Divisão Policial do Interior

08/10/2013

Delegado aposentado Dr. Mariano Petrunkom é o nosso homenageado da semana

MARIANO PETRUNKOM é nascido no município de Joaquim Távora – Paraná, em 02 de agosto de 1943. Filho de Wladislau Petrunkom e de Helena Petrunkom (lavradores),”in memorian”, é casado com Nelice Jorge Alves Petrunkom e tem três filhas: Giovana, Marilice e Priscilla. As duas mais velhas são casadas, sendo que uma delas está grávida e espera um garoto (neto) para dezembro próximo e a terceira ainda é uma jovem com 18 anos, estudante. Petrunkom descreve uma família muito feliz que sempre lhe deu apoio no trabalho, apesar da profissão de risco.


Vamos conhecer um pouco mais sobre o Delegado aposentado, Dr. Mariano Petrunkom.


Antes de ser policial, trabalhei em um cartório de Registro Civil e tabelionato numa pequena cidade do interior, enquanto fazia o curso de Letras (Anglo Portuguesas), mas sempre com o sonho de ir em buscas de novas conquistas. No ano de 1975, parti para a capital do Estado (Curitiba), onde passei a trabalhar em um cartório, desta vez, Tabelionato, mas não muito satisfeito, ingressei em outro cartório, o de Registro de Imóveis, também em Curitiba. Com o decorrer do tempo, surgiu o concurso para a Polícia Civil e resolvi fazer. Em 14 de outubro de 1976, ingressei na carreira policial, como escrivão de polícia, ficando um tanto apreensivo, chegando daí a consultar meus familiares sobre esse tipo de trabalho, sendo que recebi total apoio do meu pai e, como líder da família, me incentivou dizendo: vá em frente.

Fui designado inicialmente para o 8º Distrito Policial, no bairro Portão, quando fui convocado para fazer o curso na Escola da Polícia Civil. No início de 1976 fui designado para a Delegacia de Polícia de Sengés, pois, como era de praxe, os calouros e novatos, trabalhavam inicialmente no interior, por força do estatuto da Polícia Civil. Naquele tempo, para se fazer uma ligação telefônica de Sengés para outros lugares, inclusive para a capital, era necessário ir ao Posto telefônico da cidade, pois ainda não havia telefone naquela Delegacia. Quanta dificuldade.

Apesar de tudo, como passei a gostar de exercer essa atividade, resolvi fazer o curso de Direito e no ano de 1990, fui aprovado para o cargo de Delegado de Polícia, sendo então designado para a cidade de Arapoti, como minha primeira Comarca, como Delegado. Lá permaneci por 13 anos, efetuando um bom trabalho e deixando uma boa imagem. Apesar das dificuldades com falta de pessoal, tínhamos o apoio da Polícia Militar, que também trabalhava nas Delegacias.

Nesse transcorrer de tempo, fui removido para Ponta Grossa, onde fui adjunto por algum tempo, trabalhando também em Piraí do Sul, Sengés, atendendo as comarcas de Jaguariaíva, Castro, Palmeira e Ipiranga, com plantões em Ponta Grossa, vindo a aposentar-me no dia 31 de julho deste ano, como Delegado de Polícia, 2ª. Classe.

Durante meus trabalhos em Delegacias, não posso deixar de esclarecer, que apesar de ser o Delegado, sempre considerado o chefe, exerci as mais diversas atividades, tais como: escrivão, auxiliar de carceragem e até zelador, isso tudo para que os serviços fluíssem, o que não me envergonho em relatar, porém, em todos os lugares em que trabalhei, sempre deixei uma ótima imagem de bom policial.

Na época em que a Polícia Civil recebia apoio da Polícia Militar, nas delegacias, ocorreu um dos episódios mais interessantes que marcaram minha carreira. Numa certa ocasião, o Comandante da Polícia Militar, me procurou para interceder sobre a chefia de sua corporação porque ele havia recebido ordens para que os policiais da PM se retirassem das Delegacias e, no seu entendimento, ele não queria sair com sua equipe.

Entrei em contato, através do telefone, com o superior dele, mas a informação foi a mesma. Os Policiais Militares não queriam deixar a delegacia, visto que havia ótimo entrosamento de trabalhos, tanto por parte da Civil quanto da Militar. Apesar deles realmente serem tirados desta função, os trabalhos prosseguiram sempre em conjunto. Foi nesta época, que alguns policiais civis foram designados para a continuação dos trabalhos, mas com menos policiais, dificultou-se assim a execução dos nossos trabalhos de polícia judiciária.

Quando se fala em vocação, acredito que, um dos pontos significativos seria a escolha da área profissional, com a busca do seu ideal de trabalho. Durante os acontecimentos da minha vida, lembro-me de um fato que acabou me levando a ser um policial até o dia de me aposentar.

Na época, um ex-patrão da cidade do interior, onde trabalhei até me mudar para a capital, havia ido até Curitiba para falar comigo sobre a possibilidade de retorno para a iniciativa privada com ele, possibilidade essa, que fatalmente eu iria aceitar. Mas quando faltava muito pouco para que ele chegasse até mim, ele acabou sofrendo um acidente e por isso fomos impedidos pela “vida” de conversarmos. Graças a isso, acredito que a minha vocação estava se iniciando por ali.

Não poderia deixar de relatar aqui um fato que considerei bastante preocupante, como vou citar: Em uma de muitas, de minhas missões, no decorrer dos trabalhos, recebi a incumbência, via judicial, de juntamente com a PM, proceder a remoção de um preso de alta periculosidade que havia sido detido, por força de um mandado de prisão preventiva, em uma cidade do interior do Estado de São Paulo, vizinha com o Paraná até a localidade em que trabalhei.

O detido, após ser condenado e conduzido para a Penitenciária central do Estado, tempos depois, dali se evadiu e acabou indo para uma das cidades de Mato Grosso, de onde efetuou uma ligação, me ameaçando de morte. Fiquei um tanto preocupado, mas o tempo foi passando, passando, até que certo dia, quando eu chegava em uma padaria, acabei me deparando, ainda na porta de entrada, com aquele homem, enquanto ele conversava com alguns amigos. Na hora pensei, agora, seja o que Deus quiser, não posso voltar, e então entrei, fui em direção a eles, e os cumprimentei, tanto a ele, quanto a seus amigos e foi quando ele me olhou, sorriu e disse: “voltei para morar novamente com minha família” e então eu respondi: seja bem vindo, cumprimentei os demais e tudo se normalizou, quando saí daquele local, pensei: ufa. Passei um verdadeiro sufoco.

Nessa trajetória de trabalhos, como policial civil, o que mais me deixou feliz foi acreditar ter saído com o dever cumprido. Os governantes do meu tempo de permanência no serviço policial, através de meus superiores, após analisarem minha ficha funcional, concederam-me a honra em contemplarem-me, quando escrivão de polícia, com uma medalha de bronze e quando Delegado de Polícia, com as medalhas de Prata e de Ouro, através de decretos governamentais, pelos mais de 35 anos de bons serviços prestados ao Organismo Policial Civil, à Ordem Publica e à Coletividade policial.

Acredito que vou sentir muita falta desse trabalho, dos meus companheiros e colegas, apesar de todas as dificuldades que foram superadas, graças a Deus. O importante agora, é bola pra frente, não se deixando desanimar, porque a vida é bela e vamos vivê-la até onde Deus quiser, talvez com outras conquistas, espero que sim.

Como mensagem aos novos policiais:

Se você quiser sonhar em ser um bom policial, trabalhe honestamente. Como Albert Pine disse, "O que fazemos por nós mesmos morre conosco, mas o que fazemos pelos outros e pelo mundo, permanece, e é...imortal".
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