de Direito Penal (geral, especial e legislação especial) e Constitucional.
A mudança do cargo de procurador para delegado de polícia deu-se em razão de vocação e não por questões salariais, pois ambos se equivalem nesse quesito.


3- O que mais te satisfaz em sua profissão?
A maior satisfação do cargo de delegado de polícia é poder servir o público, atuando como uma espécie de filtro em questões sociais e criminais. Decisões tomadas pela autoridade policial no calor dos fatos fazem a diferença na sociedade, e exatamente isso torna a carreira uma das mais empolgantes das jurídicas, mesmo com todos os problemas estruturais existentes.


4- Quais são as principais atribuições de um delegado de polícia?
A principal atribuição do delegado de polícia na atualidade é ser um bom gestor público, atuando como líder da sua Unidade. Existem outras atribuições inerentes ao cargo, mas nenhuma com igual relevância. No interior do Estado, onde normalmente a figura da autoridade policial é muito fiscalizada pela sociedade, deve este ter uma conduta social reservada e ilibada, pois representa a instituição Polícia Civil e suas atitudes servem como baliza para o respeito e confiança da população.


5- Existem grandes diferenças nos trabalhos desenvolvidos pelos policiais na Capital e nas cidades do interior do Estado?
Atuei durante toda a carreira no interior do Estado, sendo que vislumbro grandes diferenças do delegado de polícia da Capital para o Interior, as quais não são exclusivas do nosso cargo, mas sim de todas as carreiras de Estado e que são compreensíveis, uma vez que a Capital necessita de maior atenção por parte do Chefe do Executivo. Contudo, nos últimos anos, essa diferença diminuiu muito, principalmente com a contratação de novos policiais civis e aquisição de viaturas caracterizadas para a Polícia Civil, além das promoções na carreira para policiais do interior também.


6- Qual é a sua visão sobre a Segurança Pública no Estado do Paraná na atualidade?
A segurança pública no Estado do Paraná está apresentando uma melhora significativa, principalmente no tocante a respeitabilidade das Instituições e reforço de efetivo, apesar da recomposição dos quadros da polícia civil, especialmente no interior do Estado, ser um processo gradativo e de longo prazo em razão da Lei de Responsabilidade Fiscal, a qual impede grandes contratações de pessoal pelos limites orçamentários. Hoje, tornou-se inadmissível qualquer policial civil reclamar do seu subsídio, uma vez que as carreiras policiais civis do Paraná foram agraciadas com um dos maiores salários do Brasil e mais, fazendo um comparativo com a iniciativa privada a distância torna-se maior ainda para o servidor policial em início de carreira.


7- Qual o caso de maior repercussão atendido pela Polícia Civil de Laranjeiras do Sul no tempo em que o senhor está à frente da Subdivisão?
O caso de maior repercussão desde que assumi esta chefia foi o homicídio de um policial militar aposentado na frente de sua casa na cidade de Laranjeiras do Sul, crime este que, por competência e dedicação dos policiais civis da SDP foi esclarecido em poucos dias, com a prisão dos autores.


8- Sobre o aumento da criminalidade entre os adolescentes e o debate sobre a redução da maioridade penal, o que o senhor pode dizer a respeito?
Realmente houve um aumento da prática de atos infracionais por parte de menores de idade, principalmente no tocante ao tráfico de drogas, contudo em Laranjeiras do Sul desde o início do ano foram presos 18 traficantes (pequenos e médios) na cidade, o que contribuiu para reduzir significativamente a venda de drogas na região, consequentemente diminuindo também o aliciamento dos menores para essa espécie de ilícito. Com relação à diminuição da menoridade penal a análise deve ser mais criteriosa, não bastando simplesmente a redução da idade para solucionar a onda de atos infracionais praticados, sem outras ações sociais, talvez muito mais importantes que esta.


9- Os crimes de homicídios e roubos têm aumentado significativamente nos últimos tempos. Existe algum tipo de ação específica para o combate a esses tipos de crimes na Subdivisão?
Desde o início de nossa gestão junto a 2ª SDP foi dado prioridade ao combate e elucidação dos crimes de homicídio, roubo e estupros. Todas as metas de diminuição de homicídios propostas pela SESP/PR foram atingidas desde 2011 em Laranjeiras do Sul e subordinadas (mesmo sem delegados nas Comarcas há mais de 02 anos). Foi também criado o cartório de Homicídios, com um escrivão específico para condução desses inquéritos.
Contudo, entendo que mais importante do que simples números estatísticos de quantidade de homicídios, o que pode levar a injustiças e distorções, como por exemplo - numa pequena cidade onde no ano anterior ocorreu apenas um homicídio, caso venha ocorrer no ano seguinte dois, haverá um aumento de cem por cento - para a Polícia Judiciária é a elucidação dos crimes, com altos índices de identificação de autores e prisões. Laranjeiras do Sul, atualmente, apresenta esclarecimento de homicídios em torno de setenta e cinco por cento.


10- Em sua opinião, de que forma o delegado de polícia pode contribuir para enfrentar as dificuldades encontradas atualmente em uma delegacia de Polícia?
O delegado de polícia deve enfrentar as dificuldades das delegacias como um gestor, agindo da melhor forma possível com o que tem a mão e não ficar somente reclamando e esperando o “Estado” providenciar aquilo que busca, deve fazer mais que apenas sua obrigação, improvisando e agindo sempre com inteligência, sendo que a melhorara no atendimento ao público nas delegacias é o cartão postal da Polícia Civil. 

 



1ª SDP - Paranaguá - 04/09/2013


Entrevista com Delegado Chefe de Paranaguá - Ítalo César Sega

 

Italo Sega


Ítalo Cesar Sega é atualmente delegado chefe da 1ª Subdivisão Policial de Paranaguá, litoral do Estado. Ingressou na Polícia Civil do Paraná em 25/03/1997 e foi delegado nas cidades de Apucarana, Jandaia do Sul, Ibaiti, Maringá, Cianorte, Campo Mourão e Paranavaí.

Nesta entrevista, o delegado fala sobre a segurança pública no Estado do Paraná, a carreira de delegado, as principais dificuldades encontradas no trabalho, além da tecnologia aplicada no trabalho policial.



Porque resolveu se tornar um Policial?

Buscava a estabilidade do serviço público.


Fale um pouco sobre sua trajetória profissional e pessoal.

49 anos, há dezessete anos na Polícia, tendo anteriormente advogado por dois anos. Casado, três filhos, dois enteados, nascido no centro-norte do Estado, na cidade de Faxinal, legítimo "pé vermelho".


Como o senhor poderia definir a carreira de Delegado de Polícia?

Ser Delegado da Polícia Civil no Paraná representa a oportunidade de lidar diariamente com a maior diversidade de situações que qualquer outra carreira profissional. É o aparadouro das mazelas humanas, onde nos deparamos diariamente com o que há de pior e melhor da condição humana. Ricos de espírito e pobres de patrimônio e vice-versa.

Atividade altamente burocrática, que obriga a tomada de decisões imediatas que influenciarão todos os demais atos seguintes à condição apresentada para sua análise. É o primeiro contato que vítima e autor do delito terão com a administração da Justiça Criminal pelo Poder Público. As frustrações são frequentes, assim como as satisfações pessoais.


A carreira de Delegado fascina muitas pessoas, mas na realidade como é o dia-a-dia deste policial e quais as suas principais atribuições?

O que fascina na carreira de Delegado é o poder de investigação, é a romântica impressão de que ela existe tão somente para apurar as verdades e circunstâncias em que se deram os fatos investigados, que é justamente o que traz satisfação, entretanto, essa atividade fim acaba ficando em segundo plano, sendo que nossa principal atividade acaba sendo a de gestores, e gestores de crise, donde vem a parte frustrante do trabalho.


Qual a decisão mais difícil tomada em seu trabalho?

Não diria a decisão mais difícil, mas sim a mais importante, que é o momento de se responsabilizar o indivíduo pelo cometimento do fato delituoso. Seja num momento de flagrante delito, que a autuação e o indiciamento são sempre imediatos e em condições de trabalho na maioria das vezes incompatíveis, seja através de um indiciamento através da investigação policial.


Qual a análise o senhor pode fazer sobre a Segurança Pública no Estado do Paraná?

É uma análise que dependeria de um espaço maior, sob pena de manter-se supérfluo, sendo possível afirmar que há muito por se fazer.


Em sua opinião, de que forma o Delegado de Polícia pode contribuir para enfrentar as dificuldades encontradas atualmente no trabalho policial?

O Delegado, titular do poder/dever de responsabilização do cometedor do delito, representa a defesa da sociedade através do Estado, contra o descumprimento das regras sociais mais rígidas, que são aquelas estabelecidas no Código Penal. Assim é imperioso que a unidade policial, por ele dirigida, efetivamente cumpra com o seu papel nesse contrato social. A população deve se sentir amparada de tal forma que o cidadão de bem seja o nosso maior aliado e o malfeitor o maior inimigo.


Qual a qualidade essencial de um Delegado?

Não acredito em uma única maior virtude, são várias características que devem se harmonizar. Diria que entre elas a coragem para enfrentar o inimigo armado com arma de fogo e os munidos de caneta. Disposição para o trabalho, senso de disciplina e hierarquia entre outras.


Qual a importância dos estudos e especializações para a sua profissão?

Nesses 17 anos de atividade profissional a legislação penal passou por inúmeras transformações e inovações, exemplificando com as leis de droga, armas, violência doméstica, instituição do Termo Circunstanciado da Infração Penal (TCIP), entre outras. Então, só por isso já seria imperioso a atualização dos conhecimentos jurídicos, havendo atualmente também a necessidade de adquirir conhecimentos e se aprimorar na área de gestão.


Existem grandes diferenças nos trabalhos desenvolvidos pelos policiais na Capital e nas cidades do interior do estado?

Na carreira policial atuei em oito comarcas, em sete subdivisões diferentes, sendo portanto conhecedor da realidade do interior do Estado e não da Capital.


Qual dica o senhor daria a quem quer ser um Delegado de Polícia?

Que venha com o espírito de servidor público, empregado dos humildes.

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